Histórias de Interlagos: Do Rio para a invasão de pista

O leitor Bruno Cardoso conta a saga que o levou ao GP do Brasil de F1 em 2015: desde quando ganhou o ingresso em promoção do GRANDE PRÊMIO, a viagem de seis horas partindo do Rio de Janeiro, a chance de acompanhar a prova, vencida por Nico Rosberg e a invasão da reta dos boxes para acompanhar a festa do pódio

Fernando Silva, de Sumaré

Meca do automobilismo brasileiro, Interlagos vai receber pela 35ª vez na história o GP do Brasil de F1, a ser realizado entre 10 e 12 de novembro. Em sua história, o icônico circuito paulistano povoa o imaginário do fã do esporte a motor, que certamente tem na mente momentos marcantes em várias na categorias, seja na F1, na Stock Car, ou em tantos outros certames já disputados no traçado ao longo de mais de 70 anos de história.

Nesta quinta-feira (14), o GRANDE PRÊMIO abre uma série sobre histórias marcantes vividas pelo fã do esporte em Interlagos. Quem abre a sequência é Bruno Cardoso. O leitor e membro da Scuderia GP conta como foi sua saga depois de ganhar um ingresso de uma promoção do GP, a jornada desde o Rio de Janeiro até o momento de maior emoção naquele 15 de novembro de 2015.

“Foi durante o GP do Brasil de F1 de 2015. Saí do Rio de Janeiro durante a madrugada, foram cerca de seis horas até o autódromo. Cheguei cansado, peguei os ingressos na bilheteria, pedi para alguém que estava passando tirar uma foto minha com os ingressos na mão. Publiquei uma foto do Twitter, o GRANDE PRÊMIO curtiu e retuitou. Fui caminhando em direção ao setor A. Quando passei na frente da entrada do estacionamento, um carro fez meu olhar desviar. Era um lindo DKW verde com teto bege. No volante, Flavio Gomes”, recorda Bruno.

“Fiquei paralisado na frente do carro. Alguém que controla a entrada do estacionamento gritou: ‘Sai daí!!’. Saí, olhei novamente para o carro e o simpático motorista agradeceu. Naquele momento, tive a certeza de que aquele domingo seria melhor do que eu imaginava. Finalmente entrei na fila do setor A. Alguns minutos depois, eu já estava dentro do templo do automobilismo brasileiro”, conta o leitor.

Pódio do GP do Brasil de 2015 com Nico Rosberg no topo do pódio
Rodrigo Berton/Grande Prêmio

 

“O setor já estava lotado, acabei achando um lugar no meio de uma galera com camisetas personalizadas. Pessoal gente boa, receptivo, mas que só me deixou ficar ali com uma condição: comprar quatro cervejas para eles. Aceitei. Depois, descobri que aquele lugar que estava vago era na verdade uma armadilha para que eles conseguissem mais cervejas. Caí direitinho, mas acabei também bebendo algumas cervejas com eles.”, descreve.

 

“Corrida chegando na metade e... meu celular descarregou. Bandeira quadriculada, movimentação intensa na turma ao meu redor. Achei que fosse briga, mas não era. Quando percebi, eu estava passando por um buraco feito na grade que separa a arquibancada da pista. Naquele momento eu entendi o motivo das camisetas daquela galera ter um alicate como estampa. Era a turma do alicate. Fui um dos primeiros a invadir a pista.”

“Alguns seguranças correndo atrás de mim, e eu correndo muito mais que eles em direção ao pódio. Uma eternidade, nunca chegava. Até que eles desistiram. Lá no alto, Lewis Hamilton, Nico Rosberg e Sebastian Vettel. Um pouco abaixo, Rodrigo Berton, fotógrafo do GP. Ele estava fotografando a festa dos pilotos no pódio. Gritei o nome dele e ele olhou para trás apontando a câmera pra mim. Fez um sinal de positivo e falou algo que não entendi. Era mais um momento daqueles! Os pilotos saíram do pódio, e a galera voltava para a arquibancada do jeito que dava. Alguns paravam para fotografar a pista, o que não era possível pra mim, já que o celular estava descarregado. Até que vi um cara com uma câmera maneira na mão. Perguntei se seria possível que ele fizesse uma foto minha na pista e depois me enviasse por e-mail. Combinamos, fiz algumas poses. Não acreditei muito que aquilo daria certo, mas era aquilo o nada de fotos. Quando cheguei em casa, estava lá o e-mail com as fotos.”

“Incrível! Agradeci, perguntei quanto era. “Nada”, foi a resposta. Mais tarde, com a criação do Scuderia GP no Facebook, descobri que o cara com a câmera meneira que me enviou um e-mail com as fotos é também participante do grupo, o Thiago Costa Pimenta Cardoso. Esse é o momento mais marcante que eu já vivi em Interlagos”, finaliza Bruno.

O GP do Brasil deste ano acontece entre os dias 10, 11 e 12 de novembro e pode decidir o título da temporada 2017. Não perca esta grande corrida e adquira já seu ingresso.