Sébastien Buemi

Sébastien Buemi é desde o começo da F-E quem tem o melhor carro disponível - quem mais tem vitória, pole e dono do título da segunda temporada. Em entrevista exclusiva ao GRANDE PREMIUM, Buemi admitiu que pensa em F1 e falou de seu melhor ano na F-E

Pedro Henrique Marum, do Rio de Janeiro

Sébastien Buemi foi um dos primeiros pilotos formados pela Academia de Pilotos da Red Bull. O suíço passou por todo o caminho para chegar à F1. Vice-campeão da F3 Euro de 2007, atrás de Romain Grosjean e à frente de Nico Hülkenberg e Kamui Kobayashi. Depois, foi à GP2, onde voltou a encontrar Grosjean e Kobayashi cruzou com Lucas Di Grassi, Bruno Senna, Pastor Maldonado. Não teve os resultados mais brilhantes do mundo, mas fez o bastante para convencer a Red Bull.

A chegada na F1 foi em 2009, aos 20 anos de idade, por uma Toro Rosso que existia desde 2006, mas que só havia lançado um único piloto 'da casa': Sebastian Vettel. Coletou seus pontos, superou os companheiros de equipe nos dois primeiros anos, mas foi derrotado por Jaime Alguersuari na batalha interna de 2011. Foi sacado por uma marca que pode até dar asas, mas não dá perdão, e achou que Buemi, aos 24 anos de idade, ficara velho demais para o time B.

Mas foi aí que a carreira virou. Buemi era um piloto promissor que ficou perdido numa F1 com poucos lugares disponíveis e com quase nenhum apreço por talentos com a necessidade de lapidação. Buemi olhou para o outro lado, fechou com a Toyota e foi correr com protótipos. No WEC, achou a glória. Se tornou campeão mundial de endurance na classe LMP1 em 2014 e ingressou na nova experiência que era a F-E, a primeira categoria de bólidos elétricos do mundo.

O acordo com a Renault e.dams o colocava automaticamente no topo do novo campeonato. Após um primeiro ano de disputa acirrada e com derrota para Nelsinho Piquet, Buemi disputou um segundo ano com o ex-rival de GP2, Di Grassi, e foi ponto a ponto até confirmar o título por um ponto conquistado com a melhor volta da prova final - após uma batida mais que polêmica que sofreu do próprio Lucas. Enxotado da F1, Buemi se tornou campeão do WEC e da F-E.

O #5 da Toyota: carro de Buemi no WEC
Foto: Toyota

Embora aquela pancada ainda seja tabu e Buemi não queira falar sobre o assunto com a reportagem, o piloto da Toyota, Renault e Red Bull falou ao GRANDE PREMIUM sobre várias outras coisas em entrevista exclusiva. Contou, por exemplo, que ainda está disposto a voltar para a F1 se a chance certa aparecer. Com a Renault novamente sendo equipe de fábrica, por que não: ele se mantém atualizado por ainda ser piloto de testes da Red Bull. Fará um novo teste dos pneus Pirelli nos próximos meses e conhece os novos carros.

Também falou sobre os melhores pilotos que viu surgir na laureada academia de Helmut Marko desde que está por lá, há quase dez anos. Buemi elogia o Brasil, conta que sonha em correr na Suíça e diz que não esperava ter tamanha vantagem na terceira temporada da F-E. Embora após a corrida na Cidade do México, no último sábado (1), a diferença que era de monumentais 29 pontos - e que parecia intransponível por conta das três vitórias em três provas - ter caído para apenas cinco em relação a, claro, Di Grassi.

Entre o futuro das categorias tradicionais comparadas à F-E e os cockpits protegidos, Buemi fala bastante sobre a vida e obra.

Sébastien Buemi teve um começo de temporada arrebatador
F-E

Grande Premium: Você esperava um começo de temporada como esse? A Renault e.dams está ainda melhor esse ano que nos dois primeiros?

Sébastien Buemi: É difícil dizer. Obviamente os resultados são melhores até agora do que nas primeiras duas temporadas. Acho que um dos segredos é o fato de termos estabilidade no time: temos os mesmos pilotos, os mesmos mecânicos e as mesmas pessoas envolvidas. Dá um espírito ao time. Mas ainda estamos no começo de uma temporada, então vamos dar nosso melhor. A temporada é muito longa, mas, até agora, é a melhor que tivemos.

GP*: Esse começo incrível na temporada da F-E faz você repensar a escolha de correr as 6 Horas de Nürburgring no conflito de datas da F-E com o WEC?

SB: Para ser totalmente honesto, não tenho escolha. Meu contrato dita que o WEC tem prioridade. Para o México, não tive a melhor preparação por ter chegado no sábado de manhã. Vamos focar em cada corrida, corrida a corrida, e veremos o que fazer. No caso de ser muito difícil para o campeonato, vamos discutir com a Toyota e a Renault a fim de encontrar a melhor solução. Vamos discutir todas as possibilidades.

GP*: Quem você considera seu maior rival na luta pelo campeonato?

SB: É sempre difícil dizer após apenas três corridas, mas eu diria que um deles é Lucas Di Grassi. Claramente está lutando pelo campeonato. Mas todos os pilotos são rivais em potencial: Jean-Éric Vergne foi muito rápido em Buenos Aires e foi ao pódio. Nico [Prost] é sempre um rival, porque temos o mesmo carro. Preciso ficar focado em todos.

GP*: O WEC perdeu a Audi e ficou com apenas duas montadoras na P1; o DTM está tendo o grid encolhido; nenhuma montadora nova tem mostrado interesse na F1. A F-E, de outro lado, está atraindo mais e mais fábricas. Isso é endêmico? As categorias mais tradicionais precisam mudar para continuarem relevante?

SB: É uma pergunta complicada. A F-E é o único campeonato nessa categoria. Novas tecnologias são muito importantes agora e estão crescendo realmente rápido. Então é uma grande oportunidade correr nessa categoria. Se quiserem um estande, as fábricas precisam ingressar na F-E. O campeonato está fazendo um ótimo trabalho de atrair novas fábricas e precisa continuar com esse trabalho difícil para seguir atraente. É ainda muito novo.

GP*: Algumas semanas atrás, a F-E lançou imagens de um carro conceito para a temporada 2018/19. O carro é bem futurista: não tem asa traseira, o chassi é bem leve, há uma proteção de cockpit. Qual sua visão do carro, você gosta?

SB: Do que eu tenho ouvido, são apenas imagens por enquanto, Não é algo que tenha sido decidido. Então não podemos tomar uma decisão ou ter uma opinião sobre isso. O carro não será exatamente assim. Claro, eles querem um carro futurista que seja bonito. Querem um carro eficiente para o campeonato e que deixe a competição interessante.

GP*: Acha que monopostos deveriam ter cockpits fechados, ter proteções como Halo ou Aeroscreen, ou nada disso?

SB: Gosto do fato de que monopostos tenham cockpits abertos, mas do outro lado não dá para esquecer os acidentes que aconteceram no passado. Acredito que a FIA precise sempre investigar como deixar os carros mais seguros e o campeonato mais seguro. Para o futuro, creio que teremos um sistema com o Halo ou o Aeroscreen. Do meu ponto de vista como piloto, não me importo em ter ou não e entendo completamente as preocupações da FIA.

GP*: O Brasil finalmente terá uma corrida da F-E, em São Paulo. Você já correu no país, o que acha do Brasil e de São Paulo?

SB: Até onde eu sei, não há confirmação oficial com relação ao Brasil sediar uma corrida [o GRANDE PRÊMIO deu essa informação no mês passado]. Mas, se confirmado, estou ansioso por correr lá. Fiz várias corridas em pista brasileira e acredito que é um grande lugar para se correr. É definitivamente um lugar para ir. 

GP*: Se você pudesse escolher um lugar específico para a F-E correr, qual seria?

SB: Se eu pudesse escolher uma cidade onde gostaria que a F-E fosse, seria uma na Suíça, claro. Como piloto suíço, seria uma grande experiência e, é claro, como uma sensação genial de correr em casa.

GP*: A F1 está no seu passado ou é algo que você sonha?

SB: Ainda sou um piloto da Red Bull, então faço muito trabalho de simulador. Farei o teste da Pirelli, então estou envolvido com isso e a F1 continua sendo o auge do esporte a motor. Enquanto piloto você sempre tem que olhar para este lugar. Agora, se surgir uma oportunidade fantástica, aí eu consideraria.

GP*: Entre todos os pilotos que você viu na Academia de Pilotos da Red Bull, qual o melhor?

SB: É uma pergunta complicada, porque eu vi muitos bons pilotos: Vettel, {Jean-Éric] Vergne, [Daniel] Ricciardo. Se eu tiver que escolher um, acho que escolheria Vettel, porque ele faz tanta coisa no esporte a motor. Mas, hoje, [Max] Verstappen faz um trabalho incrível.

GP*: Qual sua visão do automobilismo virtual?

SB: Acho que, no momento, automobilismo virtual não é tão bom quanto um carro real. Você precisa ser rápido, precisa aprender o básico. 

GP*: Você acha que um piloto que começa a carreira em simuladores pode ter um impacto real quando passa a guiar um carro de verdade?

SB: Não estou totalmente convencido, mas nós corremos do simulador para a corrida virtual de Las Vegas com a F-E e foi uma boa oportunidade de falar sobre o campeonato. Queremos que tantas pessoas quantas forem possíveis conheçam a F-E. Se for bom para promovê-la, por que não?!”