Sahara Force India F1 Team

A Force India viveu um ano histórico em 2015, mas o quinto lugar no Mundial não é o bastante para o time de Sergio Pérez e Nico Hülkenberg, que abre a temporada sonhando em desbancar Williams e Red Bull

Fernando Silva, de Sumaré

Que grande ano viveu a Force India em 2015! Um ano que começou sob a sombra da dúvida e com um carro ainda do ano anterior na pré-temporada e, mesmo depois, a primeira versão do VJM08 ainda era desatualizada perto dos outros carros do grid. Enquanto a especificação B não chegava, Sergio Pérez e Nico Hülkenberg somavam pontos aqui e ali. Até que o novo carro, desenvolvido no túnel de vento da Toyota, em Colônia, finalmente fez sua estreia, na casa do time, em Silverstone. E aí, tudo mudou para muito melhor.

Desde o GP da Bélgica, a Force India pontuou em todas as corridas do Mundial, fato que apenas a Mercedes conseguiu igualar. De quebra, veio o pódio com Pérez em Sóchi, claro que num golpe de sorte depois de um entrevero entre Kimi Räikkönen e Valtteri Bottas, mas a sorte acompanha os competentes, diria o poeta. Ao fim de 19 provas, a Force India conquistou o histórico quinto lugar no Mundial de Construtores, sua melhor posição desde que estreou na F1.
Levando em conta que os carros de 2016 são uma evolução do que foi construído em 2015, a Force India tem uma ótima base com o VJM09, modelo que mostrou muita consistência, equilíbrio e poucos problemas nos testes de pré-temporada. O bom desempenho de Pérez, Hülkenberg e até mesmo de Alfonso Celis em Barcelona faz com que não seja exagero algum colocar o time de Silverstone na lista dos postulantes a um lugar no top-3 da F1.

A única coisa que pode atrapalhar neste momento é a situação financeira da equipe e a do seu proprietário, Vijay Mallya, que vem sendo procurado pela polícia por conta de uma dívida que se aproxima dos R$ 5 bilhões. De fato, há o risco de um fator externo pode colocar a perder todo um belo trabalho feito nas últimas temporadas e que tem tudo para ser ainda mais brilhante em 2016.

Sede: Silverstone, Inglaterra
Carro: VJM09
Motor: Mercedes
Principais dirigentes: Vijay Mallya, Bob Fernley, Otmar Szafnauer
Piloto de desenvolvimento: Alfonso Celis
Em 2015: 5º no Mundial de Construtores (136 pontos)
Melhor resultado: 9º lugar no Mundial de Pilotos; 5º lugar no Mundial de Construtores
Melhor tempo em Barcelona: 1min23s110 (Nico Hülkenberg, 4º, supermacios)

#11 Sergio Pérez 

 

Nascimento: 26 de janeiro de 1990, Guadalajara, México (26 anos) 
93 GPs
5 pódios
3 voltas mais rápidas
266 pontos
Melhor resultado: 9º lugar em 2015
Em 2015: 9º lugar (78 pontos)

Definitivamente, Sergio Pérez deixou para trás toda a desconfiança que ainda poderia pairar sobre sua carreira depois de ter sido dispensado da McLaren ao fim de 2013. Na Force India, ‘Checo’ encontrou seu porto seguro e teve a chance de reconstruir sua trajetória na F1 e se firmar como um dos bons nomes desta nova geração. Prova disso foram os pódios logrados no Bahrein, em 2014, e no ano passado, na Rússia.

Pérez não se cansa de dizer que viveu no ano passado a sua melhor fase na F1 até agora. Mas o mexicano de Guadalajara ainda é novo e tem muito potencial para mostrar. ‘Checo’ nunca escondeu que sonha em um dia voltar a defender uma equipe grande da F1, mas no momento as portas parecem fechadas. Assim, o piloto busca brilhar novamente com a Force India e, se o novo VJM09 confirmar as expectativas, as chances de novos pódios e muito sucesso em 2016 são muito relevantes.

#27 Nico Hülkenberg 

 

Nascimento: 19 de agosto de 1987, Emmerich, Alemanha (28 anos)
94 GPs disputados
1 pole-position
1 volta mais rápida
290 pontos
Melhor resultado: 9º lugar em 2014
Em 2015: 10º lugar (58 pontos)

O melhor momento da carreira de Nico Hülkenberg em 2015 não foi na F1. O alemão surpreendeu o mundo do esporte e venceu as 24 Horas de Le Mans (ao lado de Earl Bamber e Nick Tandy) logo no seu ano de estreia, correndo pela Porsche. O triunfo fez com que outros tantos pilotos da F1 demonstrassem interesse no WEC, incomodando demais Bernie Ecclestone.

Na F1, contudo, Hülk viveu um ano de altos e baixos. Seu potencial é inegável, mas o fato é que o alemão ainda não deslanchou. E para piorar, nas vezes em que teve a chance de lograr um bom resultado, Nico foi traído pelo azar. Assim, foi facilmente superado por Pérez durante a maior parte da temporada passada.

Mas neste ano, Hülkenberg demonstrou boa adaptação ao novo VJM09 durante os testes de pré-temporada, indicando que finalmente pode desencantar e chegar ao seu primeiro pódio na F1. Desde seu ano de estreia, quando surpreendeu e faturou a pole-position do GP do Brasil como piloto da Williams, Hülkenberg vive de brilharecos aqui e ali, mas nunca conseguiu uma grande performance. Talvez, tenha chegado a sua hora em 2016.