Um campeonato de classe

Marca forte, circuitos tradicionais, solidez em sua organização, evolução constante e grids cheios são algumas das marcas do Mercedes-Benz Challenge, a categoria de gentlemen-drivers que se consolidou no cenário do automobilismo brasileiro e abre em 2016 a sexta temporada de sua história

Fernando Silva, de Sumaré

Curitiba vai ser palco da etapa de abertura da sexta temporada da história do Mercedes-Benz Challenge neste domingo, 6 de março. Não deixa de ser um retorno às origens e uma prova especial para aquela que se consolidou como uma das categorias de gentlemen-drivers mais fortes do automobilismo brasileiro. Foi na mesma Curitiba, em 21 de maio de 2011, que a categoria realizou sua primeira largada, à época como parte do cronograma do GT Brasil.

Foi um marco para o automobilismo nacional e para a própria Mercedes-Benz em si. A marca, que havia voltado à F1 como equipe em 2010 depois de mais de 50 anos fora do grid, também apostava na força do esporte a motor brasileiro, vendo o mercado nacional de veículos de luxo como uma das suas principais bases para investir com tudo em uma categoria capaz de mostrar não apenas a tradição da estrela de três pontas, mas também profissionalismo, velocidade e estilo de vida.

De lá para cá, muita coisa mudou. O Brasil, enquanto potência econômica, oscilou, atravessou um bom momento e agora busca se recuperar diante de um momento difícil. Mas enquanto muitas montadoras optaram por deixar o esporte a motor para trás por aqui, a Mercedes continuou apostando no automobilismo nacional como forma de promover sua marca, explorar a performance e desenvolver seus novos carros, garantir diversão e velocidade aos seus pilotos e, de quebra, entregar ao fã do automobilismo a certeza de grandes corridas e resultados imprevisíveis.

Desta forma, o Mercedes-Benz Challenge vem alcançando uma solidez capaz de lhe conferir a chance de se tornar uma das categorias de gentlemen-drivers mais longevas atualmente no automobilismo nacional. Prova viva do quanto a marca aposta no Brasil, e é com este espírito que a Mercedes vai à pista para abrir a sexta temporada da sua categoria: sempre à frente.

Consolidado no cenário do automobilismo brasileiro, o Mercedes-Benz Challenge vai para a sexta temporada da sua história
Fabio Davini

Um ciclo vencedor

Em uma tradução livre, gentlemen-driver é o piloto não profissional que se dedica ao seu trabalho durante a semana e, quando tem a oportunidade de acelerar, o faz como hobby, paixão e espírito de diversão. Foi daí, da paixão, da diversão, mas também da confiança no automobilismo brasileiro que, em 2011, nasceu o Mercedes-Benz Grand Challenge, com uma proposta de oferecer aos competidores um calendário com corridas em circuitos tradicionais do país, grids cheios e muito equilíbrio.

Naquela temporada, o Mercedes-Benz Grand Challenge correu nos seguintes circuitos: Santa Cruz do Sul, Campo Grande, Velopark, o saudoso autódromo de Jacarepaguá, além de Curitiba e Interlagos, que foram palco de duas etapas cada. Naquela primeira temporada, as etapas tinham formato de rodada dupla, permitindo um calendário de 16 corridas em oito finais de semana em 2011. 

O carro preparado pela Mercedes para sua nova categoria foi o C250 Turbo, com potência estimada em 245 cv. Todos os 22 carros contaram com a mesma preparação, além de câmbio automático. Tudo para o piloto sentir na pista a alta performance de um Mercedes e lutar de igual para igual com seus oponentes, todos com a mesma chance de lutar por vitórias, com o talento pesando sempre mais na balança.

O primeiro ano do Mercedes-Benz Grand Challenge teve pai e filho como campeões. João Campos e Márcio Campos competiram em dupla, cada um disputando uma prova do fim de semana. A dupla somou 205 pontos e superou pilotos que até hoje fazem parte com destaque da categoria: Marcelo Hahn foi o vice-campeão, com Neto de Nigris em terceiro lugar na tabela de pontos do campeonato. Um ano para a história, definitivamente, mas era só o começo.

Se em 2011 marcou o início de tudo, 2012 foi a consolidação do Mercedes-Benz Grand Challenge como uma categoria que veio para ficar no cenário brasileiro. 

Tanto é que a organização do certame promoveu mudanças pontuais em relação à primeira temporada para deixa-la ainda mais competitiva e forte: alteração no sistema de pontos, segunda corrida da rodada dupla com inversão do grid, adoção de um lastro de 30 kg para piloto da chamada classe Prata, de maior graduação, e criação da subcategoria Master, específica para pilotos de graduação Bronze, sem imposição de limite de idade.

Além disso, a categoria passou a contar com transmissão ao vivo de suas corridas, com exibição da RedeTV. Assim, o Mercedes-Benz Grand Challenge garantiu um ano de crescimento dentro e fora das pistas e se fortaleceu ao longo da temporada, mostrando toda a seriedade e profissionalismo da marca.

Novamente com os grids cheios, as corridas da temporada 2012 foram marcadas por muitas boas disputas. Ao fim da temporada, porém, Márcio Campos e o pai, João Campos, comemoraram a conquista de mais um título no Mercedes-Benz Grand Challenge, faturando a taça por antecipação em Cascavel. Neto de Nigris garantiu o vice-campeonato. Estava claro o quanto a categoria havia evoluído naquele começo de sua história e o quanto havia por vir desde então.

Em 2013, o Mercedes-Benz Challenge foi parte do evento que teve a SP Indy 300 como corrida principal
Mercedes-Benz Challenge

2013 foi um ano igualmente histórico para o Mercedes-Benz Grand Challenge. Pela primeira vez, a categoria fez parte do cronograma de um certame de caráter mundial como a Indy e correu pela primeira vez num circuito de rua, no traçado urbano do Anhembi, em São Paulo, como prévia da SP Indy 300. 

Novamente, o formato da competição foi alterado, visando garantir um certame mais dinâmico aos pilotos e também a quem acompanha, seja ao vivo ou pela TV. Naquela temporada, coube ao SporTV a transmissão ao vivo das provas do campeonato. Assim, as etapas, antes em rodadas duplas, foram convertidas em apenas uma corrida com duração de 45 minutos mais uma volta e um pit-stop obrigatório de 90s nos boxes, num formato que continua sólido até os dias de hoje. Da mesma forma, o Mercedes-Benz Grand Challenge continuava no ‘guarda-chuva’ do GT Brasil. Na verdade, 2013 foi um ano de transição neste sentido, o que acabou reforçando o caráter da categoria como um todo.

Foi um ano também de transição para a dupla mais vitoriosa do Mercedes-Benz Grand Challenge. João Campos deixou as competições para trabalhar do outro lado do pit-wall. Na pista, o filho Márcio Campos seguia sua jornada vencedora, mas teve um ano muito mais desafiador do que as duas primeiras temporadas. Neto de Nigris, depois de ser vice-campeão, buscava finalmente a taça. Assim, a temporada foi decidida somente na última corrida do ano, e nas últimas curvas da dramática volta final em Tarumã, no Rio Grande do Sul.

Campos e De Nigris empataram na pontuação final com 125 pontos, mas Márcio levou a melhor no primeiro critério de desempate, que considerou seu maior número de vitórias. Assim, Márcio Campos deixava o Mercedes-Benz Grand Challenge como tricampeão, sendo o maior nome da história da categoria até o momento.

Em 2014, o Mercedes-Benz Challenge entrou em um novo ciclo: novo carro e sob o 'guarda-chuva' da Vicar. Porém, a essência foi mantida
Duda Bairros

Novo carro, novos tempos

A transição iniciada em 2013 foi consolidada no ano seguinte. A começar pelo nome da categoria, Mercedes-Benz Challenge a partir de 2014. Outras duas mudanças vieram a reboque e representaram o grande salto de qualidade, competitividade e atratividade da competição, que passou a ser promovida e organizada pela Vicar, fazendo parte do rol de eventos da Stock Car, a principal categoria do automobilismo nacional.

Assim, o Mercedes-Benz Challenge garantiu maior exposição e também espaço na TV, passando a contar, ao vivo, com a transmissão do canal por assinatura BandSports das oito etapas do ano. E, pela primeira vez, o grid passou a contar com dois modelos diferentes: além do C250 Turbo, presente no grid desde 2011, o Mercedes-Benz Challenge trouxe o novo lançamento da montadora, realizado primeiramente no Brasil: o CLA 45 AMG Racing Series, uma verdadeira joia que mistura linhas arrojadas e muito desempenho.

Desta forma, a competição passou a contar com duas classes: a CLA AMG Cup, com os pilotos mais experientes da categoria, e a C 250 Cup, a classe Light. Ao longo das oito etapas da temporada, um dos grandes destaques foi o grid, sempre bastante parrudo e, muitas vezes, ultrapassando os 40 carros, algo marcante para o automobilismo nacional.

Assim como aconteceu no circuito do Anhembi em 2013, o Mercedes-Benz Challenge voltou a alinhar em traçados urbanos em 2014, em duas oportunidades: em Ribeirão Preto, fazendo dobradinha com a Stock Car, e da mesma forma em Salvador, provando a performance dos carros em diferentes níveis de exigência.

Da mesma maneira que em 2013, 2014 foi uma grande temporada em termos de equilíbrio e competitividade. A nova classe CLA AMG Cup foi prova disso. O grande campeão foi Arnaldo Diniz Filho, que somou 94 pontos no total de oito corridas e marcou duas vitórias e outras duas poles, ficando apenas três pontos à frente do não menos experiente Rodrigo Hanashiro, enquanto Neto de Nigris fechou terceiro lugar, sendo campeão na CLA AMG Cup Master, destinada aos pilotos veteranos. Por sua vez, Christian Möhr comemorou a conquista na nova C 250 Cup, enquanto Cesare Marrucci foi o vice-campeão. Os veteranos Marcos Paioli e Peter Gottschalk levaram a melhor na classe Master da C 250 Cup.

A temporada 2015 foi novamente marcada pelos grids cheios, tradição do Mercedes-Benz Challenge
Fabio Davini

Se em 2013 o Mercedes-Benz Challenge fez uma das provas preliminares da Indy no Anhembi, 2015 reservou outro grande momento à categoria. Pela primeira vez em sua curta história, a classe dos gentlemen-drivers fez parte do evento do GP do Brasil de F1 em Interlagos. Uma grande honraria que mostrou o prestígio do certame e a solidez do Mercedes-Benz Challenge, definitivamente consolidado no cenário esportivo nacional.

A estabilidade no regulamento garantiu um novo ano com muitas disputas acirradas nas classes CLA AMG Cup e na C 250 Cup. Na categoria principal, a disputa ao longo do ano ficou entre Adriano Rabelo e Fernando Júnior. Ao fim de oito etapas, o gaúcho, que defendeu a equipe WCR, somou um total de 144 pontos depois de uma grande reação no campeonato, superando o piloto cearense. Na CLA Master, Carlos Kray conseguiu o título e superou o não menos veterano Neto de Nigris.

Depois de um grande ano em 2014, Paioli e Gottschalk voltaram a triunfar e conquistaram dois títulos de uma vez: a classe C 250 Cup e, de quebra, chegaram à glória também na subdivisão Master.

O sexto sentido

Está tudo pronto para a sexta temporada do Mercedes-Benz Challenge. Cada vez mais sólida, a categoria se mantém sob a organização e promoção da Vicar e, mesmo em meio ao cenário econômico turbulento, consegue garantir um grid de respeito: a etapa de Curitiba, que terá transmissão ao vivo pelo BandSports, vai contar com nada menos que 32 carros.

Uma das novidades previstas para 2016 está nos pneus fornecidos pela Pirelli na classe CLA AMG Cup. Os compostos terão uma consistência mais dura, de modo a proporcionar maior segurança, estabilidade e menor desgaste, tudo com o objetivo de garantir corridas decididas exclusivamente pelos gentlemen-drivers nas pistas.

O regulamento prevê também uma mudança importante para a C 250 Cup no que diz respeito à adoção do lastro. Da segunda à sétima etapas, o vencedor da proa anterior vai levar 50 quilos extras em seu carro. Contudo, o lastro vai ser retirado na última corrida para garantir todos os pilotos com o mesmo nível de peso para aquela que pode ser a decisão do título.

A temporada novamente contará com oito etapas, vai marcar a estreia do Circuito dos Cristais, em Curvelo, e será encerrada em 11 de dezembro, em Interlagos, sempre como parte do evento da Stock Car pela Vicar. Sem dúvidas, outro ano de grandes corridas e muitas emoções no Mercedes-Benz Challenge.
 

Calendário da temporada 2016 do Mercedes-Benz Challenge

Curitiba (PR) – 6 de março
Goiânia (GO) – 22 de maio
Tarumã (RS) – 26 de junho
Cascavel (PR) – 17 de julho
Interlagos (SP) – 11 de setembro
Goiânia (GO) – 6 de novembro
Curvelo (MG) – 20 de novembro
Interlagos (SP) – 11 de dezembro