Categoria-show, Moto3 escala novos protagonistas e promete repetir duelo entre KTM e Honda

Garantia de boa corrida a cada etapa, a Moto3 perdeu alguns de seus protagonistas para a Moto2, mas vê em 2016 a chegada de novos — e talentosos — astros

Juliana Tesser, de São Paulo

A Moto3 pode até não ter tantas novidades quanto a MotoGP em 2016, mas vai ter uma temporada repleta de caras novas. Categoria de entrada do Mundial de Motovelocidade, a divisão das motos 250cc segue cumprindo de forma exemplar a missão de fornecer ‘mão de obra’ para as séries maiores e, por isso mesmo, está em constante renovação.

Campeão de 2015, Danny Kent partiu para a Moto2 acompanhando por Miguel Oliveira, Éfren Vázquez, Alessandro Tonucci e Isaac Viñales, mas a saída desses pilotos abriu caminho para a chegada de outros tantos igualmente talentosos.

Campeão do Mundial Júnior de Moto3 no ano passado, Nicolò Bulega foi contratado pela VR46 para formar um trio com Romano Fenati e Andrea Migno. Além do título, o #8 também é integrante da Academia de Pilotos de Valentino Rossi, assim como seus novos companheiros de equipe e alguns outros jovens italianos.

Terceiro colocado na classificação final da categoria que passou por Portimão, Le Mans, Catalunha, Aragão, Albacete, Navarra, Jerez de la Frontera e Valência, Arón Canet também foi promovido. O espanhol assumiu a vaga de Fabio Quartararo na Estrella Galicia 0,0 após o francês decidir trocar o time comandado por Emilio Alzamora pela Kiefer.

O Mundial Júnior também foi o ponto de partida para Joan Mir, Khairul Idham Pawi, Bo Bendsneyder, Stefano Valtulini, Martin Vanhaeren e Adam Norrodin, os outros estreantes de 2016.

Na contramão de toda a animação pelos recém-chegados, a LaGlisse, campeã com Maverick Viñales 2013, anunciou às vésperas do início do Mundial sua retirada da Moto3 por conta de dificuldades financeiras, mas a situação foi parcialmente revertida pouco depois. 

A Dorna, promotora do certame, e a KTM saíram no resgate de María Herrera, a única mulher no Mundial, e, junto com a família da espanhola — que se desfez de uma propriedade — garantiram a permanência da LaGlisse, ainda que com uma moto a menos — a de Lorenzo Della Porta

Mundial heterogêneo 

 

Vice-campeã na disputa entre os Construtores em 2015, a KTM segue como maioria do grid. São 12 RC250GP contra 11 Honda, oito Mahindra e duas Peugeot. A presença da marca do leão é, mais ou menos, na mesma configuração do que foi feito com a Husqvarna no ano passado, com uma moto ‘disfarçada’. 

Em 2014, o Grupo Mahindra comprou uma fatia de 51% das ações da Peugeot Motorcycles e agora decidiu colocar a marca da família do Peugeot na vitrine do Mundial. A moto que será guiada por Alexis Masbou e John McPhee nada mais é do que uma MPG3O.

A Peugeot é a fábrica de motos mais antiga do mundo, tendo fabricado seu primeiro veículo a motor sob duas rodas em 1898. A marca também tem bons registros na história das competições, inclusive vencendo a tradicional prova de Bol d’Oro nos anos 50.

A KTM vem aí para formar a esquadra mais forte do campeonato
Getty Images, com arte Grande Premium

Um Mundial sem favoritos claros

 

Com tantas caras novas, é difícil apontar favoritos, mas a esquadra italiana vem bastante forte em 2016. Os pilotos da VR46 se destacaram na pré-temporada, especialmente Bulega e Fenati, assim como Niccolò Antonelli, que também é treinado pelo multicampeão da MotoGP. 

Jorge Navarro é outro que aparece forte, assim como Livio Loi, que foi muito bem no teste do Catar. Amparado pela Red Bull KTM Ajo, Brad Binder tem uma boa estrutura de apoio e fez em um bom Mundial em 2015.

Ao contrário do que se podia esperar, Enea Bastianini não foi assim tão bem nos testes. O italiano, que chegou a brigar pelo título no ano passado, foi apenas discreto nos exercícios de Jerez de la Frontera e do Catar.

Enea, aliás, ficou com a Gresini meio que a contra gosto. O piloto foi procurado pela Estrella Galicia 0,0 para assumir a vaga de Quartararo, mas a escuderia de Faenza fez valer o contrato vigente, inclusive contando com o apoio da IRTA (Associação Internacional das Equipes de Corrida).

Um dos pilotos mais jovens do grid, Quartararo chegou ao Mundial em 2015 cercado de expectativas. O bicampeão do CEV, entretanto, fraturou a perna e acabou perdendo algumas corridas ao longo do ano. Assim, o jovem francês entra na lista de favoritos, agora montado em uma máquina da KTM.

A Mahindra, embora não seja uma moto das piores, ainda não tem condições de fazer frente às KTM e Honda, o que indica que o duelo do ano passado deve mesmo se repetir.

Aliás, dias atrás a fábrica austríaca acusou a rival de quebrar o regulamento da Moto3 e exceder o limite de giros dos motores. O diretor-técnico do Mundial isentou a Honda, embora tenha admitido pequenos lapsos ‘momentâneos e temporários’. O assunto será debatido no fim de semana do GP do Catar, já que os dirigentes querem encontrar um caminho para regulamentar essas infrações consideradas ‘inevitáveis’.

Niccolò Antonelli pinta como um dos favoritos da temporada
Getty Images, com arte Grande Premium