Pneus, eletrônica, regulamento... MotoGP apresenta longa lista de mudanças para 2016

A MotoGP começa a temporada com uma longa lista de modificações que vão muito além da chegada da Michelin e do software unificado da Magneti Marelli

Nathalia De Vivo, de São Paulo

A temporada 2016 da MotoGP está prestes a dar seu pontapé inicial, com a etapa inaugural acontecendo no Catar, no dia 20 de março. Porém, diferente do último ano, em que poucas alterações foram notadas no regulamento técnico do certame, desta vez muitas novidades prometem agitar o campeonato e tornar as coisas mais equilibradas.

Algumas dessas grandes novidades já eram aguardadas desde o último ano. Um bom exemplo é a volta da Michelin como fornecedora única de pneus. Anteriormente, a Bridgestone era quem detinha o papel de fabricar os calçados.

A marca francesa, que retorna após um hiato de sete temporadas, trará pneus slicks, intermediários e para pista molhada. Além disso, a quantidade fornecida para cada piloto também aumentará: dez compostos dianteiros e 12 traseiros para piso seco, sete pares para molhado e três pares de intermediários.

Também serão observadas mudanças mais discretas nos pneus Michelin. Isso porque as cores que indicam cada calçado serão menos chamativas se comparadas com sua antecessora Bridgestone. 

O pneu slick duro receberá uma listra amarela, enquanto o médio não terá nenhuma indicação. No caso da borracha macia, será adicionada uma faixa branca, enquanto o intermediário terá a cor cinza. O composto de chuva duro não terá cor alguma e o calçado macio terá o azul como indicativo.

Porém, não é apenas a quantidade dos compostos ou suas cores que sofrerão alterações para 2016. O tamanho também muda ligeiramente, passando de 16,5 polegadas para 17.

Entre as principais alterações que serão vistas no certame neste ano, a de maior destaque é, sem dúvida, a utilização de uma mesma ECU para todas as equipes. O projeto já havia sido aprovado na temporada anterior e vem sendo desenvolvido de forma conjunta especialmente a partir de 1º de julho, quando os programas de fábrica foram congelados e Honda, Yamaha e Ducati passaram a colaborar com a Magneti Marelli para escrever o novo sistema operacional.

O principal objetivo ao padronizar a eletrônica de todas as motos é conter os gastos das equipes, além de nivelar a competição entre elas. No desenvolvimento ao longo do ano, porém, se uma das equipes quiser efetuar qualquer tipo de mudança, terá de ser realizada em conjunto com a fornecedora e com aprovação das demais.

Outra ligeira mudança que será observada na temporada diz respeito a balança, pois o peso mínimo das motos do Mundial passa por nova redução. Após perderem dois quilos em 2015, neste ano enxugarão mais um, passando de 158 para 157 kg.

A ECU - unidade de controle eletrônico - é padrão para todas as equipes na temporada 2016
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Para 2016, a categoria Aberta foi abolida, o que significa que todos os pilotos estão de volta a um único regulamento. Ou melhor, quase todos. As fábricas continuam divididas em dois grupos: aquelas que estão sujeitas ao regulamento padrão e aquelas que não têm bons resultados recentes e que receberão algumas concessões.

Essas permissões, no entanto, são mais restritas do que aquelas do regulamento Aberto e dizem respeito apenas aos testes e ao uso dos motores. Assim, todos os times terão a mesma eletrônica, os mesmos pneus e a mesma quantidade de combustível — 22 litros.

Desta forma, Honda, Yamaha e, desde o ano passado, Ducati, terão de congelar seus motores no início da temporada e cada piloto poderá usar até sete unidades ao longo do ano. Além disso, as três maiores fábricas do certame também terão apenas cinco dias de testes privados com os pilotos titulares, embora possam testar em qualquer circuito.

Os times que contam com algumas concessões, como é o caso de Suzuki e Aprilia — e, a partir de 2017, também da KTM —, podem desenvolver seus propulsores ao longo do ano e terão um limite de nove unidades, contra as sete das construtoras.

Além disso, esses times têm muito mais liberdade para testar, estando limitados apenas ao máximo de 120 pneus por piloto ao ano. Este perímetro, aliás, também vale para Yamaha, Honda e Ducati.

Assim como acontecia com o regulamento Aberto, essas concessões estão atreladas à performance, medida por meio dos chamados ‘pontos de concessão’, distribuídos por pódios. Uma vitória vale três pontos, um segundo lugar dois e um terceiro um. 

A fábrica que atingir seis pontos perde imediatamente o direito de testar ilimitadamente e os demais benefícios são removidos para o ano seguinte.

Depois de voltar à F1, o circuito austríaco da Red Bull passa a integrar o calendário da MotoGP
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O regulamento prevê, ainda, que qualquer uma das fábricas sem o benefício das concessões pode entrar no programa no ano seguinte caso não conquiste pódios ao longo da temporada.

Embora a diferença nas regras seja alvo de algumas críticas, essas concessões foram vitais para levar o Mundial ao ponto atual. No período em que as regras eram iguais para todos, o grid era bastante mais enxuto e as fábricas não tinham interesse. 

O calendário 2016 do Mundial de Motovelocidade também contará com o retorno de uma praça. O GP da Áustria retorna à programação após quase 20 anos. A corrida acontecerá no dia 14 de agosto, no Red Bull Ring, em Spielberg.

As conversas entre Dietrich Mateschitz, e Carmelo Ezpeleta, diretor-executivo da Dorna, empresa que organiza e promove o Mundial de Motovelocidade, começaram ainda em 2014. Após aprovação da FIM (Federação Internacional de Motociclismo), a prova entrou no lugar de Indianápolis no calendário.

A história do campeonato com o circuito austríaco começa no ano de 1971, quando sediou a primeira corrida de moto. No início, todos os eventos eram realizados em Salzburgring até que, em 1996 e 1997, foram passados para o A1-Ring.