Quase com mesmas regras, Moto2 tem estreantes e KTM

Assim como nas categorias irmãs, a Moto2 vai para 2017 com um regulamento estável, com a chegada de estreantes e a entrada da KTM no certame como principais novidades

Juliana Tesser, de São Paulo

A última grande mudança no regulamento técnico do Mundial de Motovelocidade foi feita em prol da estabilidade, assim, 2017 começa com um código quase inalterado.

Assim como nas categorias irmãs, a Moto2 também teve as asas aerodinâmicas vetadas — algo que, aliás, entrou em prática ainda no passado — e também terá de fazer uso de sensores de pressão e temperatura dos pneus.

Fora isso, algumas mudanças de âmbito esportivo, como a proibição do uso de motos durante o reconhecimento de pista e a limitação de dez dias de testes para pilotos contratados ao longo do ano.

Sendo assim, o destaque de 2017 fica mesmo por conta da composição do grid, que ganhou uma boa repaginada. Ainda que de forma discreta, a Suter retornar para reduzir ligeiramente a preponderância de motos da Kalex. Enquanto no ano passado a fábrica alemã era responsável por mais de 76% das motos do grid, em 2017 esta média cai para 68,7%.

Depois de quase sumir do mapa do Mundial no ano passado, a Suter volta em 2017 com quatro motos no grid: duas na IntactGP — Sandro Cortese e Marcel Schrotter — e duas com a Kiefer — Danny Kent e Dominique Aegerter.

Em uma série onde os motores são idênticos e hoje produzidos pela Honda, chama mesmo a atenção a entrada da KTM, que optou por ignorar o propulsor de sua arqui-inimiga para aplicar à motovelocidade a mesma fórmula de sucesso que usa no off-road, com uma escada completa para formação de seus pilotos. A fábrica austríaca vai ser defendida por Miguel Oliveira e Brad Binder, campeão da Moto3 no ano passado.

Além das três construtoras já citadas, Tech3 e Speed Up seguem no grid, mantendo a mesma ‘dieta’ do ano passado, com duas motos cada.

Mas a KTM, que corre em parceria com a Ajo, como é na Moto3, não é a única equipe nova na classe do meio do Mundial. Consolidada na divisão de entrada, a VR46 amplia seu alcance e, amparada pela emissora italiana Sky, chega à Moto2 para dar sequência ao projeto de formação dos pupilos de Valentino Rossi.

Álex Márquez deu um grande salto de performance para 2017
(Foto: Marc VDS)

No que diz respeito aos pilotos, são seis novos nomes em relação aos quadros do ano passado, cinco vindos da Moto3 — Andrea Locatelli, Jorge Navarro, Fabio Quartararo, Binder e Francesco Bagnaia — e um estreante no Mundial de Motovelocidade — Axel Bassani, campeão do Europeu de Supersport. Depois de um ano afastado Stefano Manzi, que teve uma brilhante atuação como wild-card no GP da Grã-Bretanha do ano passado, volta como titular da VR46.

Outro rosto novo no grid é o de Yonny Hernández. Titular da Aspar na MotoGP no ano passado, o colombiano foi rebaixado após uma temporada ruim e vai defender a Argiñano & Ginés. Pelo que se viu nos testes coletivos, o #68 não vai fazer nada muito diferente daquilo que fez em 2016.

Em termos de favoritos, a Marc VDS chega bastante bem cotada, após ver Franco Morbildelli e Álex Márquez se revezarem no topo da tabela ao longo dos testes coletivos. O italiano já tem um antigo flerte com o topo do pódio, mas o espanhol deu um considerável salto de qualidade de um ano para outro.

Quem também apareceu bem na fase de testes foi Oliveira. Amparado na indiscutível qualidade da KTM, o português entrou rápido no ritmo e também apareceu entre os ponteiros. 

Jorge Navarro não mostrou dificuldades de adaptação à nova categoria, enquanto os experientes Mattia Pasini e Takaaki Nakagami também se destacaram. Fabio Quartararo é outro que começou bem na Moto2, especialmente após a temporada apagadinha de 2016.

Meio-irmão de Valentino Rossi, Luca Marini mostrou ter dado um salto de performance. De volta ao equipamento Suter, Dominique Aegerter também foi rápido nos testes.

Embora ainda seja a menos animadas das três classes do Mundial de Motovelocidade, a Moto2 reuniu um bom elenco em 2017 e tem tudo para recuperar a velha boa forma.

Atual campeão da Moto3, Brad Binder saltou para a Moto2 em 2017
(Foto: KTM)