Sérgio Sette Câmara

Encerrando sua segunda temporada completa na F3 Europeia com apenas uma 11ª colocação final, Sérgio Sette Câmara reconheceu que seu campeonato foi bastante abaixo do esperado. No entanto, de mudança para a GP2 no próximo ano, o piloto revelou que apenas quer buscar bons resultados na categoria para então alcançar o seu tão cobiçado sonho: a F1

Nathalia De Vivo, de São Paulo

Sérgio Sette Câmara deu início a sua carreira nos carros de monopostos correndo na F3 Brasil em 2014. Naquele ano, defendendo a Cesário Fórmula a partir da quarta etapa do calendário, fechou o campeonato com uma sétima posição, com uma pole-position e sete pódios. Também naquele ano, deu os primeiros passos nas categorias internacionais, realizando três provas na F3 Europeia.

Atualmente, Sérgio está totalmente voltando para a Europa. Em 2016, terminou seu segundo ano completo na mesma F3 Europeia, em que ficou com a 11ª colocação. Com dois pódios em 30 provas, um segundo lugar na corrida 2 de Pau e um terceiro posto na prova 3 em Norisring, o brasileiro admitiu que o desempenho do campeonato foi bastante abaixo do esperado.

Neste ano, ainda, as expectativas eram altas. Afinal, o competidor de 18 anos fazia agora parte do programa de jovens pilotos da Red Bull. Isso, então, mostrava que ele estava sob o olhar atento da equipe que formou pilotos como Sebastian Vettel, Daniel Ricciardo e Max Verstappen.

A oportunidade ainda lhe deu uma chance única em na carreira: fazer parte dos testes coletivos da F1, que aconteceram em Silverstone. Guiando um carro da Toro Rosso, o brasileiro fechou o segundo dia de ensaios na nona colocação. Para ele, a experiência é algo inesquecível e que levará para a vida.

Após o término de todos os compromissos de 2016, em que encerrou o ano com um importante terceiro lugar no GP de Macau, tradicional prova de F3, Sette Câmara esteve presente na última etapa da Stock Car, que aconteceu em Interlagos, e falou com exclusividade ao GRANDE PREMIUM.

 

Um balanço da temporada

É verdade que o campeonato de Sérgio não saiu da maneira que ambicionava. O piloto reconheceu que esperava muito mais de seu 2016, mas que enfrentou diversos problemas ao longo do caminho, e um deles foi o relacionamento difícil que teve com sua equipe, a Motopark.

“Foi um ano abaixo da expectativa. Era meu segundo ano de F3, participando do programa de jovens pilotos da Red Bull, então a expectativa era a mais alta possível. Tive uma briga interna na equipe, briguei com meu engenheiro, acabei trocando de engenheiro no meio do campeonato, isso não também não é o mais ideal”, revela.

“Foi um ano muito fraco na F3 Europeia, eu não me dei bem com minha equipe, tive problemas mecânicos também. No começo do ano, eu estava andando no top-5, top-6, só que cometi alguns erros, mas o ritmo não era o esperado, eu não era o mais rápido”, continua.

Sette Câmara encerrou a temporada, sua segunda na F3 Europeia, na 11ª colocação. Com apenas dois pódios, o piloto ainda somou cinco abandonos e mais 12 provas fora do top-10. O competidor reconheceu que os problemas com seu carro acabaram minando chances de resultados mais fortes.

“O carro não parava de quebrar e, na F3, a penalização por quebra de motor é muito severa. São três provas, dez posições de punição. Fiz três poles, mas nunca larguei da frente. No final do ano, classifiquei em segundo e terceiro e não larguei. No final, foram dez corridas de 30, que eu tomei uma penalização desse tipo”, conta.

Mas após um ano difícil, veio enfim a reviravolta. O jovem piloto avaliou o GP de Macau, em que terminou na terceira colocação, como sua melhor prova na temporada. “Foi a única corrida realmente boa, o clima na equipe era bem melhor. Eu realmente curti correr pela primeira vez no ano, era outro ambiente. O tanto que e curti aquele final de semana é assim que eu quero correr para o resto da minha vida”, diz.

Sette Câmara durante etapa da F3 Europeia em Spa-Francorchamps
Foto: Site Sérgio Sette Câmara

O sonho da F1

No próximo ano, Sette Câmara passa a defender a MP Motorsport, equipe da GP2, categoria de acesso para a F1. Depois de participar de testes em Barcelona, Sérgio não poderia estar mais animado com o início das atividades.

“Acho que consegui me adaptar bem, tive um pouco de dificuldade com o pneu, o que é que todo mundo fala. Foi uma experiência excelente, então, estou preparado e confiante. Estou com fome de ganhar, mostrar resultado, e isso é o que mais me dá motivação agora”, explica.

“Eu acho que uma expectativa legal é estar constantemente no top-10, o que é bastante difícil, mas quero estar lá com constância. Isso significa conseguir alguns resultados no top-5, quem sabe um pódio. Mas estar sempre ali e ser constante, pois no final do ano é isso o que as pessoas olham”, acrescenta o piloto.

A oportunidade, é claro, o faz sonhar com a F1. Sem nomes brasileiros com grandes chances de chegar na principal categoria do automobilismo mundial nas próximas temporadas, Sette Câmara aposta que a experiência na GP2 pode levá-lo a seu objetivo  nos próximos anos. “Estou na GP2, se eu fizer um ano bom no ano que vem, por que não em 2018?”, questiona.

“Meu plano é fazer dois anos na GP2, fazer essa temporada muito bem, conseguir bons resultados. Se fizer isso consigo estar no melhor carro para conquistar o título em 2018. Mas se eu andar bem, por que não? Eu não vejo motivo de não conseguir. A ideia é fazer dois anos de GP2 para chegar na F1 preparado, não gosto de ficar pensando no futuro”, segue o competidor.

Sette Câmara quando pilotou uma Toro Rosso em Silverstone
Foto: Toro Rosso

Conselho dos mais experientes

Neste ano, Sette Câmara participou de uma exibição de rua da Red Bull em Glasgow, na Escócia. Na oportunidade, o piloto chegou a guiar um carro da equipe das bebidas energéticas em um festival de automóveis.

Quem também estava na demonstração era David Coulthard. Sobre o ex-piloto de F1, Sérgio contou uma história curiosa. “Nessa exibição, eu conversei com o Coulthard, e ele já tinha tomado algumas [risos]”.

“Então ficou conversando comigo, me deu muitos conselhos, foi muito gente boa. Um negócio que sempre falam e a maior lição que aprendi nessa temporada é que relacionamento é tão importante dentro da equipe quanto andar rápido”.

 “Isso é muito importante, dominar a equipe, e fazer com que as pessoas queiram o seu bem. Isso faz a diferença. Perdi muito tempo nessa temporada com isso, até a metade da temporada eu não tinha isso. Esse é o maior foco no ano que vem. Tem que pegar a equipe para você”.

Sette Câmara acelera durante exibição da Red Bull em Glasgow
Foto: Reprodução/Twitter Sette Câmara

O nível de categorias nacionais

Sette Câmara começou sua carreira nos monopostos na F3 Brasil. Em seu primeiro e único ano na categoria, o brasileiro encerrou o campeonato com uma sétima colocação, com 45 pontos, uma pole-position e três pódios ao longo do campeonato - que começou a partir da quarta etapa.

Pedro Piquet, cria da mesma categoria que o conterrâneo, passou dois campeonatos no Brasil. Com domínio absoluto em 2014 e 2015, o filho do ex-piloto de F1 Nelson Piquet foi para a Europa com dois títulos no bolso.

No entanto, ao chegar na F3 Europeia, onde correu nesta temporada, sofreu o choque. Com desempenho bastante discreto e sem resultados expressivos, o piloto terminou o ano na 19ª posição, com apenas 19 pontos conquistados e apenas cinco provas dentro do top-10.

Para Sette Câmara, o problema é o nível da F3 Brasil, e qualquer outra F3 nacional, como classifica, que não se equipara ao nível da versão europeia. “Algumas vezes uns campeonatos não tem o mesmo nível que outros”, explica.

“Esse negócio de F3 nacional acabou, a F3 Brasil, F3 Inglesa, F3 Espanhola, não tem o mesmo nível da F3 Europeia. Quando o piloto ganha todo mundo olha, e tem que valorizar mesmo o título. Mas quando vai para um campeonato de nível internacional sofre um choque."

Sérgio ainda mostrou uma postura bastante madura ao falar sobre sua concorrência com Pedro na escalada até a F1. “Apesar de ele ser meu concorrente para chegar na F1, eu torço por ele, pois acredito que a nossa briga agora no Brasil não é para ver quem chega na F1, mas para manter o esporte vivo, que está enfraquecendo”, encerra.

Sette Câmara quando ainda competia na F3 Brasil
Foto: Flávio Quick