Já não mais novato, Nasr enfrenta campeonato de tudo ou nada para garantir futuro na F1

Felipe Nasr passou boa impressão na temporada 2015 da F1, mas vai precisar de ainda mais em 2016 se quiser progredir e ter um longo futuro na categoria. O problema: uma Sauber que vai frequentar o fundo do grid

Gabriel Curty, de São Paulo

Felipe Nasr tem uma missão bastante ingrata para a temporada 2016 da F1. Em seu segundo ano na principal categoria do automobilismo mundial, o brasileiro precisa de resultados e rendimento melhores que os de 2015 caso queira estender sua passagem pelo campeonato.

Em um primeiro momento, fazer mais de 27 pontos e terminar acima do 13º lugar na classificação final parece ser uma tarefa tranquila. Mas não é bem assim. Em um ano em que todos os times mostram sinais de evolução, a Sauber aparenta ter parado no tempo.

Em segundo ano na F1, não vai bastar a Felipe Nasr tentar beliscar pontos: é preciso ser mais
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Ou seja: o time suíço, que já era um dos piores do grid da categoria em 2015, deve ir ainda mais para o fundo do pelotão em 2016. Assim, fica bem difícil imaginar Nasr pontuando com frequência. Ele mesmo reconhece isso, aliás.

A preparação da Sauber para a temporada 2016 é algo que beira o trágico. Com o carro atrasado, falta de pagamento aos funcionários e a saída de última hora do diretor-técnico Mark Smith, o cenário parece bem nebuloso pelos lados de Hinwil.

Em 2015, Nasr fez o triplo dos pontos de seu companheiro de equipe Marcus Ericsson, ficou no top-10 em seis provas e conseguiu um histórico quinto lugar em sua prova de estreia. Resumidamente: o brasiliense teve um ano de estreia sólido, consistente, ainda que longe do brilhantismo.

Para o campeonato que começa neste fim de semana na Austrália, Nasr precisa fazer ainda mais. E aí vai do talento e da capacidade de reação do piloto a chave para o sucesso. Parece claro para todo mundo que o equipamento vai deixá-lo na mão, então, o brasileiro vai precisar buscar alternativas. Fazer uma temporada livre de erros crassos é o primeiro objetivo, aproveitar todas as oportunidades para pontuar, o segundo.

A grande questão é que a Sauber está afundada em dívidas e não tem o melhor dos carros
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O terceiro é aquele que realmente credenciaria Nasr a uma vaga em um time melhor – talvez muito melhor – em um futuro próximo: conseguir muito com pouco. Não é segredo para ninguém que a F1 é uma categoria extremamente competitiva no que diz respeito a vagas no grid e, a julgar pela fria ‘dança das cadeiras’ de 2016, só mostrando algo muito especial para o brasileiro sonhar com um grande time.

É bom que se diga que esse fenômeno não é de agora. No atual grid mesmo existem vários exemplos e nem precisamos ir às equipes gigantes para confirmar a teoria. Nico Hülkenberg só conseguiu se estabilizar na categoria pelas excelentes performances na então mediana Williams – até pole em Interlagos fez – e os seguidos bons anos de Force India; Sergio Pérez chegou à McLaren impulsionado por uma temporada com pódio na Sauber; Romain Grosjean foi ficando na Lotus pela ótima quantidade de pódios pelos de Enstone e por aí vamos.

Em uma F1 onde os times maiores pouco mudam suas formações e as equipes médias e pequenas trocam a todo momento, a guilhotina funciona o tempo inteiro. Basta uma temporada ruim – às vezes nem isso – para o piloto acabar descartado e ter de buscar outros caminhos em sua carreira.

Portanto, se Nasr não quiser ser mais um a fazer ‘bate-volta’ na F1, precisa sair da zona de conforto, tem de fugir do apenas correto e buscar mais, causar ótima impressão para, mais do que se firmar na categoria, alçar voos maiores e um dia poder sonhar com pódios, vitórias e títulos.

Guia F1 2016, parte 1

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Publicado por Grande Prêmio em Quarta, 16 de março de 2016