Guia FE 2017/18: Equipes e pilotos

Às vésperas do início da quarta temporada da FE, o GRANDE PREMIUM apresenta todas as equipes e pilotos que vão estar no grid a partir deste fim de semana em Hong Kong

Gabriel Curty, de São Paulo &
Vitor Fazio, de Porto Alegre

RENAULT

Melhor resultado: campeã (2014/15, 2015/16, 2016/17)
Vitórias: 15
Poles: 11
Pódios: 22

Pelo quarto ano seguido, a Renault é a equipe a ser batida na Fórmula E. Sébastien Buemi pode ter perdido o título de pilotos, mas os três campeonatos de equipes consecutivos falam por si. Em uma temporada de mudanças mínimas no regulamento, não dá para esperar outra coisa além de uma série de canecos. Não surpreende, portanto, que Buemi tenha liderado duas das seis atividades de pré-temporada em Valência.

Para manter a hegemonia, a Renault tem dois trunfos. Um é o óbvio suporte gigantesco de uma marca que desvendou o automobilismo elétrico como ninguém, outro é a permanência de pilotos que cumprem seus respectivos papéis – Buemi tende a vencer quando a chance aparece, enquanto Nico Prost tem na regularidade um ponto forte, apesar de não trazer resultados tão atraentes quanto o companheiro.

Será que alguém consegue fazer um carro melhor que o da Renault?
FE

NICO PROST #8

18 de agosto de 1981 (36 anos), Saint-Chamond, França
33 ePs
3 vitórias
3 poles
5 pódios
Na última temporada: sexto (93 pontos)
Melhor resultado na FE: terceiro (2015/16)
Na carreira: Quarto na temporada 2012 do WEC
Terceiro na temporada 2017 do WEC na LMP2
Terceiro colocado na F3 Espanha em 2007

Não é fácil tentar defender Nicolas Prost. O experiente piloto é muito regular, mas isso não chega a ser exatamente bom quando se está na melhor equipe do grid. Com Buemi o tempo todo brigando por vitórias, Prost fica ali naquela zona entre o quarto e o oitavo lugar. Muito pouco.

Absolutamente nada indica que a quarta temporada será diferente para o filho da lenda Alain. A Renault deve, sim, seguir como principal força do grid, mas Nico não deve ir além de, por exemplo, um top-5 na classificação final.

SÉBASTIEN BUEMI #9

31 de outubro de 1988 (29 anos), Aigle, Suíça
31 ePs
12 vitórias
8 poles
17 pódios
Na última temporada: vice-campeão (157 pontos)
Melhor resultado na FE: campeão (2015/16)
Na carreira: 15º na temporada 2011 da F1 
Campeão da temporada 2014 do Mundial de Endurance
Vice-campeão da F3 Europeia em 2007

Sébastien Buemi não é só um dos melhores pilotos do grid da Fórmula E, mas também do mundo. O suíço caberia tranquilamente no grupo dos pilotos da F1, inclusive. Na disputa dos carros elétricos, segue no pelotão dos favoritos ao título, contando também com um ótimo equipamento.

O desafio do piloto helvético vai ser esquecer o que aconteceu na terceira temporada, quando chegou à corrida final com uma mão na taça e acabou derrotado por Lucas Di Grassi. No mais, é recordista de poles e vitórias na história da FE, perdendo por apenas um pódio para Di Grassi.

AUDI

Melhor resultado: vice-campeã (2015/16, 2016/17)
Vitórias: 6
Poles: 4
Pódios: 24

O título de Lucas Di Grassi pode camuflar, mas a verdade é que a Audi ainda está devendo na briga direta com a Renault. Nas duas últimas temporadas, quando o desenvolvimento do trem de força passou a ser permitido, os franceses ficaram em clara vantagem sobre os alemães. Se pouca coisa vai mudar no regulamento de 2017/18, o que a Audi pode fazer?

Revolucionar. A marca anunciou que, mesmo com um regulamento praticamente idêntico, está desenvolvendo um trem de força “completamente novo”. Isso é permitido pelo maior envolvimento da montadora alemã, que toma conta de uma escuderia que tinha muito mais a ver com a equipe ABT. Com o ‘know-how’ e o dinheiro, só dá para esperar evolução.

Assim como a Renault, a Audi aposta nos mesmos pilotos. Pela quarta vez seguida, Di Grassi e Daniel Abt comandam os carros. E a relação é a mesma dos franceses – um vai em busca de vitórias e títulos, outro dá aquela força no campeonato de equipes.

A Audi abre o ano como campeã com Lucas Di Grassi
FE

LUCAS DI GRASSI #1

11 de agosto de 1984 (33 anos), São Paulo, Brasil
33 ePs
6 vitórias
3 poles
18 pódios
Na última temporada: campeão (181 pontos)
Melhor resultado na FE: campeão em 2016/17
Na carreira: 24º na temporada 2010 da F1
Vice-campeão na temporada 2016 do Mundial de Endurance
Vice-campeão da temporada 2007 da GP2

A regularidade continua sendo o ponto mais alto de Lucas Di Grassi na Fórmula E. Muito cerebral, o brasileiro tem total consciência dos resultados que pode obter em cada uma das etapas. Na terceira temporada, com um carro que não era o melhor e, talvez, não fosse nem o segundo, Lucas conseguiu seu primeiro grande título.

Considerando que dificilmente a diferença no equipamento para os rivais diretos estará maior nesta temporada, Lucas é um dos favoritos óbvios ao título. Fica também a expectativa para o paulista manter a média absurda de mais de um pódio a cada duas corridas da história da categoria.

DANIEL ABT #66

3 de dezembro de 1992 (24 anos), Kempten, Alemanha
33 ePs
1 pole
4 pódios
Na última temporada: oitavo (67 pontos)
Melhor resultado na FE: sétimo na temporada 2015/16
Na carreira: Vice-campeão da GP3 em 2012
Sétimo na temporada 2011 da F3 Europeia
16º na temporada 2014 da GP2

Sim, a Audi caiu um pouco, é verdade, mas Daniel Abt precisa mostrar muito mais para justificar sua presença no grid da FE. Um dos mais jovens da categoria, Abt ainda não deu grandes mostras de seu potencial e é o total inverso de Lucas no que diz respeito aos limites do carro.

O grande objetivo de Abt precisa ser mostrar que pode ir além do sétimo lugar de 2015/16 e, quem sabe, conquistar sua primeira vitória na categoria.

 

MAHINDRA

Melhor resultado: 3º lugar (2016/17)
Vitórias: 1
Poles: 3
Pódios: 12

Em franca evolução, a Mahindra já não é aquele patinho feio do meio do pelotão. De forma até surpreendente, os indianos tiveram um salto de desempenho entre 2015/16 e 2016/17, virando o ‘melhor do resto’ em um campeonato protagonizado por Renault e Audi.

E se os testes de pré-temporada servem de indicativo, a expectativa é de que isso não mude em 2017/18. A Mahindra não liderou nenhuma atividade, mas virou presença frequente no top-5. Ao contrário da Audi, os indianos não precisam de magia ou revolução para cumprir seus objetivos.

A dupla de pilotos é formada por dois bons nomes, mas que aparecem em fases muito diferentes de suas carreiras. Felix Rosenqvist, campeão da F3 Europeia em 2015, chegou para ser a estrela: é rápido e traz resultados, como a vitória no eP de Berlim. Nick Heidfeld, por sua vez, também é veloz – mas já não parece ter o brilho de outrora.

A Mahindra tem condições de seguir surpreendendo?
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FELIX ROSENQVIST #19

7 de novembro de 1991 (26 anos), Värnamo, Suécia
12 ePs
1 vitória
3 poles
5 pódios
Na última temporada: Terceiro (127 pontos)
Melhor resultado na FE: Terceiro em 2016/17
Na carreira: Campeão da F3 Europeia em 2015
Vencedor do GP de Macau em 2014 e 2015
Terceiro na temporada 2017 da Super Formula

Olha, está aí outro forte candidato ao título da quarta temporada da FE. A evolução de Felix Rosenqvist como piloto é qualquer coisa de assustadora. De um coadjuvante na F3 Europeia de Max Verstappen, Esteban Ocon, Tom Blomqvist e Lucas Auer para um dos 20, 30 melhores pilotos do mundo.

Quando finalmente virou protagonista e venceu a F3 Europeia, o sueco deslanchou, vencendo Macau pela segunda vez, indo bem na Super Formula, na Indy Lights e brilhando em seu ano de estreia na Fórmula E com a Mahindra. Deve vencer mais vezes em 2017/18.

NICK HEIDFELD #23

10 de maio de 1977 (40 anos), Mönchengladbach, Alemanha
32 ePs
7 pódios
Na última temporada: Sétimo (88 pontos)
Melhor resultado na FE: Sétimo em 2016/17
Na carreira: Quinto colocado na temporada 2007 da F1
Campeão da F3000 em 1999
Campeão da F3 Alemã em 1997

Nick Heidfeld sempre é lembrado por ser um piloto que não vence corridas, mas só falar do alemão desta forma é uma grande injustiça. Heidfeld é um ótimo piloto, anda bem em basicamente todas as categorias que tenta e teve uma belíssima carreira na F1.

Um dos veteranos do grid, Nick é peça chave na evolução da Mahindra e, por mais que não tenha tido tanto destaque quanto Rosenqvist, fez, sim, uma boa temporada 2016/17. Para o quarto campeonato, a expectativa deve ser de quebrar o jejum de vitórias e seguir frequentando o pódio.

 

DS VIRGIN

Melhor resultado: 3º lugar (2015/16)
Vitórias: 5
Poles: 5
Pódios: 13

Uma vez mais, a Virgin chega precisando comprovar seu potencial. Apesar de ter cinco vitórias e ser certamente uma das principais escuderias, parece faltar algo a mais. E, pelo que pôde ser visto até aqui, a expectativa é de que isso ainda seja verdade em 2017/18.

Isso porque a equipe, que até chegou a liderar a primeira sessão da pré-temporada com Sam Bird, não conseguiu mostrar tanta consistência. A velocidade certamente existe, mas parece difícil acreditar que o conjunto vai render uma briga por título.

Na dupla de pilotos, um velho conhecido e um novo contratado. Bird vai para a quarta temporada com a Virgin, mas agora com Alex Lynn ao seu lado. Um é veloz, mas inconsistente. O outro é uma incógnita, mas tem potencial: Lynn chocou ao fazer a pole no primeiro eP de Nova York, quando substituiu José María López.

A Virgin busca crescer na FE
Reprodução

SAM BIRD #2

9 de janeiro de 1987 (30 anos), Roehampton, Inglaterra
33 ePs
5 vitórias
4 poles
9 pódios
Na última temporada: Quarto (122 pontos)
Melhor resultado na FE: Quarto em 2015/16 e 2016/17
Na carreira: Campeão do WEC na LMP2 em 2015
Vice-campeão da GP2 em 2013
Terceiro colocado na World Series em 2012

Sam Bird é um cara bem subestimado. Dono de uma carreira de respeito e de bons resultados em praticamente todas as categorias pelas quais passou, o inglês já está consolidado na FE e é sempre um nome forte quando falamos de candidatos ao título.

Está certo que Bird ainda não chegou a brigar efetivamente pela taça da categoria dos carros elétricos, mas a DS Virgin tem evoluído e o inglês já mostrou que, quando tem o melhor bólido do final de semana, costuma capitalizar.

ALEX LYNN #36

17 de fevereiro de 1993 (24 anos), Goodmayes, Inglaterra
2 ePs
1 pole
Na última temporada: 23º (3 pontos)
Melhor resultado na FE: 23º em 2016/17
Na carreira: Campeão da GP3 em 2014
Terceiro colocado na F3 Europeia em 2013
Sexto colocado na GP2 em 2015 e 2016

Alex Lynn é um piloto extremamente promissor. Britânico, esteve bem perto da F1, mas não conseguiu dar o passo depois da GP2 e parece ter mudado o foco de sua carreira. Com um bom carro, tem tudo para estar frequentemente no pódio da FE na quarta temporada.

Um problema que poderia atrapalhar Lynn é a falta de experiência do inglês com carros elétricos, mas o que dizer de alguém que simplesmente fez sua estreia cravando a pole? É bom ficar de olho em Alex, deve dar bastante trabalho.

 

 

TECHEETAH RENAULT

Melhor resultado: 5º lugar (2016/17)
Vitórias: 1
Poles: 0
Pódios: 7

Ninguém parecia muito empolgado com a Techeetah no começo da temporada passada. Com origem obscura e sem os recursos das rivais, parecia forte candidata ao fim do pelotão. E estávamos errados – a equipe até venceu corrida com Jean-Éric Vergne. E pode voltar a surpreender em 2017/18.

Isso porque a equipe continua com o melhor trem de força do grid – o da Renault –, o que permite apostar na mesma receita de 2016/17. É bem verdade, todavia, que os resultados da pré-temporada não foram muito empolgantes: foi só no terceiro e último dia de atividades que Vergne apareceu entre os cinco melhores na tabela de tempos. Talvez a vida de equipe cliente seja mais dura dessa vez.

Em termos de pilotos, a Techeetah traz uma dupla muito forte. Além do já citado Vergne, a equipe também conta com André Lotterer. O alemão ainda é apenas um estreante no campeonato elétrico, mas certamente é melhor do que Ma Qing-Hua ou Esteban Gutiérrez.

A Techeetah agora conta com dois belos pilotos
FE

ANDRÉ LOTTERER #18

19 de novembro de 1981 (36 anos), Duisburg, Alemanha
Estreante
Na carreira: Campeão da temporada 2012 do WEC
Campeão da temporada 2011 da Super Formula 
Vencedor das 24 Horas de Le Mans em 2011, 2012 e 2014

André Lotterer é mais um dos grandes reforços que a Fórmula E terá em 2017/18. Veterano, o alemão é um dos pilotos mais completos do mundo, com sucesso em protótipos, monopostos e o que mais aparecer. Tem tudo para brigar na ponta se tiver carro para isso.

O alemão vai ter nas mãos o bólido da Techeetah, equipe mais nova do grid, mas que já impressionou pela performance na temporada 2016/17. Faltava confiabilidade, algo que o time melhorou na parte final do campeonato, com Vergne buscando ótimos resultados.

JEAN-ÉRIC VERGNE #25

25 de abril de 1990 (27 anos), Pontoise, França
31 ePs
1 vitória
4 poles
9 pódios
Na última temporada: Quinto (117 pontos)
Melhor resultado na FE: Quinto em 2016/17
Na carreira: 13º na temporada 2014 da F1
Vice-campeão da World Series em 2011
Décimo na temporada 2017 do WEC na classe LMP2

Impressiona o quão rápido e agressivo é Jean-Éric Vergne. Aliás, a agressividade às vezes também joga contra o francês. Quando está em seu dia, quando consegue dosar a agressividade e a paciência, Vergne é praticamente imparável. E carro ele tem para sempre estar disputando na frente.

Não parece ser exagero algum colocar JEV no grupo dos favoritos ao título da quarta temporada da FE, até porque ainda não existe nenhum bicampeão da categoria e Di Grassi e Buemi novamente surgem como os pilotos a serem batidos. Dá para Vergne incomodar bastante.

 

NIO

Melhor resultado: 4º lugar (2014/15)
Vitórias: 2
Poles: 1
Pódios: 5

A equipe que mais troca de nome na face da terra começa 2017/18 em um claro processo de evolução. Depois de afundar em 2015/16 com um dos piores trens de força, a equipe voltou a pontuar com frequência em 2016/17. E, talvez até de forma surpreendente, a evolução parece capaz de colocar a NIO na parte de cima das tabelas.

Oliver Turvey colocou a NIO na liderança de duas das seis sessões de pré-temporada. É um rendimento surpreendente para uma equipe que sequer foi ao pódio em 2016/17. Com um bom piloto e um carro veloz, o futuro parece promissor. Talvez estejamos de olho na surpresa deste campeonato.

Turvey renovou com a NIO e parte para uma quarta temporada com a escuderia. A dupla fica completa com o questionável Luca Filippi, substituto de Nelsinho Piquet.

A NIO busca um novo ano de evolução
FE

OLIVER TURVEY #16

1º de abril de 1987 (30 anos), Penrith, Inglaterra
24 ePs
Na última temporada: 12º (26 pontos)
Melhor resultado na FE: 12º em 2016/17
Na carreira: Vencedor das 24 Horas de Le Mans de 2014 – classe LMP2
Sexto colocado na temporada 2010 da GP2 
Quarto colocado na temporada 2009 da World Series 

Oliver Turvey já teve alguns bons momentos na FE, mas a verdade é que o britânico, em momento algum, teve um carro competitivo com a China/NextEV, agora NIO. Por isso, seu 12º lugar geral na terceira temporada, que parece de fora modesto, tem lá o seu valor.

Turvey dificilmente entrará no bolo dos favoritos de alguém ainda que sua equipe melhore, mas é bom ficar de olho nele, já que aparições na fase final da classificação e idas ao top-5 podem ser constantes.

LUCA FILIPPI #68

9 de agosto de 1985 (32 anos), Savigliano, Itália
Estreante
Na carreira: Vice-campeão da temporada 2011 da GP2
21º na temporada 2015 da Indy
Campeão da F3000 Italiana em 2005

Após não chegar à F1 e perambular por aí até fracassar na Indy, Luca Filippi vai tentar a sorte na FE. O italiano, que prometia bastante em seus tempos de GP2, tenta voltar a ter destaque, mas vai precisar se adaptar bem aos carros, às pistas e de uma melhora de sua equipe em relação aos últimos campeonatos.

Filippi talvez seja o nome mais esquisito dos novos pilotos da FE, mas quem sabe o italiano não volte aos bons momentos de 2011? Vale observar.

 

ANDRETTI

Melhor resultado: 6º lugar (2014/15)
Vitórias: 0
Poles: 2
Pódios: 4

A Andretti ainda não fez jus ao nome grandioso na Fórmula E. Depois de andar relativamente bem na primeira temporada, a equipe foi ladeira abaixo na segunda e na terceira, consequência direta de problemas com um trem de força que aparenta ser um dos mais problemáticos. Em 2017/18, é difícil acreditar em mudança no panorama.

A Andretti não conseguiu ir além do nono melhor tempo em nenhuma atividade de pré-temporada – e olha que isso foi o ponto fora da curva: a tendência era figurar por volta do 15º lugar. Como criar expectativas desse jeito?

A dupla de pilotos segue com António Félix da Costa, em sua segunda temporada com a Andretti, e o estreante Kamui Kobayashi. O português é bom piloto, mas ficou devendo em 2016/17, principalmente na comparação com o então companheiro Robin Frijns. O japonês é uma incógnita, mas é garantia de diversão para quem vê de casa.

Quando que a Andretti vai decolar na FE?
FE

KAMUI KOBAYASHI #27

13 de setembro de 1986 (31 anos), Amagasaki, Japão 
Estreante
Na carreira: 12º nas temporadas 2010, 2011 e 2012 da F1
Terceiro na temporada 2016 do WEC
Quarto na temporada 2007 da F3 Europeia

Rapaz, mas não é que o Kamui Kobayashi reapareceu em monopostos? O japonês sensação da F1 de alguns anos atrás fechou com a Andretti e vai tentar impressionar na FE. Sua missão não deve ser fácil, especialmente pelas limitações da equipe.

E tem também a parte natural de adaptação às pistas mais estreitas, aos carros mais lentos... Enfim, competitivamente deve ser um ano duro para Kobayashi, mas a categoria ganha muito com o nipônico, bastante querido pelo público.

ANTÓNIO FÉLIX DA COSTA #28

31 de agosto de 1991 (26 anos), Lisboa, Portugal
29 ePs
1 vitória
1 pódio
Na última temporada: 20º (10 pontos)
Melhor resultado na FE: Oitavo em 2014/15
Na carreira: Terceiro na temporada 2013 da World Series
Terceiro na temporada 2012 da GP3
11º na temporada 2015 do DTM

Qualidade não falta para António Félix da Costa. O português está naquele grupo dos pilotos que guiam bem qualquer coisa que apareça. No entanto, depois de um primeiro ano excelente na FE em que terminou em oitavo mesmo de fora de três etapas, o gajo vem sofrendo com a falta de performance da Andretti.

Em participação no Paddock GP, programa de debates do GRANDE PRÊMIO, o português admitiu que não espera um ano muito mais tranquilo que o que se passou, mas que a FE segue sendo sua principal ocupação para 2018.

 

DRAGON PENSKE

Melhor resultado: 3º lugar (2015/16)
Vitórias: 2
Poles: 2
Pódios: 8

Analisar a Dragon é um exercício quase esquizofrênico. Isso porque a pré-temporada inteira estava sendo muito decepcionante, com os pilotos da equipe sempre figurando perto da lanterninha. Isso até a última atividade do último dia, quando Jérôme D’Ambrosio brotou na liderança, superando Lucas Di Grassi e a Audi.

Por mais incrível que seja liderar um teste, a Dragon parece muito mais destinada a ter dificuldades do que a brigar por pódios ou vitórias. A equipe teve grandes dificuldades com o trem de força da Penske em 2016/17, fechando a temporada em oitavo. Apesar do esforço, é difícil acreditar em uma grande superação.

O bom – mas não espetacular – D’Ambrosio renovou o contrato e vai ter seu quarto ano com a Dragon. Ao seu lado, um piloto que talvez seja subestimado – o estreante Neel Jani, dono de resultados bastante dignos no endurance com a Porsche.

Dragon: mais pessimismo do que otimismo
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NEEL JANI #6

8 de dezembro de 1983 (33 anos), Rorschach, Suíça 
Estreante
Na carreira: Campeão do WEC em 2016
Vencedor das 24 Horas de Le Mans de 2016
Sétimo na GP2 em 2005

Neel Jani é uma das novidades do grid da FE em sua quarta temporada. E o suíço já chega com o status de um dos melhores pilotos do campeonato, com título mundial de endurance no currículo e uma série de anos em alto nível com a Porsche.

Jani teve uma boa carreira no automobilismo de base e chegou a ser piloto de testes da Toro Rosso na época em que a F1 sempre colocava o terceiro piloto de cada time nas sextas-feiras. Mesmo assim, bateu na trave e acabou não subindo para a F1, reconstruindo – com muito sucesso – sua vida no WEC. Deve chegar para brigar em alto nível na nova categoria.

JÉRÔME D’AMBROSIO #7

27 de dezembro de 1985 (31 anos), Etterbeek, Bélgica
33 ePs
2 vitórias
2 poles
6 pódios
Na última temporada: 18º (13 pontos)
Melhor resultado na FE: Quarto em 2014/15
Na carreira: 23º na temporada 2012 da F1
Nono na temporada 2009 da GP2
36º na temporada 2006 da World Series

Jérôme D’Ambrosio não era um piloto dos mais gabaritados até chegar ao grid da FE. Depois de uma carreira discreta na base e uma passagem apagada por equipe nanica na F1, o belga se encontrou no campeonato dos carros elétricos.

Acontece que a Dragon vem de uma temporada muito fraca e, se quiser fazer algo com D’Ambrosio, precisa evoluir urgentemente. O lado positivo disso para o belga foi ver que a equipe o escolheu quando poderia ter mantido Loïc Duval.

VENTURI

Melhor resultado: 6º lugar (2015/16)
Vitórias: 0
Poles: 1
Pódios: 2

A Venturi dá pinta de ser a principal candidata ao posto de lanterninha da FE em 2017/18. Com desempenho simplesmente pífio na pré-temporada e sem nenhuma grande carta na manga, a expectativa é de que os resultados sejam os mesmos de 2016/17, quando foi nona no campeonato – isso em um cenário relativamente otimista.

A dupla de pilotos é proveniente do DTM. Maro Engel fez a transição para a FE ainda em 2016/17, conseguindo resultados decentes – mas abandonando demais. Ao seu lado, um verdadeiro estreante: Edoardo Mortara, que levou a melhor no ‘vestibular’ promovido pela equipe ao longo da pré-temporada.

A Venturi chega forte. Para ser lanterninha
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EDOARDO MORTARA #4

12 de janeiro de 1987 (30 anos), Genebra, Suíça 
Estreante
Na carreira: Vice-campeão do DTM em 2016
Campeão da F3 Europeia em 2010
Campeão do GP de Macau em GT em 2011, 2012, 2013 e 2017

Edoardo Mortara é um dos estreantes da temporada 2017/18 da Fórmula E e um dos representantes do movimento de pilotos do WEC e do DTM para a categoria dos carros elétricos. Com boa carreira, o italiano teve alguns anos muito positivos no campeonato de turismo alemão.

A grande questão para Mortara será ver como vai acontecer a readaptação do italiano aos monopostos. O talento existe, prova disso é o título da F3 Europeia em 2010, mas desde lá o foco de Edoardo está no turismo e no GT, com destaque para nada menos que quatro vitórias em Macau e o vice do DTM em 2016.

MARO ENGEL #5

27 de agosto de 1985 (32 anos), Munique, Alemanha
11 ePs
Na última temporada: 17º (16 pontos)
Melhor resultado na FE: 17º em 2016/17
Na carreira: Vice-campeão da temporada 2007 da F3 Britânica
12º na temporada 2009 do DTM
28º na temporada 2013 do V8 Supercars

Na temporada passada, uma das perguntas mais recorrentes foi: “Quem é Maro Engel?”. Não que hoje o alemão seja o piloto mais conhecido do mundo, mas mostrou certa qualidade em seu primeiro ano de FE e seguirá no grid para mais um ano.

É bom deixar claro também que a Venturi não chega a ser uma potência do grid da FE, então Maro deve seguir sofrendo mais um pouco para beliscar alguns pontinhos pela esquadra monegasca. Com um parceiro novato, precisa andar bem desde a abertura do campeonato.

JAGUAR

Melhor resultado: 10º lugar (2016/17)
Vitórias: 0
Poles: 0
Pódios: 0

Passado um 2016/17 de dificuldades óbvias para uma equipe que parte do zero, 2017/18 parece promissor. A montadora britânica está focada na FE e parece capaz de transformar investimento em resultados. Pelo menos é isso que indica a pré-temporada, quando a Jaguar colocou seus pilotos no top-10 da tabela de tempos sem grandes dificuldades. Parece cedo demais para falar em briga por pódio em condições normais, mas a evolução é nítida.

A dupla de pilotos também é forte. O bom Mitch Evans, responsável pelos melhores resultados da Jaguar em 2016/17, teve o contrato renovado. O decepcionante Adam Carroll, por sua vez, foi trocado por um piloto de grife: Nelsinho Piquet, primeiro campeão da FE, chega para intensificar o crescimento da Jaguar.

2017/18 chega com promessa de evolução para a Jaguar
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NELSINHO PIQUET #3

25 de julho de 1985 (32 anos), Heidelberg, Alemanha – naturalizado brasileiro
33 ePs
2 vitórias
5 pódios
Na última temporada: 11º (33 pontos)
Melhor resultado na FE: Campeão em 2014/15
Na carreira: 12º na temporada 2008 da F1
Vice-campeão da GP2 em 2006
Sétimo colocado na Truck Series da Nascar em 2012

Nelsinho Piquet certamente está entre os pilotos mais capacitados do grid da FE. Campeão na primeira temporada da história da categoria, o brasileiro sofreu nos últimos dois campeonatos com o desenvolvimento todo errado de sua equipe, a então China Racing.

Agora, Piquet tenta a sorte com a Jaguar, mas novamente se encontra no papel de incógnita. Com o bom, mas ainda jovem Mitch Evans ao seu lado, é especialmente do brasileiro a missão de puxar a Jaguar para o primeiro patamar de times da FE.

MITCH EVANS #20

24 de junho de 1994 (23 anos), Auckland, Nova Zelândia
12 ePs
Na última temporada: 14º (22 pontos)
Melhor resultado na FE: 14º em 2016/17
Na carreira: Campeão da GP3 em 2012
Quarto colocado na GP2 em 2014
Campeão da Toyota Racing Series em 2010 e 2011

Tudo bem que a temporada de estreia de Mitch Evans na FE não foi uma maravilha, mas o neozelandês está bem longe de ter sido o principal culpado por isso. Em um carro bem limitado, Evans chegou a andar na zona de pontos praticamente em todas as etapas, mas pecou um pouco na hora de aproveitar as chances que apareciam.

Com campanhas muito boas na GP3 – onde foi campeão – e na GP2, Mitch foi por um bom tempo um real candidato à F1, mas acabou mudando seus rumos na carreira. Hoje, parece ter bala na agulha para ficar mais uns bons anos com destaque na Fórmula E.