Evolução da Manor e chegada da estruturada Haas prometem embolar pelotão intermediário

Se o grupo da frente pouco deve mudar com a Mercedes novamente favorita, o pelotão intermediário promete fortes emoções. A ascendente Manor e a novata Haas querem incomodar a Sauber e até a Renault

Gabriel Curty, de São Paulo

Se o grupo da frente pouco deve mudar com a Mercedes novamente favorita, o pelotão intermediário promete fortes emoções. A ascendente Manor e a novata Haas querem incomodar a Sauber e até a Renault, que volta na vaga da Lotus
 
Mercedes na frente, Ferrari logo atrás, Williams, Red Bull, Force India e Toro Rosso aparecendo na sequência. Não é muito difícil de prever o que vai acontecer na briga pelas primeiras colocações na temporada 2016 da F1, mas e do pelotão intermediário para trás?

A Manor deu um belo salto com seu carro novo. Tudo para deixar a rabeira
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Sempre muito movimentado, cheio de brigas interessantes e ultrapassagens, o pelotão intermediário tem tudo para ficar ainda mais disputado em 2016. Nesse bolo, quem surge com o status de sétima força é a McLaren, muito possivelmente acompanhada da Renault, que volta ao grid na vaga da Lotus.
  
Os dois times despontam por motivos diferentes. Multicampeã da categoria, a equipe de Woking promete mundos e fundos em seu segundo ano com a Honda. Difícil acreditar que melhore tanto, não? Mesmo assim, a pré-temporada já mostrou que o time inglês não deve ficar tão na rabeira quanto em 2015. 
 
A Renault, por sua vez, deve novamente sofrer com seus motores. Entretanto, herdando a estrutura da Lotus e contando com auxílio valioso da Red Bull para evoluir sua unidade de potência, a esquadra de Kevin Magnussen e Jolyon Palmer deve conseguir pontuar com certa frequência.
 
Nas três últimas colocações, equipes em momentos completamente distintos. A Sauber corre sério risco de ficar para trás em 2016. Os problemas financeiros no time de Hinwil, atraso na preparação do carro e defasagem no motor Ferrari colocam os suíços na alça de mira de uma nanica e uma novata.
 
A nanica, que agora atende apenas por Manor, já é bem conhecida de todos que acompanham a F1. Após anos horrorosos como Marussia, o time chega em 2016 impulsionado pelos motores poderosos da Mercedes. Para enfrentar a dura missão de tirar a equipe do último lugar do grid, Pascal Wehrlein e Rio Haryanto foram contratados.
  
Apesar da força no motor e de uma reestruturação quase que completa no grupo de engenheiros, a Manor ainda levanta desconfianças. Para começar, os britânicos foram os piores da pré-temporada em Barcelona, além disso, Haryanto é uma tremenda incógnita, prometendo ajudar mais nos cofres que na tabela de pontos.
  
Na briga particular com a Sauber, o motor Mercedes tem tudo para ser um diferencial. Sendo assim, não há motivos para a equipe não sonhar em bater os suíços – como fez em 2014 – e, finalmente, deixar para trás a ingrata marca de dois pontos anotados na F1, oriundos do nono lugar de Jules Bianchi em Mônaco. 

A Sauber é candidata ao fundo do grid em 2016
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Outra que chega para embolar o pelotão intermediário e aumentar o pesadelo da Sauber é a Haas. Cravar como será a temporada de estreia dos norte-americanos é impossível, mas uma coisa é certa: há tempos não se via uma preparação tão boa feita por uma novata.  

E é aí que pode estar o segredo para a Haas chegar já com ótima impressão. A parceria técnica com a Ferrari e a utilização de motores novos da escuderia italiana têm tudo para evitar que os americanos passem vergonha na F1.
  
Por que não sonhar mais alto, então? Um dos melhores pilotos do grid, Romain Grosjean comprou o sonho do time e deixou a Lotus – agora Renault – após longo casamento. O franco-suíço deve ser peça fundamental no sucesso da Haas com muita quilometragem e talento.
  
Mesmo com tantos ingredientes para o sucesso, nem tudo tende a ser perfeito para a Haas, é claro. O chassi ainda precisa de maturidade, e a equipe deve sofrer um bocado com a parte operacional no início. Ainda assim, seria absurdo colocar o time norte-americano como maior candidato à lanterna.
  
Desta forma, com a volta da Renault, a crise na Sauber, a recuperação da Manor e o nascimento de uma promissora Haas, o pelotão intermediário deve ter um 2016 extremamente competitivo.