Em entressafra, Moto2 busca talentos para voltar a fornecer campeões à MotoGP

A classe intermediária do Mundial de Motovelocidade vive uma situação curiosa: sem exibir o mesmo espetáculo da Moto3, a Moto2 tenta se reafirmar como principal fornecedora de talentos e campeões à categoria-rainha

Evelyn Guimarães, de Curiiba

Enquanto a Moto3 esbanja competitividade, espetáculo em disputas acirradas e revela talentos, a Moto2 atravessa uma fase de entressafra. Mesmo sendo a tradicional ponte para a MotoGP, a categoria intermediária do Mundial de Motovelocidade mais uma vez não conseguiu enviar seu campeão para a classe rainha — aliás, o único nome que saltou para o campeonato principal foi Tito Rabat, vencedor da série do meio em 2014, situação muito diferente de anos passados, quando, Stefan Bradl, Marc Márquez e Pol Espargaró subiram logo depois do título. E o desafio agora é tentar fazer brilhar nomes que se destacaram na categoria caçula no ano passado, além de finalmente ver vingar os que vieram com pompa em 2015. 

Diante desse cenário, o campeão reinante Johann Zarco surge como o principal nome do grid. O francês de 25 anos comandou o campeonato em 2015, apoiado no forte conjunto da Ajo, com quem continua neste ano. Só por isso Zarco já pode ser colocado como favorito ao título novamente, agora ainda mais experiente e com sede de enfim conseguir pular para a série principal.

Logo atrás do gaulês, surge Álex Rins. Embora não tenha oferecido a esperada combatividade no último ano, o espanhol cresceu na segunda metade da temporada, quando venceu e foi presença mais frequente no pódio — o vice em 2015 é uma prova de que Álex é um piloto que não se pode subestimar.

De novo defendendo as cores amarelas da Pons, Rins já deu a entender que vem ainda mais forte. Foi veloz nos testes da pré-temporada, apresentando um ritmo constante. A experiência do segundo ano na Moto2 deve pesar a seu favor e será decisiva para colocá-lo em uma posição sólida para lutar pelo título.

Outro nome importante nesse panorama é o de Sam Lowes. O britânico, campeão do Mundial de Supersport em 2013, também se mostrou competitivo nas atividades em Jerez de la Frontera e em Losail, exibindo velocidade e regularidade. Para a nova temporada, Lowes decidiu trocar a Speed Up pela Gresini. A mudança parece ter sido acertada, dado a performance de Sam nos treinos preparatórios.

2015 foi um campeonato bastante forte também para o inglês, que conseguiu a primeira vitória no Mundial, além de cinco pódios e três poles. Agora, o jovem piloto vai lutar pelo título para tentar subir para a classe rainha como campeão. O gêmeo de Alex já está acertado com a Aprilia para 2017.

Além dos três, a Moto2 também guarda bons pilotos experientes e que podem surpreender. O suíço Thomas Lüthi é um deles. Sempre rápido e combativo, o experiente piloto da Interwetten venceu no ano passado e é um nome que sempre dá trabalho, ainda que falte deslanchar de vez no Mundial. O mesmo vale para o alemão Jonas Folger e para o veloz japonês Takaaki Nakagami, apesar da temporada pouco regular em 2015.

Também se espera muito da dupla da Marc VDS. Campeão da Moto3 em 2014, Álex Márquez acabou decepcionando na estreia na Moto2 no ano passado, apesar da boa estrutura técnica ao ser redor. O irmão caçula de Marc também sofreu com a baixa constância, fechando o ano apenas em 14º. Agora, o espanhol tem nova chance de tentar brigar pela taça, apoiado na maior experiência adquirida.

Álex ainda vai dividir os boxes da equipe belga com o italiano Franco Morbidelli, que apresentou desempenho bastante promissor nos testes coletivos. Franco ganhou a vaga na esquadra depois de Rabat saltou para a MotoGP.

 

Mattia Pasini é um dos nomes conhecidos da categoria do meio
Getty Images, com arte Grande Premiun

A reedição do duelo da Moto3 na mesma garagem


Campeão da primeira classe do Mundial de Motovelocidade em 2015, Danny Kent assombrou na temporada passada, quando venceu seis vezes, foi ao pódio em nove oportunidades e conseguiu quatro poles. Um desempenho assim não poderia ter tirado dele a chance de pular de categoria. E aos 22 anos, o britânico vai retornar, agora de maneira mais forte, à Moto2.

A performance do ano passado ainda o coloca em uma posição de destaque, especialmente porque vai permanecer andando com o conjunto competitivo da Kiefer Kalex. Kent foi razoavelmente bem nos testes coletivos e é possível também  afirmar que deve surpreender os mais experientes do grid.

E Danny não estará sozinho na garagem. Miguel Oliveira também subiu para a Moto2 e vem bem credenciado depois da batalha pelo campeonato da classe caçula no ano passado. O rápido português desembarca para estreia na série do meio como companheiro de equipe de Kent. A promessa é de uma reedição do duelo vivido por ambos no campeonato passado.

 

O irmão do 'Doutor'

 

Outro grande destaque deste início de temporada da Moto2 é a presença de Luca Marini no grid. O meio-irmão de Valentino Rossi acertou contrato com a Forward e terá de lidar com a expectativa óbvia criada pelo parentesco com o multicampeão. O jovem vai dividir os boxes com o italiano Lorenzo Baldassarri.

Luca chega ao Mundial como titular depois de uma participação como wild-card na Moto3 em 2013 e outra na própria Moto2 em San Marino no ano passado. Ainda em 2015, Marini disputou o Campeonato Europeu de Moto2 e, defendendo a Pons, fechou o ano com a quinta colocação na classificação geral.

 

Uma Kalex como esta que Sandro Cortese usa será a moto predominante em 2016
Intact GP

A moto

 

A Kalex vai continuar reinando na Moto2. Ao todo, a fabricante terá 26 motos no grid e deve novamente protagonizar as principais disputas ao longo da temporada. Os testes da pré-temporada mostraram que o conjunto é forte e deve novamente comandar as ações, muito à frente das rivais. Durante as atividades, os pilotos também tiveram a chance de avaliar o novo tanque de combustível, um novo radiador e a versão revisada do chassi.

A Speed Up terá três motocicletas, com Simone Corsi à frente do time de fábrica. A Tech 3 terá dois estreantes em cima de suas motos: Xavi Vierge e Isaac Vinãles. A Suter, por sua vez, será representada apenas pelo novato Efrén Vázquez, após decidir se retirar do Mundial por considerar que tinha pilotos competitivos o bastante montados em suas máquinas.