Hamilton 2016 x Hamilton 2017

Na frieza dos números, o tricampeão vem repetindo o mesmo desempenho da temporada passada. Será que, desta vez, ele conseguirá um resultado diferente?

Renan Martins Frade, de São Paulo

Lewis Hamilton está em grande forma. Algo que é fácil afirmar em relação ao piloto inglês, simplesmente porque ele teve poucos momentos de ‘baixa’ na carreira na Fórmula 1. Afinal, desde que estreou em 2007, pela McLaren, Hamilton teve ao menos uma vitória em cada uma das temporadas que disputou pela categoria. Ele é, como poucos foram, extremamente constante.

Por isso, olhar os números do tricampeão em 2017 não chega a ser exatamente supreendente, ao menos quando comparamos com o mesmo ponto da temporada anterior. O piloto vem, considerando as dez primeiras corridas do ano – exatamente antes do GP da Hungria –, tendo praticamente o mesmo desempenho. Número de vitórias e poles é idêntico, assim com a diferença para o líder. Só mudou o nome e a cor do carro do adversário: saiu Nico Rosberg e a Mercedes #6 e entrou Sebastian Vettel com a Ferrari #5.

Obviamente, ainda faltam 11 corridas para o fim de 2017. E Lewis precisa torcer para ser melhor do que foi em 2016, já que acabou ficando com o vice-campeonato naquela oportunidade. Ao menos agora ele conta com uma vantagem: o companheiro de equipe não é (ao menos até esse momento) o adversário na disputa pelo título, o que pode abrir finalmente a possibilidade do inglês se beneficiar do jogo de equipe nas últimas corridas, algo que ele não teve nos anos anteriores...

Hamilton antes do pódio no GP da Inglaterra de 2017
Mercedes

Vitórias

2016: 4

2017: 4

Até aqui, tudo igual. Em 2016, Hamilton venceu os GPs de Mônaco, Canadá, Áustria e Inglaterra. A diferença é que, em 2017, o primeiro lugar no pódio chegou antes, no GP da China, e se repetiu na Espanha, Canadá e Inglaterra.

O que muda este cenário é que há uma maior diversidade de carros lutando pela vitória. No ano passado, Hamilton e Rosberg venceram nove das dez primeiras corridas – e só não ficaram com dez de dez porque os dois companheiros bateram durante aquela famosa disputa na Espanha. Este ano, os carros prateados contam com seis conquistas (contando duas de Valtteri Bottas), sendo outras três para a Ferrari (com Vettel) e uma para a Red Bull (Daniel Ricciardo).

Há o outro lado, também: a maior diversidade de vencedores denota uma distância menor entre os carros, o que aumenta a competitividade e, claro, mistura mais as coisas para quem disputa o título. Por isso, é até surpreendente ver que Lewis está conseguindo manter o mesmo ritmo.

Pódios

2016: 7

2017: 6

O número de pódios é reflexo direto do que vimos no ponto anterior. Carros mais próximos, mais difícil contar com um lugar garantido no pódio. E, ainda assim, Lewis quase repete o mesmo desempenho de quando a Mercedes era mais dominante.

Se for para colocar o único ponto fora da curva, talvez ele tenha sido o GP da Rússia. Enquanto no ano passado o inglês foi segundo (atrás de um então massacrante Rosberg), este ele foi apenas quarto – quando sofreu com o excesso de aquecimento de seu carro. São pontos que podem fazer a diferença...

Poles

2016: 6

2017: 6

Outro desempenho idêntico. Em 2016, foram seis poles de Hamilton, quatro de Rosberg e uma de Ricciardo nos dez GPs iniciais. Agora, temos mais uma vez Lewis com seis, mas Bottas com duas, Vettel com uma e Kimi Räikkönen com mais outra. 

Por um lado, chama a atenção que Hamilton tenha conseguido o mesmo número em um ano, teoricamente, mais disputado na hora da pole. Porém, por outro, as unidades de potência da Mercedes tem vantagem no Q2 e no Q3 das classificações – como comentou um engenheiro diretamente envolvido com as unidades de potência da F1 em entrevista exclusiva ao GP*. Com Bottas menos presente na disputa pela pole do que Rosberg era, fica mais fácil para o tricampeão largar na frente quando a força bruta do motor faz a diferença na pista.

Voltas mais rápidas

2016: 2

2017: 6

É aqui que aparece a maior diferença – justamente em um quesito que, na prática, pouco vale para o campeonato. A verdade é que Nico Rosberg estava muito rápido na primeira parte da temporada passada, fazendo cinco das voltas mais rápidas naquela oportunidade. Nas outras vezes, fatores como estratégia de corrida – dos pilotos da Mercedes e dos adversários – acabaram ditando quem conseguia as melhores voltas. Por isso, Lewis só conseguiu duas: em Mônaco e na Áustria.   

Em 2017, o inglês se viu obrigado a exigir um pouco mais do carro para chegar em primeiro. Assim, le fez a volta mais rápida da prova nas quatro vitórias que teve, deixando isso muito bem claro. 

Bottas: adversário ou a ajuda que faltava?
Mercedes

Pontos

2016: 167 – um atrás do líder

2017: 176 – um atrás do líder

Finalmente chegamos ao dado que tem o maior peso: o número de pontos. E Lewis Hamilton está conseguindo um resultado geral um pouco melhor, marcando nove a mais em 2017. Só que, na prática, o cenário é o mesmo: um ponto atrás do líder. Em 2016 era Rosberg, agora é Vettel.

O curioso é que, nos dois campeonatos, o inglês chegou a estar bem atrás do adversário. Após o GP da Espanha de 2016, o quinto do ano, o piloto do carro #6 tinha 100 pontos, com Hamilton 43 atrás – e ocupando a terceira posição no campeonato, também atrás de Räikkönen. Este ano, o maior ponto da diferença foi após Mônaco, a sexta corrida, com o inglês 25 pontos atrás de Vettel.

Tudo recomeça a partir deste GP da Hungria. Ano passado, este momento marcou uma fase de superioridade de Hamilton em relação a Rosberg, vencendo quatro corridas seguidas - e finalmente se colocando 19 pontos à frente de Nico após o GP da Alemanha. Não que tenha adiantado muito, já que o alemão se recuperou na fase final e levou o caneco.

Agora resta a Lewis Hamilton não só se empenhar por um bom desempenho para si, mas também contar com um Valtteri Bottas posicionado entre ele e os carros da Ferrari.

Talvez seja isso que faça a diferença entre duas temporadas tão parecidas...