Scuderia Ferrari

Depois da revolução, agora é a vez da consolidação. A Ferrari teve um ano inteiro para resgatar a autoestima e encontrou em Sebastian Vettel seu porto seguro. Falta somente um passo: bater a dominante Mercedes

Fernando Silva, de Sumaré

Uma das maiores expectativas da F1 para a temporada 2016 diz respeito ao verdadeiro potencial da Ferrari enquanto postulante ao título. Depois de um grande ano de revolução, reação e resgate da autoestima da equipe, liderada sobretudo por Maurizio Arrivabene e Sebastian Vettel, o time voltou a vencer e deixou para trás todo o enfado e a falta de motivação característicos do último ano de Fernando Alonso em Maranello. Com Arrivabene e Vettel, a escuderia ganhou sangue novo, motivação extra e elementos capazes de chegar ao topo do esporte.

Mas ainda falta um degrau. Assim como foi com Alonso nos tempos de domínio do próprio Vettel com a Red Bull, hoje é o alemão quem tem pela frente a missão de liderar a Ferrari em busca do sonhado retorno ao topo. Mas para isso, Seb terá de lutar e derrotar a dominante Mercedes. E aí, por mais que seja dotado de talento espetacular e estar no rol dos melhores da F1, só isso não basta. Vettel precisa de um grande carro para finalmente levar a Ferrari de volta aos seus dias de glória.

A SF16-H se mostrou um carro bem nascido nos testes de pré-temporada, embora tenha sofrido alguns problemas aqui e ali, diferente do quase intransponível Mercedes W07. É fato que a Ferrari melhorou. A Mercedes fala em uma redução considerável da vantagem, enquanto os italianos, escondendo o jogo ou não, preferem esperar o começo dos trabalhos na Austrália para confirmar em que nível estão na comparação com o time bicampeão do mundo.

Diferente da Mercedes, que tem uma dupla consistente, embora com Lewis Hamilton num degrau acima de Nico Rosberg, na Ferrari a impressão que dá é que Vettel luta sozinho e que Kimi Räikkönen, que vem de duas temporadas bem pífias, parece sem vontade alguma neste seu ano derradeiro de contrato. O fato é que a Ferrari precisa de dois pilotos em grande forma para, enfim, superar a Mercedes e devolver à F1 o vermelho predominante que marcou época no começo dos anos 2000, com Michael Schumacher.

 

Sede: Maranello, Itália
Carro: SF16-H
Motor: Ferrari
Principais dirigentes: Sergio Marchionne, Maurizio Arrivabene, James Allison
Piloto reserva: Charles Leclerc
Em 2015: Vice-campeã Mundial de Construtores (428 pontos)
Melhor resultado: 15 Títulos de Pilotos; 16 Títulos de Construtores
Melhor tempo em Barcelona: 1min22s765 (Kimi Räikkönen, 1º, pneus ultramacios)

 

#5 Sebastian Vettel 

 

Nascimento: 3 de julho de 1987, Heppenheim, Alemanha (28 anos)
165 GPs 
42 vitórias
46 poles
79 pódios
25 voltas mais rápidas
1.896 pontos
Melhor resultado
Campeão em 2010, 2011, 2012 e 2013
Em 2015: 3º colocado (278 pontos)

Se a Ferrari voltou a acreditar que é possível, sim, voltar ao topo da F1, muito disso é graças a Sebastian Vettel. Contratado de ouro da Red Bull para substituir Fernando Alonso como o grande líder da equipe em pista, o tetracampeão do mundo não decepcionou. Seb, aliás, vestiu a camisa da equipe de verdade, incorporou o espírito de Maranello e cativou os fanáticos tifosi, que nele depositam todas as esperanças de uma F1 novamente vermelha.

Vettel casou bem com a Ferrari, tem todo o prestígio da cúpula da equipe, tira de letra a pressão fortíssima nos bastidores e faz seu trabalho de forma aguerrida, sem ficar choramingando pelos cantos, como fazia seu antecessor. Seb é prova viva desse novo momento da Ferrari e surge como maior ameaça ao poderio da Mercedes. Resta saber, na prática, o verdadeiro potencial da SF16-H e a distância que separa a Ferrari da Mercedes. Se for uma diferença entre 0s1 e 0s3, como espera Toto Wolff, Vettel compensa o que falta com talento e competência. E aí, não há quem duvide que o alemão poderá, sim, brigar pelo penta.

#7 Kimi Räikkönen

 

Nascimento: 19 de outubro de 1979, Espoo, Finlândia (36 anos)
232 GPs 
20 vitórias
16 poles
80 pódios
42 voltas mais rápidas
1.174 pontos
Melhor resultado
Campeão em 2007
Em 2015: 4º colocado (150 pontos)

Kimi Räikkönen pode estar entrando no seu último ano de carreira na F1. Aos 45 minutos do segundo tempo, a Ferrari optou pela sua experiência e lhe deu mais um ano de contrato, mas ciente de que o piloto mais velho em atividade no Mundial pouco vai ter a oferecer se repetir o desempenho dos últimos anos. Claro que 2014 tem de ser um ano considerado fora da curva porque a Ferrari foi pífia, mas ter somado apenas 150 pontos em 2015 com um carro muito melhor, fazendo quase a metade do que fez Vettel, é inaceitável.

Foram muitos erros e poucos acertos em um 2015 instável para o finlandês, que nunca mostra ao certo se está motivado de verdade nesta fase derradeira da sua carreira na F1 ou se não vê a hora de aproveitar a vida em família e longe das pistas.
 
Räikkönen é um completo mistério que terá de ser desvendado por ele próprio em 2016: ou vira um competidor real — como nos tempos de McLaren, Ferrari (na primeira passagem) ou mesmo na Lotus —, ou ficará fadado a encerrar sua carreira neste ano, sendo lembrado muito mais pelo personagem ‘Homem de Gelo’, pela postura ‘tô nem aí’ e pelos esporros homéricos nos engenheiros via rádio do que propriamente pela sua notória capacidade ao volante.