A F1 precisa conhecer Vinicius de Moraes

O Halo foi apresentado ao mundo nos testes em Barcelona. Pode até ser seguro, mas desagrada pela feiúra

Victor Martins, de São Paulo

Ontem à noite, a FIA soltou a mais recente versão de sua revista, a ‘Auto’, em que detalha como estão sendo feitos os testes com as soluções apresentadas para proteção na cabeça do piloto. Todas elas são similares ao que a Mercedes apresentou como Halo. Nestas avaliações, claro, a preocupação não é o acabamento, então as peças estão ‘desnudas’.

Não demorou muito, uma versão pronta para uso apareceu. Foi no carro da Ferrari de Kimi Räikkönen na manhã dos testes desta quinta-feira (3) em Barcelona.

Ainda que seja necessária – por uma questão de segurança, e por isso deve ser sempre apoiada –, a peça que acaba tendo um formato de Y chama muita atenção, mas não por sua estética – e dá voz à metade do público que é contra a proteção. Nem pintado e besuntado com patrocinadores há de agradar.

Nenhum de nós tem condições técnicas para discutir a qualidade e eficácia da peça mais do que a FIA, que demonstra, como se vê abaixo, o impacto de um pneu lançado a 225 km/h por um canhão de ar. Se a entidade tem engenheiros e experts no assunto e garante que o Halo resolve a questão, OK. Mas deve, e tem, de haver uma opção em que se apresente algo melhor.

Halo sendo testado pela FIA (Foto: Reprodução)

 

 

 

 

 

 

A FIA e a F1 que se preparem para a enxurrada de críticas ao modelo Halo
Getty Images

Em um momento em que vive uma crise de identidade, com queda de audiência na TV em grande parte do mundo, a F1 e a entidade máxima que a rege poderiam ter um cuidado maior em embalar o produto. Daqui 15 dias, começam os treinos livres para o GP da Austrália, e até agora não se sabe se haverá mudança no formato de classificação e, se houver, como e quando vai ser aplicada. Se vai mudar radicalmente os carros para 2017, fazendo com que voltem ao caminho de um F1, agora apresenta uma novidade que não agrada aos olhos.

Preocupada em remover vídeos dos próprios pilotos na internet – como aconteceu com Romain Grosjean –, a F1 ainda não entendeu o momento do consumo imediato e da opinião em questão de segundos, e que a grande massa não vai apoiar esta trapizonga. Se não entende o presente e o futuro, ao menos podia saber que há décadas existe uma frase de Vinicius de Moraes que virou clichê, adaptado de um comentário sobre as mulheres: a de que a beleza é fundamental.