As notas do GP da Espanha

Depois de um péssimo GP da Rússia capaz de desanimar qualquer pessoa disposta a acompanhar a F1, o GP da Espanha fez recuperar um pouco de fé. A primeira briga de fato, um contra um, de Lewis Hamilton e Sebastian Vettel, toques, mudanças de posições e múltiplos destaques foram de animar o público

Gabriel Curty, de São Paulo,
Pedro Henrique Marum, do Rio de Janeiro &
Vitor Fazio, de Porto Alegre

A etapa espanhola da F1 trouxe um alento aos fãs da categoria depois do péssimo GP da Rússia. A prova foi bastante agradável, com direito a disputas na pista pela primeira posição, um duelo real entre Lewis Hamilton e Sebastian Vettel e uma ultrapassagem incrível do alemão em cima de Valtteri Bottas.

A prova de que a corrida de Barcelona foi boa é a quantidade elevada de destaques individuais que apareceram. Além de Hamilton e Vettel, a dupla da Force India voltou a brilhar aparecendo no top-5, Pascal Wehrlein marcou os primeiros pontos da Sauber e Nico Hülkenberg buscou o melhor resultado da Renault desde o retorno dos francês ao grid da F1, chegando em sexto.

Por outro lado, os dois piores pilotos do final de semana foram muito óbvios. Lance Stroll e, principalmente, Jolyon Palmer, seguem dando aquela impressão clara de que já fazem hora extra no grid da principal categoria do automobilismo mundial. Pior para Williams e Renault, que assistem a Force India e até a Toro Rosso despontarem no pelotão intermediário com os dois pilotos pontuando.

O GRANDE PREMIUM volta a dar notas aos pilotos da F1, avaliando o rendimento de cada um ao longo do GP da Espanha.

A briga chegou, enfim
Divulgação/Mercedes

1º - Lewis Hamilton (Mercedes) - 9.0 - Hamilton conquistou uma vitória importantíssima. Depois de um desempenho sofrível na Rússia, o tricampeão respondeu as críticas com uma pilotagem de respeito em Barcelona, cravando a pole e, na corrida, ultrapassando o rival Vettel para chegar ao segundo triunfo de 2017.

2º - Sebastian Vettel (Ferrari) - 9.0 - Vettel não conseguiu a pole, mas fez uma boa largada e uma ultrapassagem espetacular em Valtteri Bottas quando estava com o ritmo limitado pelo do finlandês. A vitória poderia ter vindo se a estratégia da Ferrari não fosse tão atrapalhada, mas isso não é culpa do alemão.

3º - Daniel Ricciardo (Red Bull) - 7.0 - A gente não gosta de ser repetitivo, mas é muito difícil dar nota para a Red Bull na temporada 2017. Os caras estão completamente isolados em um pelotão entre Ferrari/Mercedes e o resto do grid. Ricciardo não bateu, não quebrou e viu carros mais fortes quebrarem. Assim, buscou um lugarzinho no pódio.

Destaque da corrida para as Force India
Force India

4º - Sergio Pérez (Force India) - 8.5 - A regularidade de Pérez é uma coisa impressionante. Mais uma vez chegando no limite do que a Force India pode oferecer, o mexicano alcançou um ótimo quarto lugar em Barcelona, significando sua 15ª corrida consecutiva dentro dos pontos. É muita coisa.

5º - Esteban Ocon (Force India) - 8.0 - Regularidade também é algo que vem marcando esse início de carreira do extremamente promissor Ocon. Nas cinco primeiras corridas em que fez com um carro que o desse mínimas condições de pontuar, o francês ficou no top-10. Na Espanha, mais uma vez esteve perto do companheiro e, beneficiado por abandonos alheios, fez o primeiro top-5 de sua vida na F1.

6º - Nico Hülkenberg (Renault) - 8.0 - Hülk era a peça que a Renault precisava para voltar a ter resultados decentes. Depois de um 2016 sofrível, os franceses trocaram Kevin Magnussen pelo alemão e, até aqui, certamente não se arrependeram. Pontuando com muita regularidade, Nico buscou em Barcelona o melhor resultado da Renault desde a volta como equipe no grid da F1.

7º - Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) - 7.5 - Sainz não fez uma corrida marcante, mas chegar em sétimo diante de seu povo já é algo bem bacana. O espanhol fez tudo direitinho e contou com uma punição a Wehrlein para avançar mais um pouco na classificação final.

8º - Pascal Wehrlein (Sauber) - 8.5 - Wehrlein foi um dos nomes da corrida. O alemão conseguiu um stint espetacular com pneus médios, aproveitou o safety-car virtual para ir aos boxes e de lá seguiu até o final da prova. Não fosse uma punição, era um sétimo lugar na conta, mas os quatro pontos já foram muito úteis para a Sauber na briga particular com a McLaren.

9º - Daniil Kvyat (Toro Rosso) - 8.0 - Quase ninguém percebeu, mas a corrida que fez Kvyat na Espanha foi muitíssimo boa. Saindo do fim do grid, o russo foi passando na pista e na estratégia até beirar o top-10. Então, superou os dois carros da Haas e ainda salvou dois pontinhos a mais para a Toro Rosso na briga do pelotão intermediário.

10º - Romain Grosjean (Haas) - 6.0 - Não é só pela posição final, mas Grosjean foi quem menos se destacou no top-10. Com o chassi antigo da Haas, o francês não fez uma boa classificação e, apesar de uma excelente largada, não teve um grande ritmo de corrida. O abandono de Magnussen o ajudou a salvar mais um pontinho.

Daniil Kvyat mandou bem ao sair da última fila para pontuar
Red Bull Content Pool

11º - Marcus Ericsson (Sauber) - 7.0 - É fácil perder a corrida honesta que fez Ericsson frente à grande exibição de Pascal Wehrlein com a mesma Sauber. De Ericsson, esperar exibições brilhantes é como procurar pelo em ovo. Mas o sueco é hoje um piloto minimamente funcional e que, se as coisas funcionarem, pode somar uns pontos no ano. A tendência, porém, é ser surrado pelo mais talentoso Wehrlein.

12º - Fernando Alonso (McLaren) - 7.0 - O sábado fenomenal de Alonso não foi replicado no domingo. O toque com Felipe Massa praticamente encerrou as chances de pontuar, mas ao menos o espanhol conseguiu receber a bandeira quadriculada pela primeira vez na temporada. Evolução, certo?

13º - Felipe Massa (Williams) - 4.0 - Massa foi tentar se esquivar dos acidentados Räikkönen e Verstappen e acabou causando seu próprio problema. Tocou Alonso, prejudicou a corrida do bicampeão e a própria, visto que teve um pneu furado. O sábado acima das expectativas não foi transformado em boa corrida, e Massa deixou Barcelona com mais uma etapa decepcionante na conta.

14º - Kevin Magnussen (Haas) - 6.0 - A corrida de Magnussen estava terminando em mais alguns pontos somados para a Haas. A equipe norte-americana vai sempre conseguindo anotar seus tentos, aliás, mas quando Magnussen tentava pular para o oitavo lugar, se precipitou. Acabou tocando a Toro Rosso de Kvyat e tendo pneu furado. Precisou entrar nos boxes e viu os pontos saírem da jogada. Ao menos foi o companheiro Grosjean quem herdou o décimo lugar.

15º - Jolyon Palmer (Renault) - 2.5 - Enquanto meio grid teve problema, pneu furado, estratégia falhada e outro tipo de dificuldade, Palmer jamais apareceu e mesmo assim não conseguiu ganhar algumas posições. A cada corrida de seu segundo ano, o inglês coloca mais um ponto de exclamação no fato de ser um erro da Renault.

Fernando Alonso pelo menos completou a corrida
McLaren

16º - Lance Stroll (Williams) - 2.5 - Stroll não consegue parar de patinar. Na pista onde começou a criar tantas dúvidas contra si próprio, Barcelona, ainda durante a pré-temporada, Lance voltou a desanimar a Williams. Ser último numa corrida como essa foi dose para leão.

NC - Valtteri Bottas (Mercedes) - 6.0 - Os deuses da F1 puniram a Mercedes por resolverem que utilizar um motor velho era a solução do fim de semana. OK, isso talvez seja uma barra forçada, mas é curioso que a maior notícia envolvendo Bottas em Barcelona tenha sido a desistência da Mercedes em utilizar o motor novo - por conta de problemas elétricos identificados - e o finlandês tenha abandonado por conta de uma quebra no motor. E ainda teve o toque causado por ele na largada e que prejudicou Räikkönen e Verstappen.

NC - Stoffel Vandoorne (McLaren) - 3.5 - O novato belga é, sem grandes dúvidas, um dos grandes talentos da nova geração de pilotos. Só que o tempo num carro tão deficitário como o da McLaren e com uma comparação tão injusta quanto Alonso conseguem atrapalhar alguém. Stoffel abandonou na Espanha num erro grotesco ao tocar Massa que já praticamente o deixara para trás. Vandoorne admitiu que viu Massa, mas disse que deixou espaço. Não foi o caso.

NC - Max Verstappen (Red Bull) - 5.5 - Verstappen não teve chances, certo? Com o toque de Bottas em Räikkönen, a Ferrari foi diretamente nele e acabou com o dia do holandês após apenas alguns segundos. Ano passado, na mesma pista, um outro toque acabou dando a primeira vitória da carreira a Max, mas não dá para dar todas as sortes do mundo.

NC - Kimi Räikkönen (Ferrari) - 5.0 - Assim como Verstappen, Räikkönen foi vítima da imprudência do compatriota Bottas. Não houve o que Kimi pudesse fazer para evitar ser enxotado do GP da Espanha de 2017 com certa dose de crueldade.

GP DA ESPANHA – 7.0

Ainda que tenha sido imensamente superior ao GP da Rússia e tenha apresentado briga pela vitória, o GP da Espanha não foi tão empolgante quanto o GP do Bahrein ou mesmo o GP da China. Faltaram mais ultrapassagens ao longo do pelotão intermediário, principalmente na segunda metade da zona de pontos. Mesmo assim, foi uma corrida acima da média da temporada 2017.

Melhor GP: GP da China, GP do Bahrein (8.5)

Pior GP: GP da Rússia (2.5)

Média da temporada: 6.3

 

Média da temporada

1 - Sebastian Vettel - 8.7
2 - Sergio Pérez - 7.8
3 - Lewis Hamilton - 7.7
4- Esteban Ocon - 7.1
5 - Max Verstappen - 7.0
6- Nico Hülkenberg - 6.8
6 - Pascal Wehrlein - 6.8
8- Valtteri Bottas - 6.5
8 - Fernando Alonso - 6.5
10 - Carlos Sainz Jr - 6.4
11- Daniil Kvyat - 6.3
12 - Daniel Ricciardo - 6.0
13 - Kimi Räikkönen - 5.8
14 - Romain Grosjean - 5.7
15 - Felipe Massa - 5.3
16 - Marcus Ericsson - 5.1
17 - Stoffel Vandoorne - 4.7
17 - Kevin Magnussen - 4.7
19 - Antonio Giovinazzi - 4.0
20 - Lance Stroll - 3.7
21 - Jolyon Palmer - 3.0