Disposto a permanecer na F1, Massa começa temporada otimista para enfrentar crise dos sete anos

Indo para sua 14ª temporada na F1, Felipe Massa amarga um jejum sem vitórias que dura desde 2008. Na configuração atual do Mundial, a luta vai ser grande para bater os dominantes carros da Mercedes

Juliana Tesser, de São Paulo

A crise dos sete anos é bastante conhecida pelos terapeutas de casais. De acordo com o dito popular, todo relacionamento entra em uma fase instável com o passar de sete anos, já que a rotina se apresenta e a convivência fica, digamos, menos interessante.

No casamento entre Felipe Massa e a F1, o entrevero não chegou após sete anos, mas já dura este período, desde o último triunfo do brasileiro, em 2 de novembro de 2008, em Interlagos.

A vitória chorada em Interlagos 2008 foi a última da carreira de Massa
Getty Images, com arte Grande Premium

Ao longo desse tempo, Massa mudou de Ferrari para a Williams e viu a equipe de Grove dar um bom salto de qualidade depois de alguns anos bem aquém de sua história. A evolução da escuderia inglesa, porém, calhou com o domínio da Mercedes na era dos motores V6 turbo, quando apenas dois pilotos foram capazes de quebrar a sequência de vitórias de Lewis Hamilton e Nico Rosberg — Daniel Ricciardo, em 2014, e Sebastian Vettel, em 2015.

Ainda assim, a Williams seguiu trabalhando e evoluindo, mas, apesar de contar com motores Mercedes, ainda está longe de alcançar o time chefiado por Toto Wolff.

Ao longo do inverno europeu, a diretoria da Williams deu declarações bastante empolgadas, se rotulando como o time que mais tinha evoluído desde a bandeirada em Abu Dhabi no ano passado. Mas o que se viu na pré-temporada não foi assim tão animador.
Apesar do discurso efusivo, os testes de Barcelona indicam que a Williams não vai fazer nada muito melhor do que o terceiro lugar no Mundial de Construtores do ano passado, quando terminou a 171 pontos da Ferrari, a segunda na tabela.

Ao contrário de 2015, quando fechou o ano com 70 pontos de margem para o quarto colocado, no entanto, o time de Massa e Valtteri Bottas terá de se preocupar com a evolução de Force India e Red Bull.
 
O time de Nico Hülkenberg e Sergio Pérez foi bem no ano passado desde a chegada da versão B do carro e mostrou um bom potencial ao longo dos exercícios espanhóis. A Force India vai para 2016 como uma candidata ao pódio da F1 e a Williams terá de ficar esperta se não quiser perder terreno para a rival.

Como Massa vai encarar a temporada e esse hiato, sabendo que ainda tem de renovar contrato?
Getty Images, com arte Grande Premium

No caso da Red Bull, a novela dos motores acabou tendo um final um tanto quanto previsível, com a escuderia dos energéticos seguindo atrelada à Renault. Ainda assim, os rubro-taurinos já mostraram mais de uma vez que são capazes de fazer ótimos carros e, sendo assim, é mais uma ‘vizinha’ intrometida para meter a colher no casamento de Massa com a Williams.

Além dos sete anos de jejum, Massa vai começar aquela que pode ser sua turnê de despedida da F1. O brasileiro já deixou claro que só segue no Mundial se tiver um equipamento competitivo, mas o contrato com a Williams chega ao fim em 2016.

Às vésperas do início da temporada, é cedo para fazer conjecturas sobre os planos do time de Frank Williams. Felipe vive um longo jejum de vitórias e somou seu pódio mais recente no GP da Itália do ano passado, quando foi terceiro atrás de Hamilton e Vettel, mas foi um ativo importante nesse processo de reestruturação da Williams.

Um dos mais experientes pilotos do grid atual, Felipe terá de dar as cartadas certas em 2016 para manter sua posição e ampliar sua permanência no Mundial. No cenário atual, é bastante difícil romper o domínio da Mercedes e subir ao topo do pódio, mas o top-3 ainda está aí para ser conquistado.

Guia F1 2016, parte 1

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Publicado por Grande Prêmio em Quarta, 16 de março de 2016