A academia da velocidade

Com apoio maciço a jovens talentos, a Shell preenche uma lacuna no automobilismo brasileiro com um projeto consistente e capaz de impulsionar a carreira de pilotos com potencial para brilhar aqui e lá fora. E já vem colhendo bons resultados

Fernando Silva, de Sumaré
 

Um dos grandes problemas enfrentados por quem se dispõe a seguir carreira no mundo do esporte a motor diz respeito à estrutura, ou à falta dela, para conquistar os melhores resultados possíveis e ir escalando os degraus que podem levar à elite, seja na F1, Indy ou a grandes categorias de turismo ou endurance, como DTM, WEC ou mesmo a Stock Car brasileira. Muitos talentos ficam pelo caminho justamente pela falta de base, de um suporte realmente capaz de apoiar e impulsionar sua carreira.

O contexto não é diferente aqui no Brasil e, pior, acaba sendo agravado face à crise econômica de tempos recentes. Não são raros os exemplos de pilotos reconhecidos pelo grande talento, mas que tiveram de abrir mão de uma carreira promissora para seguir a vida em razão dos altos e proibitivos custos que o automobilismo impõe.

Diante de tal cenário, a Shell apresentou um projeto ousado e que nasceu para preencher uma lacuna há tempos presente no automobilismo brasileiro. Nascia, no começo de 2015, a Academia Shell Racing, com a proposta de oferecer a grandes talentos nacionais todas as condições de trilhar seu caminho da base ao ápice: seja em âmbito interno, com a transição para a Stock Car, ou então em uma base muito mais profunda, no qual se propõe a levar kartistas de destacada capacidade ao topo do Brasil e do mundo.

A Academia Shell Racing tem sua inspiração em projetos europeus. Equipes tradicionais da F1, como Ferrari, Red Bull, Mercedes e também a McLaren têm seus próprios programas de desenvolvimento que visam dar todo o apoio a um jovem piloto para fazer dele um grande nome da F1. Sebastian Vettel e Lewis Hamilton são exemplos sonantes de êxito.

Mas outras empresas, sem necessariamente ter um vínculo com a F1, também já obtiveram certo sucesso. Dá para citar, por exemplo, os britânicos da Racing Steps Foundation, a russa SMP, a ART Grand Prix, grande força do automobilismo de base, e também a Escudería Telmex, que tem revelado cada vez mais talentos mexicanos para o esporte a motor. A Academia Shell Racing busca trilhar o mesmo caminho. E mesmo com apenas dois anos de existência, o projeto já vem dando resultados sólidos.

Neste terceiro ano, a Academia Shell Racing trabalha em duas frentes: no kartismo, o projeto conta com três pilotos: Felipe Baptista, de 13 anos; Diego Ramos, de 15; e Gianluca Petecof. Aos 14 anos, o paulista já se consolidou como um dos principais kartistas da sua geração não apenas no Brasil, mas também com destaque internacional. Membro da Academia Shell Racing desde seu início, Petecof alcançou, entre tantos títulos e vitórias, o quinto lugar no Mundial de Kart, realizado no ano passado, no Bahrein.

Outra frente da Academia Shell Racing está no foco de formar um piloto vencedor no Brasileiro de Turismo e levá-lo à Stock Car. Depois de dois anos com Dennis Dirani, vice-campeão em 2015, a Academia decidiu dar uma oportunidade ao jovem e talentoso Gaetano di Mauro. Aos 19 anos, o também paulista terá a sua chance de mostrar trabalho na equipe W2 e, caso consiga alcançar os objetivos traçados, deverá ter a oportunidade de ingressar na principal categoria do automobilismo nacional. A Shell, com maciça participação na Stock Car, neste ano é a principal apoiadora da equipe TMG e conta com os experientes pilotos Átila Abreu e Ricardo Zonta, este com passagem de quase oito anos pela F1.

Átila e Zonta são as grandes referências dos meninos que já começam a alçar voos mais altos no esporte a motor. Os integrantes da Academia Shell Racing contam não apenas com o intercâmbio de informações e experiências com os pilotos da Stock Car, mas são formados em vários sentidos: nas pistas e até mesmo em trabalhos de media-training, por exemplo.

Um dos focos da Academia Shell Racing é formar campeões para a Stock Car via Brasileiro de Turismo
Foto: Divulgação/Shell Racing/RF1

Vicente Sfeir é o grande responsável por liderar a Academia Shell Racing. Gerente de patrocínios e esportes a motor da Raízen, que responde pela marca Shell no Brasil, o executivo conversou com a reportagem do GRANDE PREMIUM sobre como funciona o programa, que visa apoiar seus pilotos do início ao fim, mas também exige bons resultados, a mola-mestra de todo esporte de alto rendimento.

“O projeto é inspirado nos programas que acontecem na Europa. Em um deles, há muitos anos, a Elf tinha um programa que contou com o Alain Prost. Então é um projeto que, historicamente, traz uma receita de sucesso para as empresas do segmento de combustível, lubrificantes, e mais recentemente para as marcas ligadas às bebidas energéticas. É um projeto que visa reunir os melhores talentos e proporcionar a eles uma carreira promissora dentro do que a gente valoriza. Nós entregamos a ferramenta, mas cobramos também os resultados e o desenvolvimento dos pilotos para a continuidade deles dentro do projeto”, explica.

No seu início, o programa compreendeu também a participação de pilotos no grid da F3 Brasil. Pedro Cardoso estampou a marca da concha na temporada 2015 na classe Light pela equipe Cesário e, no ano passado, Thiago Vivacqua disputou o campeonato pela Hitech na divisão principal. Entretanto, com a crise que se instalou na F3 Brasil desde 2016, a Shell prefere esperar como vai ser 2017, ano de reconstrução para o certame, ao lado da Porsche Cup, antes de decidir se volta ao grid no ano que vem.

“Na F3 nós não vamos atuar. Em 2015 nós atuamos na categoria Light e no ano passado na Principal. Mas nós percebemos uma instabilidade na categoria e que tirava seu parâmetro de competitividade. Não dá para uma categoria começar com 16 carros e terminar com cinco. Acho que isso tira a referência, e sabemos o quanto a F3 é competitiva lá fora. Então decidimos retirar a F3 do nosso cardápio de categorias para a gente acompanhar como ela vai ser em 2017”, diz Sfeir.

Ou seja: não basta que o piloto seja competitivo e apresente resultados convincentes. A Academia Shell Racing se dedica, acima de tudo, a alocar seus valores em certames sólidos e que são capazes realmente de lapidar um grande talento. O que não foi o caso da F3 Brasil, sobretudo no ano passado. Por outro lado, o kartismo é a grande ‘menina dos olhos’ do programa. A Academia Shell Racing tem três jovens pilotos, sendo que um deles já brilha em âmbito mundial.

Gianluca Petecof já desponta como destaque no kartismo europeu
Divulgação/Shell Racing/RF1

A estrela da nova geração

Gianluca Petecof tem 14 anos, mas já traz um currículo de muito respeito. Quando tinha apenas dez anos, se tornou o mais jovem campeão brasileiro de kart na classe Júnior Menor. Foram tantos outros títulos: bicampeão do Super Kart Brasil, bicampeão paulista, campeão da Copa Brasil e da Copa SP Light, sem falar dos êxitos nos Estados Unidos, onde se sagrou campeão da Mini Rok e do Florida Winter Tour. Aos 12 anos, passou a integrar a Academia Shell Racing com objetivo bem traçado: trilhar sua carreira na Europa, onde estão os melhores kartistas do mundo.

Petecof fez esta transição desde o ano passado e evoluiu muito. A maior prova disso foi a forma como disputou o Mundial de Kart, no Bahrein. Gianluca venceu etapas classificatórias, largou na final em terceiro, chegou a liderar a prova e cruzou a linha de chegada em quinto na classe OK, equivalente à Graduados aqui no Brasil. Em 2017, o paulista vai concentrar a maior parte do seu tempo na Europa, mas deverá disputar algumas competições nacionais por aqui, como o Brasileiro, por exemplo.

A influência da Academia Shell Racing na carreira de Gianluca é nítida não apenas em termos de pilotagem. Sua evolução foi reconhecida pela Tony Kart, marca icônica da modalidade, que não mediu esforços para contar com seu nome entre os pilotos da equipe. Petecof, com o apoio da Shell e também da Tony Kart, passou a realizar um intercâmbio com a Academia de Pilotos da Ferrari, abrindo a primeira porta da sua trajetória para, quem sabe no futuro, ingressar de vez no mundo da F1.

Sfeir não poupa palavras para destacar a importância de Petecof para a Academia Shell Racing. “O Gianluca é uma referência para o projeto, um talento que está conosco desde o primeiro ano. É um menino que começou aos 12 anos aqui com a gente, e procuramos proporcionar a ele a disputa nos principais campeonatos nacionais, onde já identificamos um talento competitivo. Mas ele é um garoto muito completo fora da pista também, um embaixador da marca não só na pista, mas também fora dela”, diz.

“Demos continuidade a esse projeto em 2016 e, consequentemente, fizemos essa projeção para 2017. Não é simplesmente um patrocinador que está investindo para que o Gian tenha sucesso. É uma composição. O Gian tem de ter resultados, a companhia tem de perceber que é um momento importante de desenvolvimento de jovens talentos, e quando ele começa essa projeção internacional, a Shell, por ser uma empresa global, tradicional patrocinadora no automobilismo, começa a misturar as relações internacionais para que a gente consiga proporcionar um nível de competitividade como ele tinha aqui no Brasil”, salienta Vicente, que detalha o trabalho de aproximação envolvendo Shell, Petecof, Tony Kart e a Ferrari.

 

“Quando estávamos no GP do Brasil de F1, recebemos o chefe global de motorsport da Shell, e nós procuramos aproximar nossos pilotos dessas figuras globais para que eles saibam quem são nossos pilotos e possam, de alguma maneira, contribuir. O fato é que logo depois do GP do Brasil, aconteceu o Mundial de Kart no Bahrein. E o Gian teve uma semana excepcional: vencendo classificatórias, largando em terceiro, chegando a liderar a final. No fim das contas, ele chegou em quinto, que também é um resultado excepcional para um piloto naquele nível de competitividade”, lembra.

“E aí, como a gente estava projetando uma carreira internacional para o Gian, ele ia andar para outra fábrica. E o Kai-Uwe Witterstein, que é o gerente global de patrocínios da Shell, me disse: ‘Sugiro que vocês se aproximem do Massimo Rivola, que é responsável pela Academia da Ferrari, para entender qual a melhor estrutura para encaixar o Gian’. E o que aconteceu foi isso. O Massimo Rivola disse: ‘Se você quiser ter o Gianluca no nosso radar, seria bom que ele estivesse dentro da estrutura da Tony Kart’. E aí, obviamente, tudo contribuiu para que tivéssemos o Gianluca lá, e eles não vão abrir mão de um piloto com o Gianluca, que inclusive andou à frente de muitos pilotos da marca no Mundial de Kart. Aí ele caiu como uma luva para fazer parte da equipe oficial da Tony Kart”, completa.

Gianluca Petecof defende a tradicional Tony Kart na Europa
Divulgação/Shell Racing/RF1

Diante do reconhecimento cada vez maior pelo seu talento, pelas vitórias e títulos, Gianluca se mostra muito maduro, tanto em sua pilotagem, mas também nas entrevistas. “Comecei na Academia de Jovens Pilotos Shell Racing logo no começo, em 2015. É um enorme prazer poder representar uma das maiores marcas do mundo, e que também tem grande tradição no automobilismo”, diz ao GRANDE PREMIUM.

“Conquistei o título do Campeonato Paulista Light, e o Vice-Campeonato Brasileiro em 2016. Neste ano, disputo os principais campeonatos do kartismo europeu na equipe oficial da Tony Kart, a maior fábrica de kart do mundo. Espero continuar a parceria com a Shell por muitos anos e conquistar muitas vitórias no futuro”.

“Acho que a experiência que os outros pilotos na Academia podem passar para mim é muito importante, tanto dentro quanto fora das pistas. Principalmente na Stock, ver os pilotos trabalhando com engenheiros e chefe de equipe é muito legal para saber como funciona. Essa parceria da Tony Kart com a Academia de Pilotos da Ferrari também é muito importante porque, além de ter um contato com uma das principais marcas do Automobilismo, poder participar de treinamentos físicos e mentais, e até dividir a pista com os pilotos é bacana demais”, comemora o garoto.

Felipe Baptista se uniu ao programa da Academia Shell Racing no ano passado. Irmão de Vitor Baptista, que disputou a World Series (F-V8 3.5) no ano passado, Felipe faz parte do projeto desde o ano passado, quando foi um dos destaques do Campeonato Paulista Light de Kart ao lado de Petecof. Dono de títulos como o da categoria Cadete no Paulista, o jovem faturou o título do Kantan Kart na classe sub-13 em 2015.

Baptista ressalta o papel da Academia como pilar do seu aprendizado como piloto. “A Shell tem ajudado muito com seu apoio aos jovens pilotos. É a única academia que faz isso hoje no Brasil, que é capaz de te ajudar a levar para a Stock Car ou para uma categoria de monoposto. Isso é importante para dar suporte, além de todo o preparo de media-training. Temos um convívio muito grande com o Zonta e com o Átila, conversamos bastante, sempre pegamos algumas dicas, contam algumas histórias deles, então sempre conseguimos evoluir, isso ajuda a disputar lá na frente”.

De olho no futuro, Felipe sonha com a F1 ou mesmo com o DTM. Mas tem o foco no presente e já traça metas para 2017. “Espero estar entre os dois primeiros colocados do Paulista, ficar entre os três primeiros no Brasileiro, Copa do Brasil, e estar sempre entre os ponteiros. Que seja algo bonito tanto para quem esteja vendo como divertido para mim, além do aprendizado. Você sempre aprende. Com a Shell acredito que vou conseguir alcançar minhas metas porque acho que ela pode me ajudar a levar à F3. Tomara que eu consiga alcançar essas metas e chegar à Europa, e para isso a Academia Shell Racing é fundamental”, avisa.

O time de kartistas da Academia Shell Racing neste ano é completado por Diego Ramos. Aos 15 anos, o piloto também traz um currículo de muito respeito com os títulos de campeão brasileiro, paulista e da Copa do Brasil. Assim como Baptista, Ramos já as duas corridas na primeira etapa do Campeonato Paulista Light.

Ramos chamou a atenção da Shell pelo seu trabalho ao longo dos últimos anos, sobretudo em 2016. O piloto se mostrou ansioso com o início das atividades junto à Academia e ter a chance de adquirir mais experiência com Zonta e Átila, além das competições que terá pela frente. Diego tem total confiança no programa da Shell para alavancar ainda mais a sua carreira. 

“Além da projeção, posso agregar todo o conhecimento dos outros pilotos, e os treinos que eles vão dar são super importantes, indicam como a gente pode ter um plano de carreira, seja aqui no Brasil, no Brasileiro de Turismo, ou então seguir na Europa, como o Gianluca. Mas já tenho minha meta traçada: é continuar por aqui mesmo e fazer a Stock Car no futuro. É um projeto que abre uma grande possibilidade na minha carreira. Fico muito feliz e orgulhoso por representar a marca”, afirma o jovem.

A Academia Shell Racing busca no Brasileiro de Turismo um campeão para a Stock Car
(Carsten Horst/Hyset/RF1)

Em busca de um campeão para a Stock Car

O exemplo de Diego Ramos e seu sonho de um dia chegar à Stock Car é cada vez mais frequente em meio aos pilotos da nova geração no Brasil. A importância cada vez maior da categoria e seu profissionalismo crescente fazem com que muitos nem cogitem mais a cara F1 para fincar de vez suas raízes aqui mesmo em terras tupiniquins. A Shell valoriza sua marca no mercado nacional e já faz parte do grid da Stock Car há bons anos. Depois de patrocinar nas últimas quatro temporadas a equipe chefiada por Rodolpho Mattheis, neste ano a petrolífera multinacional é a principal apoiadora da TMG, time de Americana que é comandado pelo engenheiro Thiago Meneghel.

Mas além da equipe na Stock Car, a Shell também trabalha para formar pilotos que um dia possam estar no grid da categoria em um futuro próximo e, de preferência, no seu próprio time. Assim se justifica o alto investimento no Brasileiro de Turismo, certame de acesso à Stock Car. Com um perfil jovem e vencedor, Gaetano di Mauro foi o escolhido para ser o piloto da W2, time de William Lube, e terá a chance de se desenvolver e chegar ao principal certame do automobilismo nacional.

É uma oportunidade de ouro para o piloto que já mostrou seu talento em diversas competições, seja no kart, F3 Sul-Americana e Brasil, na F4 Inglesa, na Sprint Race ou mesmo no Brasileiro de Marcas. Mas a carreira de Gaetano, em que pese sua capacidade, esbarrou em um complicador frequente: a falta de patrocínio. Depois de avaliar seu potencial, a Shell decidiu dar uma chance a Di Mauro e ofereceu um projeto de dois anos, com objetivos bem definidos: adaptação ao Brasileiro de Turismo em 2017 e título no ano que vem. Se cumprir, o jovem deve ter a sua chance de estar no grid da Stock Car em 2019.

Ao GRANDE PREMIUM, Vicente Sfeir afirma que, além do talento, a juventude de Gaetano pesou para ele ser contratado pela Academia Shell Racing. Di Mauro entra no lugar de Dennis Dirani, hoje com 29 anos, sendo uma década mais novo que seu antecessor. 

Gaetano Di Mauro é a grande aposta da Academia Shell Racing no Brasileiro de Turismo
Divulgação/Shell Racing/RF1

“O ponto é que, ao estabelecer as metas, o Dennis, depois de um vice-campeonato em 2015, não fez um bom campeonato em 2016, então não seria interessante para a gente fazer um terceiro ano com o Dennis no Turismo, considerando a idade dele, 28 anos, sendo que ele não tinha atingido nossa meta estabelecida, que é passada a todo momento para os pilotos. Então, aproveitando esse momento, nós trouxemos um menino que nós sabemos do seu talento e que só precisava de uma oportunidade, que é o Gaetano”, explica.

Gaetano será o piloto da Academia Shell Racing que terá mais contato, até pela proximidade do Brasileiro de Turismo com a Stock Car, com Ricardo Zonta e Átila Abreu, acompanhando a maior parte dos seus trabalhos nos boxes da TMG, compreendendo também todo o ambiente que cerca a Stock Car, desde o trato com engenheiros e mecânicos até o aprendizado da pista e o contato com o público. Di Mauro comemorou por receber a grande chance da sua carreira no esporte a motor.

“Acho que é uma iniciativa muito boa da Shell porque ela te dá uma oportunidade muito boa porque, hoje em dia, patrocínio está muito difícil aqui no Brasil. A Academia seleciona alguns pilotos que ela tem em mente que possam elevar o nome da marca, e acho que isso é algo diferenciado. É difícil você achar um time que faz isso, que apoia o nosso esporte. A Shell entrou dessa forma. Fazer parte desse time é muito bom e vai me ajudar muito. Não sei se teria uma oportunidade como essa para andar na categoria, ainda mais com esse apoio, com essa estrutura”, fala Gaetano ao GRANDE PREMIUM.

“Tenho em mente que pode ser um ano muito bom. Podemos lutar pelo título, com certeza. Pelos testes que fizemos, nós estamos fortes nesse ano. Tende a ser uma temporada muito boa. A equipe é muito boa e muito forte. As trocas de informações vão ser muito importantes porque eles entendem a fundo o que se passa no turismo. Como é uma categoria de aprendizado, não há tanta informação quanto a Stock Car, mas acho que eles podem passar muita coisa para nós. Acho isso importante, cada conversa vai ser válida em termos de acerto, de pilotagem. Isso é bom. Tenho certeza de que vai ser um ano muito bom”, completa o piloto.

A importância do mercado brasileiro faz a Shell investir maciçamente na Stock Car
Carsten Horst/Hyset/RF1

Vicente confirma que a Academia é um programa que deve se estender por muitos anos, ainda mais com os resultados já alcançados no início da sua trajetória. “A Academia de Pilotos tem sim seu projeto de continuidade. Claro que, com todos os investimentos, a gente visa resultados. A medida em que começamos a colher resultados positivos, como estamos colhendo com o Gianluca, o projeto ganha mais força. Mas a gente, lógico, discute todo ano como vai estruturar para os próximos anos. Mas hoje trata-se de um projeto valorizado pela companhia e que não tem nenhuma previsão de descontinuidade, não.”

É louvável o esforço e a iniciativa de uma marca já consolidada não apenas no mercado, mas também no meio esportivo, em empreender um projeto ousado em tempos de crise econômica no Brasil e buscar formas de ajudar a fazer com que o esporte a motor volte a ser forte no país. Diante de tantas notícias ruins que abalaram as estruturas do automobilismo por aqui recentemente, a consolidação da Academia Shell Racing é um grande alento. E mostra que, mesmo em meio às trevas, aquela luz inspirada pelos grandes consegue brilhar.

E a tendência é brilhar cada vez mais.