Temporada abre com geração de veteranos em fim de contrato e aposentadoria mais próxima

Da geração mais antiga hoje no grid da F1, apenas Fernando Alonso garante que vai continuar na categoria em 2017. Por outro lado, Jenson Button, Kimi Räikkönen e Felipe Massa podem entrar em seu ano derradeiro na categoria

Fernando Silva, de São Pauo

Dos 22 pilotos do grid do Mundial de F1 para a temporada 2016, é possível separar quatro deles numa geração à parte: Fernando Alonso, Jenson Button, Felipe Massa e Kimi Räikkönen iniciaram suas carreiras na categoria no começo dos anos 2000 e, consequentemente, são os mais experientes do certame na atualidade.

Dos quatro, apenas Alonso tem contrato até 2017 e, em que pese os rumores aqui e ali sobre sua aposentadoria caso não tenha de fato um carro à altura da sua competência, o bicampeão garante que vai cumprir seu compromisso com a McLaren. Mas Button, Massa e Räikkönen só têm vínculo firmado até o fim deste ano, o que torna a permanência do trio em 2017 uma grande incógnita.

Jenson Button quase esteve fora da F1. Continuou, mas não deve seguir andando na rabeira por muito tempo
Getty Images, com arte Grande Premium

Dos três supracitados, Button foi quem mais ficou perto de deixar a F1 no fim do ano passado. Assim como Alonso, o britânico, campeão mundial em 2009 pela Brawn, mostrou rara impaciência com a falta de competitividade do pacote oferecido pela McLaren-Honda e, acostumado a andar no pelotão da frente, se viu numa situação atípica na carreira, correndo no fundo do grid.

O contrato de Button com a McLaren valia até o fim de 2015 e, por conta deste termo e também da falta de desempenho do MP4-30 empurrado por motor Honda, o piloto considerou mesmo deixar o grid. Mas a equipe de Woking precisava da sua experiência para empreender uma temporada melhor e mais produtiva em 2016. Mesmo com uma ligeira redução nos seus salários, Button "disse ao povo que fico" e garantiu: "Tenho negócios inacabados na F1."

Embora cogite disputar o Mundial de Endurance no futuro, Button garante ter todo o seu foco agora neste ano de reconstrução da McLaren. Sem medo da aposentadoria e ciente de que ela está cada vez mais próxima, o britânico foi à pista com o novo MP4-31 e, apesar dos problemas que apareceram no carro de 2016, se sentiu grato por ter desistido de se aposentar. Aos 36 anos, Button deixa claro que a motivação continua em alta para este ano. Sobre 2017, evidentemente, ainda é cedo para dizer.

Massa vai para mais um ano na F1 sabendo que vai ter de negociar contrato para seguir
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Da mesma forma, Massa afirmou que vai para a abertura da temporada 2016 com o mesmo espírito, a ansiedade e o frio na barriga de um estreante. O brasileiro abre seu 14º ciclo na F1, entrando no seu terceiro ano na Williams, sendo um dos pilares deste momento de volta por cima da lendária equipe britânica. Felipe forma uma das duplas mais equilibradas e competitivas do grid ao lado do ambicioso Valtteri Bottas e é a dose de experiência que o time de Grove precisa para se manter no top-3 do Mundial de Construtores.

Massa se sente em casa na Williams e muito mais à vontade em Grove do que, por exemplo, no meio sempre conturbado e de muita pressão da Ferrari, em Maranello. Com uma atmosfera mais leve, Felipe pode desempenhar melhor e com mais tranquilidade seu trabalho, ciente de que é muito útil para o time que defende. Além disso, o brasileiro, que completa 35 anos em abril, nutre um bom relacionamento com Bottas, enquanto na Ferrari era claramente segundo piloto de Michael Schumacher e Alonso.

Felipe segue sonhando em quebrar, finalmente, o incômodo jejum de vitórias que já vem desde o épico GP do Brasil de 2008. Desde então, Massa beliscou pódios aqui e ali. Em 2016, o piloto acredita que poderá ter condições de voltar ao topo do pódio e se manter competitivo. 

Ao PADDOCK GP, programa de debates em vídeo do GRANDE PRÊMIO, o paulista reforçou o desejo de continuar na F1 no ano que vem, quando a categoria vai viver uma pequena revolução com uma série de mudanças no seu regulamento técnico e, desta forma, a experiência de Massa é sempre importante. Mas Felipe assegurou que só vai seguir no grid se estiver em um carro competitivo. Em outras palavras, o brasileiro só continua na F1 se renovar com a Williams.

“Meu contrato vai até 2016. Se eu tiver a chance de estar numa equipe em que eu enxergue uma possibilidade de ser competitivo, vou continuar. O que eu gosto de fazer é correr. Quero seguir correndo, me sentir importante fazendo o que eu faço”, afirmou o piloto, deixando claro que correr para fazer número não é opção.

Kimi Räikkönen sempre está à beira de deixar a F1. Será que vai de vez neste ano?
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Se é verdade que Button e Massa se mostram muito motivados para a temporada que pode ser a derradeira para ambos na F1, não dá para dizer o mesmo sobre Kimi Räikkönen. Dono de personalidade introspectiva, o finlandês pode passar certa impressão de desânimo quando o assunto é a sua vontade de permanecer no esporte. Ganhando muito bem na Ferrari, Kimi vai ter, talvez, sua última chance para mostrar o que ainda pode fazer na F1.

O ‘Homem de Gelo’, piloto mais velho da F1 atual e o único do grid nascido antes de 1980, ficou perto, muito perto, de deixar o grid no fim do ano passado. Os muitos rumores ligando o rival e compatriota Bottas à Ferrari indicavam que Kimi estava mesmo sem tanta moral em Maranello, ainda mais com uma série de erros cometidos e pontos perdidos, enquanto Sebastian Vettel brilhava em sua estreia.

Mas aí, dois fatores pesaram muito para a permanência de Kimi na Ferrari. O primeiro deles diz respeito à alta multa imposta pela Williams para liberar Bottas, com contrato também até o fim deste ano, para a escuderia italiana, fazendo com que a Ferrari adiasse seus planos de mudança para 2017. Outro ponto é que Vettel, além de amigo de Räikkönen, trabalha muito bem ao lado do finlandês, claramente hoje segundo piloto do time. 

Assim, a Ferrari deu um voto de confiança a Kimi, talvez pelos bons serviços prestados em sua história com o time italiano, sendo o último piloto campeão em Maranello, em 2007. Mas Räikkönen vai ter de comer muito feijão com arroz e ser muito melhor do que foi no ano passado para continuar no grid. De qualquer forma, ao que tudo indica neste momento, 2016 aparenta ser mesmo o ano do adeus de Kimi à F1.