Neymar x Grandes contratações da F1

Neymar é o grande nome do futebol mundial no último mês. Jogador mais caro da história do esporte, o brasileiro trocou Barcelona por Paris por protagonismo e um projeto muito maior que apenas dinheiro. Na F1, nos últimos anos, mudanças pesadas também sacudiram a categoria

Pedro Henrique Marum, do Rio de Janeiro

A história nasceu em julho. Ninguém imaginava que Neymar pudesse deixar o Barcelona antes da Copa do Mundo de 2018. O clube não estava disposto a negociar e acabara de renovar o contrato do jogador. Mas aconteceu. As notícias foram aparecendo a evidenciaram que o PSG de fato convenceu Neymar a ir morar em Paris. Com o dinheiro do Catar à disposição, o PSG precisava apenas driblar o fair-play financeiro - o que fez.

Neymar se tornou o jogador mais caro da história do futebol mundial - cerca de R$ 821 milhões - por longa margem. Por que, porém, deixar uma cidade e um clube que mostraram tamanho carinho e tanto ofereceram em termos financeiros e esportivos? Tirando o Real Madrid, em nenhum outro clube do mundo Neymar encontraria um grupo com jogadores do calibre de Lionel Messi, Luis Suárez, Andrés Iniesta e Sergio Busquets, para ficar em alguns. Por que sair?

Claro que a parte financeira não atrapalha. Mas Neymar, sejamos sinceros, é um homem rico. O PSG significa uma nova fronteira para o que pode fazer na Europa: participar da montagem de uma filosofia que terá nele a estrela maior. O jogador pode até negar, é até prudente que negue, mas foi a Paris pelo protagonismo. Para não mais ganhar no time do Messi, mas para que os outros jogadores ganhem no time do Neymar.

Por que estamos tratando de Neymar no GRANDE PREMIUM? Porque o Lado a Lado desta semana compara a transferência do camisa #10 da Seleção Brasileira às grandes contratações de pilotos por equipes da F1 nos últimos anos.

Fernando Alonso – Renault para a McLaren (2007)

A Renault havia transformado Fernando Alonso num bicampeão mundial nos dois anos anteriores. O espanhol foi a resposta para a pergunta ‘quem irá encerrar a hegemonia de Michael Schumacher?’, que parecia imbatível após cinco títulos enfileirados. Mas era evidente que haiam uma diferença entre um projeto genial e sucesso a longo prazo. A Renault podia ofereceu uma dessas coisas, mas a McLaren foi a tentativa da outra.

Mais laureado nome da F1 naquele momento após a aposentadoria de Schumacher, Alonso trocou a Renault pela McLaren para transformar os dois títulos em uma dinastia. Ao lado de um novato, afinal, tinha toda a vantagem do mundo para ampliar o leque de conquistas durante uma longa carreira.

Não foi o que aconteceu. O talento de Lewis Hamilton e a inabilidade de Ron Dennis de conter as fortes personalidades dos dois pilotos fez com que as relações implodissem. A primeira passagem de Alonso na McLaren chegava ao fim após apenas um ano.

Kimi Räikkönen foi campeão da F1 em 2007 justo no Brasil
Ferrari

Kimi Räikkönen – McLaren para a Ferrari (2007)

Não havia espaço para Räikkönen na McLaren em 2007 ou Räikkönen não queria espaço na McLaren? Bom, a Ferrari estava louca para recrutar o finlandês até como companheiro de Michael Schumacher. O heptacampeão, porém, decidiu que deixaria a F1 em 2006, abrindo caminho para Felipe Massa permanecer e Räikkönen ocupar o outro espaço.

Do outro lado, o acordo de Alonso com o time de Woking e o desejo de subir Lewis Hamilton empurravam Kimi um pouco mais para a Itália. O rendimento por vezes espetacular na McLaren não valeu título para Räikkönen, mas fez seu nome e carreira mesmo ainda muito jovem.

Depois, na Ferrari, conseguiu arrematar: foi campeão mundial de 2007 se valendo da confusão entre os substitutos.

Jenson Button – Brawn para a McLaren (2010)

Quando surgiu, Jenson Button era a grande esperança inglesa para se tornar o próximo campeão mundial. A passagem na Williams para começar a carreira foi de grande expectativa, mas pouco gerou – e ele saiu. Em dado momento, próximo ao fim da década passada, Button se aproximava dos 30 anos de idade e guiava em carros cada vez piores. A Honda de 2008, por exemplo, era um horror; enquanto Lewis Hamilton, na McLaren, se tornava o novo inglês campeão. Aquele que seguiu Damon Hill e devia ser Button, não seria.

Felizmente, porém, um golpe de sorte. A Honda saiu da F1, mas Ross Brawn comprou o espólio e explorou ao máximo o livro de regras de 2009. Com a Brawn GP, Button alcançou a terra prometida: se tornou campeão mundial de F1.

A situação era completamente diferente no ano seguinte. Um novo grupo chegava, a Mercedes, e Button teve a chance de definir onde daria o prosseguimento a sua carreira. Escolheu a equipe mais tradicional da Inglaterra. Button e Hamilton na McLaren era, afinal, o Dream Team britânico na F1. Nos sete anos por lá, até venceu corridas, se aproximou do topo em alguns momentos mas nunca chegou ao protagonismo que esperava.

A Mercedes foi um acerto de Hamilton
Mercedes

Lewis Hamilton – McLaren para a Mercedes (2013)

Era hora, certo? A relação de Hamilton e Ron Dennis sempre foi um tanto problemática, desde o ano de estreia e das rusgas com Alonso. As vitórias, porém, faziam o trabalho de colocar água nos focos de incêndio e iam levando ambos da melhor forma possível. Até que as vitórias foram minguando, Hamilton foi se rebelando ainda mais e, pela primeira vez, passou a ter um piloto que o superava: Button.

Pronto. Hamilton não queria mais a McLaren. E chegou ao ponto em que a McLaren também não quis mais Hamilton. Fornecedora de motor da equipe inglesa há anos, a Mercedes conhecia bem o ainda jovem Lewis – e foi atrás dele. Com Nico Rosberg e Michael Schumacher, a Mercedes havia montado a fundação para anos vitoriosos, então era hora de colher.

Assim foi, então. Demorou um ano, mas Hamilton emendou dois títulos mundiais e passou de um dos grandes talentos de sua geração para estatisticamente um dos grandes pilotos da história graças a si próprio, claro, e à mudança para a Mercedes.

Fernando Alonso – Ferrari para a McLaren  (2015)

Cabe primeiro uma explicação: o retorno de Alonso para a Renault e a ida para a Ferrari não tiveram status de movimentações entre equipes gigantes visto que a marca francesa não mostrava um poderio que justificasse a alcunha - diferente de 2006. Ao fim de 2014, no entanto, após quatro anos e um fracasso em alcançar o título mundial pela Ferrari, o clima estava insustentável em Maranello. Para Alonso e quase todas as outras figuras que ocupavam cargos diretivos, era hora de deixar o barco.

Sem lugar na Mercedes ou na Red Bull, Alonso ficou apenas com uma opção entre equipes grandes: a McLaren. 2007 ficara no passado, é verdade, assim como a rusga com Hamilton, e o momento era bem diferente. Em 2015, a tradicional equipe resgataria a parceria lendária com a Honda: o sonho, óbvio, era ter Alonso e Button numa versão Século XXI do time que Ayrton Senna e Alain Prost formaram no final dos anos 1980. A segunda passagem, com direito a paz com Ron Dennis, era também a última chance de Alonso conquistar o tão buscado tricampeonato mundial.

O contrato original da segunda passagem de Alonso com a McLaren, porém, chega ao fim neste 2017 e tudo o que podia ter sido esperado de bom não chegou. Com motores terríveis da Honda, a equipe de Woking não deu a Fernando a oportunidade de brigar nem por pódios, quanto mais por título.

Sebastian Vettel chegou ao fim da linha na Red Bull
Ferrari

Sebastian Vettel – Red Bull para a Ferrari (2015)

Depois de uma carreira devota à Red Bull e quatro títulos mundiais na bagagem, estava na cara durante a temporada 2014 que o clima de Sebastian Vettel havia minguado na equipe da marca dos energéticos. Não que houvesse briga – não era esse tipo de desgate -, se tratava de algo esportivo. Vettel estava consolidado como o maior piloto da história da Red Bull e irá ocupar tal posto por um longo tempo.

Faltava um desafio novo. Pegar a maior marca da F1 e fazer dela campeã parecia uma ideia promissora. Então a Ferrari chamou. Alonso estava saindo, assim como Luca di Montezemolo e Stefano Domenicali. No ‘bota abaixo’ de Maranello, ele era a peça fundamental da reconstrução.

Além do mais, era um alemão já visto por muita gente como o melhor piloto do grid chegando para acelerar com a cor vermelha. Vettel, produto da ‘Geração Schumacher’ e que tem o heptacampeão como ídolo, certamente não podia desperdiçar a chance de escrever esse capítulo. E assim foi, quase que como o nome prometido, para uma Ferrari que não conquistava o Mundial há quase dez anos.