O que a NFL deve (e vai) ensinar à F1?

Novo dono da F1, o Liberty Media vive falando em fazer do Mundial 20 Super Bowls. E resumir o evento como ‘a final da NFL’ fica longe de retratar a importância de um jogo que, no Brasil, já tem mais fãs que a categoria

Equipe Grande Premium, de São Paulo, Rio de Janeiro e Sumaré

 

SE VOCÊ ESTIVER LENDO ESTA MATÉRIA NESTE DOMINGO (5), até mais ou menos umas 19h (de Brasília), é provável que tenha sido inundado, nas redes sociais e nos sites de notícias, com algo sobre a final New England Patriots @ Atlanta Falcons de logo mais. Mesmo não sendo fã, sua timeline tem referências, de GIFs a vídeos, de memes a informações, sobre o time que tem o melhor ataque contra aquele que tem a melhor defesa, sobre o “marido da Gisele Bündchen”, sobre o que Lady Gaga vai fazer no show do intervalo e que músicas vai cantar. É até capaz que você esteja na casa de um amigo, em um bar ou pub, churrasco ou pizza. A noite vai ser longa. O campeão só vai sair na segunda. 

Tem quem não entenda – ou não quer entender – como um futebol que só predomina naquele canto da América consegue chamar a atenção do mundo e triunfa cada vez mais em terras brasileiras. A resposta simples pode se encontrar na própria América – na forma como só os homens de negócios dos EUA sabem vender. Eles sabem vender. Para isso, usam as TVs: NBC, CBS, Fox Sports e ESPN se dividem e exploram muito bem o esporte; aqui, ESPN e Esporte Interativo ganham em audiência e começam a revertê-la em produtos, ações e, evidentemente, lucros. A aliança com o entretenimento traz quantias espetaculares.

Em mais de duas décadas presente no controle-remoto do brasileiro, a NFL fez do mercado nacional o terceiro principal do mundo. Há tempos se fala em trazer um jogo da liga, e para tal, estão atrás de empresários/homens de negócios para copiar o que tem sido feito com a NBA. O dia em que acontecer, o estádio vai lotar. Como não lota, por exemplo, as arquibancadas de Interlagos nos novembros de GP do Brasil. Porque aqui e lá fora, a F1 vinha parada no tempo nas mãos de Bernie Ecclestone.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O ‘case’ de sucesso da National Football League é o modelo que o novo dono da F1, o Liberty Media, quer aplicar na categoria. A definição que ficou na cabeça do público é a de uma temporada de 20 Superbowls, em alusão à quantidade de corridas da temporada 2017. Claro que ninguém espera que as corridas sejam paralisadas em sua metade para que, por exemplo, Justin Bieber se apresente no GP do Canadá e Anitta apareça no setor G. Mas coisas vão mudar – talvez não tão rapidamente. Precisam. Porque o país que teve Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna já é mais Tom Brady, Aaron Rodgers e Ben Roethlisberger. 

O país que tem Felipe Massa de volta já é, sim, mais ‘Cairão da Massa’. E garantimos que, se ele não jogar no Kansas City Chiefs ou em qualquer outro time, as pessoas não vão desligar a TV e fazer outra coisa da vida como acontece com a F1.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

por

ANDRÉ AVELAR 
GABRIEL CURTY
JULIANA TESSER 
RENAN MARTINS FRADE

RODRIGO BERTON
VICTOR MARTINS

de São Paulo

FERNANDO SILVA
de Sumaré

& PEDRO HENRIQUE MARUM
do Rio de Janeiro

participação especial
EVERALDO MARQUES

 

 

QUANDO RUSSELL WILSON recebeu a chamada de um passe para Ricardo Lockette numa jogada que começava na linha de uma jarda do ataque a 26 segundos do final da partida, era a chance do golpe de misericórdia que garantiria o segundo título seguido do Seattle Seahawks, agora sobre o sempre badalado New England Patriots de Tom Brady e do técnico Bill Belichick. Até que Wilson lançou. Era o passe da vitória, o momento inevitável antes da catarse coletiva em Seattle. Até que deu tudo errado. O defensor Malcom Butler se adiantou, segurou a bola e garantiu: os Patriots, dez anos depois, voltavam a ganhar o Super Bowl.

Não entendeu?

 

 

Descrever a jogada pode parecer demais, mas neste 1º de fevereiro de 2015, nos segundos em que tudo isso se transcorreu, logo após um show ultra produzido da estrela pop Katy Perry, cerca de 115,2 milhões de pessoas assistiam ao evento pela televisão apenas nos Estados Unidos. Nenhum outro evento de qualquer outra magnitude ou assunto jamais, em toda a história da TV norte-americana, alcançou tamanho público. Aquele jogo terminou como o programa de TV mais assistido em todos os tempos, simples como isso.

Parece pouco? As sete maiores audiências da história da TV norte-americana são as edições do Super Bowl de 2010 a 2016. Os de 2009 e 2008 ocupam as posições nove e dez da lista, separados de todos os outros pelo episódio final da série de TV 'M*A*S*H', em 1983. Na verdade, este episódio de uma série de TV lendária é o único intruso numa lista dos 20 programas de TV mais assistidos nos Estados Unidos em todos os tempos, acompanhado de 19 edições do 'Grande Jogo'.

O Super Bowl se torna cada vez mais assistido num período em que a televisão míngua em audiência. Um levantamento do site 'Vulture.com' em 2014 colocou em perspectiva as audiências dos programas de TV atuais quando comparou números daquele ano em contraponto com 20 outros antes. O programa exibido regularmente na TV que melhor se saía nas audiências em 2014, a sitcom 'The Big Bang Theory', ficaria apenas empatada na 57ª colocação na temporada 1994/95.

Então, perceba, se a TV vive uma abstinência dos novos tempos, o Super Bowl é cada vez mais evidentemente à prova de qualquer crise de audiência.

 

 

O surgimento

 

Em termos claros, o Super Bowl é apenas um jogo. Tecnicamente falando, o termo ‘final do Super Bowl’ é equivocado: o Super Bowl é que é a final da NFL. É quando os times que sobreviveram os playoffs – ou mata-mata, na realidade brasileira – jogam um contra o outro, campeão das duas conferências da liga, a Nacional e a Americana. Em tese, são os dois melhores times do futebol americano aquele ano; na prática, a decisão de quem vai levantar a taça e visitar a Casa Branca no ano seguinte – uma tradição nacional nos EUA.

A origem se confunde com a criação da AFL – American Football League –, um campeonato que nasceu em 1960. A NFL já existia e era decidida todos os anos desde 1920 e estava estabelecida, mas não queria conversar sobre expansão. Gente endinheirada e fanáticos por futebol americano queriam sua vez com uma franquia e se frustraram por não ter chance com a fechada NFL. Buscaram numa nova liga o seu caminho. E embora muito menor, a AFL começou a incomodar a irmã maior. Até que, em 1966, depois de alguns anos de dura competição, Pete Rozelle e Lamar Hunt se juntaram para conversar. Rozelle era o comissário, o chefão da NFL; Hunt, dono do Kansas City Chiefs, um dos times da liga rival, foi escolhido para representar a AFL.

 

A conclusão para ambos foi uma fusão. Com calma e sem sobressaltos, a AFL seria completamente absorvida pela NFL num processo que seria completado só em 1970. Até lá, então, ficou resolvido que os campeões das duas ligas fariam um jogo final em campo neutro para definir quem era o grande campeão profissional. O nome oficial? AFL-NFL Championship Game. Complicado demais, muito grande. A imprensa começou a apelidar de Super Bowl com inspirações nos grandes bowls do futebol americano universitário, um nome sugerido por Hunt, mas descartado entre os executivos. Não adiantou. Na terceira edição da decisão, Super Bowl já era o nome oficial – e as duas primeiras ganharam o nome retroativamente.
 
Ainda em 1967, na primeira edição do que era o AFL-NFL Championship Game, a vitória do Green Bay Packers sobre os Chiefs de Lamar Hunt se tornou a atração esportiva mais assistida da história da TV dos EUA. Era a receita do sucesso. (PM)

 

Pela ordem, Pete Rozelle e Lamar Hunt, os 'fundadores' da NFL como é conhecida hoje
NFL

 

Primeiro lugar

 

No mundo dos esportes milionários, a F1 sempre teve um lugar de destaque. Casa de algumas das mais importantes e valiosas marcas do mercado de automóveis de luxo do planeta, o Mundial está acostumado a visitantes endinheirados, cenários luxuosos e cifras de muitos e muitos dígitos.

Mas isso, de alguma forma, parece não mais ser suficiente. Novo proprietário da F1, o grupo Liberty Media não esconde sua ânsia por mudanças e, empunhado de uma bandeira dos Estados Unidos, fala, repetidamente, em transformar o campeonato em 21 Super Bowls.

De maneira simplista, o Super Bowl é o jogo decisivo da liga de futebol americano, mas esta definição passa longe de fazer jus à importância do evento. Com 32 times, a NFL é a maior liga esportiva da América do Norte em termos de renda e número de fãs. 

Uma mostra da importância da liga e, em especial, de seu jogo decisivo pode ser exemplificada pela audiência e pelo custo do intervalo comercial da final. O Super Bowl 50, por exemplo, que foi disputado em 2016 em Santa Clara, na Califórnia, entre Denver Broncos e Carolina Panthers, alcançou a segunda maior audiência das finais da NFL.

De acordo com a Nielsen, empresa que mede audiência nos EUA, o jogo atingiu 49 pontos na TV, contra os 49,7 da edição de 2015, que foi disputada entre New England Patriots e Seattle Seahawks.

Tamanha audiência também se reflete em interesse publicitário, o que torna o intervalo do Super Bowl um dos mais atrativos para os anunciantes. No ano passado, 30 segundos de comercial no jogo que terminou com a vitória dos Broncos no Levis Stadium teve um custo de US$ 5 milhões (cerca de R$ 15,6 milhões), um aumento de 11% em relação ao ano anterior.

 

E a expressividade das cifras não para por aí. A importância dos times é tamanha que muitas das equipes da NFL conseguem fazer frente às gigantes do futebol e da NBA na lista das mais valiosas do mundo.

Na relação divulgada pela revista norte-americana ‘Forbes’ em 2016, a liderança é do Dallas Cowboys, que tem seu valor estimado em US$ 4 bilhões, apesar de não vencer o Super Bowl há 22 anos. 

Outrora líder do top-50, o Real Madrid agora tem a segunda colocação, à frente de Barcelona, New York Yankees, Manchester United, New England Patriots, New York Knicks, Washington Redskins, New York Giants e Los Angeles Lakers. A F1 não colocou nenhuma equipe entre as 50 mais valiosas do esporte.

Em relações individuais, o time de mais valor na F1 segue sendo a Ferrari, que, também de acordo com a lista da ‘Forbes’ do ano passado, tem sua importância estimada em US$ 1,3 bilhão. A Mercedes aparece na sequência, já avaliada em US$ 685 milhões. (JT)

A comemoração do Denver Broncos na volta do time à cidade do Colorado
AFP

 

Super Bo(w)lada

 

Embora o que aconteça dentro do campo seja o foco principal do Super Bowl, o time que leva o Troféu Vince Lombardi para casa não é o único vencedor. Assim como na F1, receber o jogo decisivo da NFL exige um importante aporte econômico, mas a disputa deixa também uma grande herança para suas cidades-sede.

Ao contrário do acontece na Copa do Brasil, por exemplo, onde o palco dos jogos é definido nas fases finais por sorteio, no Super Bowl a escolha é feita de forma independente e muito antes de os finalistas serem definidos. Até por se tratar de uma final em partida única.

As cidades interessadas disputam a nomeação de um comitê da NFL e passam a trabalhar para atender as necessidades de um evento de tal porte. A preocupação vai em várias frentes: desde a organização do evento em si, como na elaboração de roteiros turísticos para os mais variados públicos e a criação de eventos de apoio, como exposições e shows.

Tudo isso, claro, tem um custo financeiro, mas o impacto econômico das edições recentes do Super Bowl tem provado que é um investimento mais do que válido.

 

 

De acordo com um estudo do Instituto de Pesquisas Seidman da Escola de Negócios da Universidade Estadual do Arizona, o Super Bowl 2015, disputado em Glendale, produziu um impacto econômico de US$ 719,4 milhões (cerca de R$ 2,2 bilhões) para o estado, mais de 30% superior em relação à última vez em que o Arizona recebeu o evento — em 2008.

O Comitê Organizador do Super Bowl 50, disputado no ano passado em Santa Clara, na Califórnia, encomendou um estudo independente à empresa de pesquisas Sportsimpacts, que constatou um impulso econômico de US$ 240 milhões (cerca R$ 755,5 milhões) para a região da baía de São Francisco. 

Palco do evento deste fim de semana, Houston também tem expectativas bastante animadoras para a disputa entre New England Patriots e Atlanta Falcons.  Os organizadores esperam atrair 140 mil visitantes de fora da cidade para a partida deste domingo, com um total de um milhão de pessoas participando de algum dos eventos relacionados à decisão ao longo dos dez dias de programação.

Além disso, Houston espera um impacto econômico da ordem de US$ 350 milhões, com US$ 4 milhões destinados a obras de caridades do programa apoiado pela NFL.

Mas um impacto financeiro tão vultuoso não seria possível sem uma série de eventos de apoio. Em Houston, por exemplo, os fãs tem a agenda lotada com atrações que vão desde shows de Bruno Mars e The Chainsmokers, passando por um jogo entre celebridades, patinação no gelo e até a celebração do Ano Novo Lunar. (JT)

 

 

F-Sucesso

 

Desconsiderando a partida, um dos grandes atrativos do Super Bowl é o show do intervalo. Até o início dos anos 90, as atrações eram menos grandiosas, basicamente feitas por apresentações de bandas marciais.

A partir de 91, no entanto, astros do cenário pop começaram a invadir o espaço da NFL. A primeira invasora foi a boyband norte-americana New Kids on the Block, que foi seguida por Gloria Estefan.

A grande virada, porém, veio apenas em 1993. Em uma reação à perda de audiência para uma emissora rival no ano anterior — quando a Fox exibiu um episodio especial da séria ‘In Living Color’ —, a CBS decidiu escalar uma atração grandiosa para o Super Bowl XXVII, disputado entre Buffallo Bills e Dallas Cowboys, no estádio Rose Bowl, em Pasadena, na Califórnia.

Depois de longa negociação, Michael Jackson concordou em se apresentar, e a exibição do ‘Rei do Pop’ marcou a primeira vez em que o show do intervalo aumentou a audiência entre as metades do jogo. 

Desde então, a apresentação passou a ser bastante cobiçada e já contou com artistas — entre headliners e participações especiais — do gabarito de Diana Ross, Stevie Wonder, Phil Collins, Aerosmith, U2, Sting, Justin Timberlake, Janet Jackson, Paul McCartney, The Rolling Stones, Prince, Bruce Springsteen, The Who, The Black Eyed Peas, Usher, Slash, Madonna, Beyoncé, Bruno Mars, Red Hot Chilli Peppers, Katy Perry e Coldplay.

Na partida deste domingo, a honra caberá a Lady Gaga, que já havia participado do SB do ano passado cantando o hino americano.

 

 

Embora seja difícil repetir tal espetáculo na F1, Austin já mostrou que contar com um astro da música pode servir de impulso para uma corrida. No ano passado, a programação do GP dos EUA contou com um show de Taylor Swift no sábado.

Novo diretor-esportivo da F1, Ross Brawn vê iniciativas como essas com bons olhos e acredita que o envolvimento do Liberty Media com a Live Nation pode facilitar esse caminho. O grupo de mídia norte-americano é dono de 34% das ações da produtora baseada em Beverly Hills, que também assina contratos como selo discográfico, embora sem tomar posse das músicas.

“Austin, por exemplo, teve Taylor Swift no sábado a noite e foi um grande êxito. Desta forma, os que não são fãs das corridas, mas sim da música, também vêm para a corrida e começa a existir uma interessante sinergia”, avalia Brawn. “O Liberty Media tem uma grande participação na Live Nation, que é um promotor de show muito importante, por isso, pode ajudar os promotores. Se trata de criar um pacote muito mais interessante, que todo o fim de semana, ou inclusive toda a semana de um GP, seja um acontecimento."

A iniciativa, por outro lado, não é absolutamente inédita. O Mundial conta, por exemplo, com o ‘F1 Rocks’, que desembarcou em São Paulo em 2010. Naquela ocasião, o rapper Eminem fez sua primeira visita ao Brasil e levou cerca de 25 mil pessoas ao Jockey Club para um evento que contou, ainda, com apresentações de Marcelo D2 e N*E*R*D, de Pharell Williams e Chad Hugo. (JT)

 

Duas grandes cantoras, Jessie J (do hit 'Price Tags' e atualmente jurada do 'The Voice Australia') e Macy Gray (de 'I Tray') estiveram no GP do Brasil em 2011, quando havia o 'F1 Rocks')
AFP

 

Comercial como forma de arte

 

Para que tornasse, porém, a máquina incrível de popularidade que é atualmente, alguns outros elementos precisavam ser colocados. Um deles chegou em 1984. Naquele ano, o Super Bowl XVIII viu o Los Angeles Raiders passar por cima do Washington Redskins, então treinado pelo hoje dono de equipe da Nascar, Joe Gibbs. Mas o resultado e a importância esportiva daquele jogo são menos importantes que uma propaganda no intervalo do jogo. Uma superprodução da Apple, que contratou o diretor de cinema Ridley Scott, então uma sensação após dirigir filmes como 'Alien: O Oitavo Passageiro' e 'Blade Runner: O Caçador de Andróides'. Tratava-se do anúncio da estreia do Macintosh, o revolucionário computador da Apple. O comercial foi baseado no clássico romance distópico de George Orwell '1984'.

 

Estreando naquele dia, o anúncio foi um sucesso. Considerado um marco, é tratado em círculos especializados como o melhor comercial de TV já feito. Ainda mais do que isso: o sucesso ressonante fez com que se iniciasse a era de valorização da chamada de novos produtos, filmes e qualquer coisa relevante na cultura popular no intervalo do Super Bowl. Os comerciais do Super Bowl deixaram de ser peças de publicidade e se tornaram obras de arte cuidadosamente arquitetadas por companhias gigantes durante todo um ciclo de trabalho. Assim, por conseguinte da pura relação entre oferta e demanda, nasceu a lenda [que, nesse caso, é real] mais famosa do Grande Jogo: a do horário mais caro para publicidade.

 

Quem quiser passar um comercial de 30 segundos durante o intervalo do Super Bowl LI terá que desembolsar módicos US$ 30 milhões – cerca de R$ 93,7 mi. (PM)
 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como reagir?

 

O GP do Brasil é o principal evento esportivo em São Paulo — ou, ao menos, aquele que mais gera retorno à cidade. São dias que aquecem muito a economia local, hotéis, restaurantes e outros atrativos, movendo cerca de R$ 260 milhões. Entretanto, os eventos pré-corrida nem de longe andam na mesma direção. A impressão que se tem é que a F1, quando chega ao Brasil, vive num universo paralelo que se restringe a poucas ações extrapista antes das atividades do fim de semana em Interlagos. E tendo em vista a intenção do Liberty Media, a empresa terá algum trabalho para implantar sua filosofia de trabalho no Brasil.

É possível fazer? Para não ir muito além e ficar restrito à F1, dá para tomar como base o que foi feito na semana que marcou o retorno do México ao Mundial depois de 23 anos. Os pilotos, talvez não todos, mas na sua maioria, interagiram perfeitamente à cultura e as tradições mexicanas, incluindo aí a lendária ‘lucha libre’ e a peculiar culinária, além da música. Não à toa, o evento em si foi um sucesso, mas houve uma completa sinergia entre pilotos e os fãs. E isso ajudou muito.

 

 

No Brasil em 2016, a maior parte das ações envolvendo os pilotos antes da programação do fim de semana em Interlagos foi voltada à imprensa, como a entrevista coletiva de Nico Rosberg no hotel Grand Hyatt e a apresentação de Carlos Sainz e Daniil Kvyat, pilotos da Toro Rosso, na Arena Corinthians. Outros poucos pilotos ficaram mais próximos do público: Jolyon Palmer e Kevin Magnussen, então a dupla da Renault, e Nico Rosberg visitaram o Salão do Automóvel. Aquele que mais se integrou com a cultura paulistana foi Lewis Hamilton, que participou de um evento da PUMA e ajudou a fazer um grafite em sua homenagem antes de acelerar.

As demais grandes estrelas do espetáculo ficaram praticamente alheias às vésperas da etapa brasileira. Diferente do que acontece em países como Japão, México, Canadá e Austrália, em São Paulo sequer há a sessão de autógrafos. Alguns pouquíssimos privilegiados que podem desembolsar acima de R$ 6 mil por um ingresso (no Interlagos Club) têm o luxo de respirar a atmosfera da F1 um pouco mais de perto.

Fica claro que há um distanciamento do universo da F1 em relação ao público em geral no Brasil. São Paulo, uma cidade tão rica em cultura e eventos, tem potencial de sobra para fazer com que o GP do Brasil fique um pouco mais perto da população. Integrar alguns nomes do esporte a costumes locais e levá-los a locais como o Centro de Tradições Nordestinas, o Parque do Ibirapuera, o Mercado Municipal ou mesmo a um jogo de futebol em um dos estádios da capital não seria nem de longe uma má ideia. (FS)

 

 

Equação 'Tostines'

 

Uma recente pesquisa divulgada pelo Ibope Repucom indica que 28 milhões de internautas — 41% do que se chama de Sponsorlink, a quantidade de internautas brasileiros— se declaram fãs de automobilismo. Ao GRANDE PREMIUM, o instituto detalha onde a F1 está inserida neste conexto.

"Entre as categorias automobilísticas nacionais e internacionais pesquisadas, a F1 é a primeira em nível de interesse: 46% da população de internautas, sendo que, desses, 29% são superfãs da categoria (entrevistados que declararam ter 'muito interesse'), explica o Ibope Repucom. Isso representa, em números, 12,9 milhões de internautas.

E, acredite, este número já é menor do que os fãs de futebol americano.

A dúvida que pode ficar para o fã de F1 é como o daquela bolacha: “O Super Bowl é importante porque muita gente assiste, ou muita gente assiste porque é importante?”.

 

 

Editor-geral do 'The Playoffs', portal dedicado aos esportes americanos, Ricardo Pilat ajuda a compreender o fenômeno Super Bowl analisando justamente o comportamento das pessoas nos Estados Unidos. Pilat inclusive compara a decisão da NFL com outro grande evento de repercussão internacional, que atrai tanto apreciadores do jogo em si quanto testemunhas da história: a Copa do Mundo.

“O futebol americano faz parte da cultura americana. Está intrinsecamente ligado ao estilo de vida do americano, a forma como o povo dos Estados Unidos enxerga a vida, por isso, é o esporte mais popular por lá. O Super Bowl é a grande final da NFL, em jogo único e a liga trata tudo como um grande show. Então, todo mundo quer assistir ao jogo e ao evento. Para eles, é como assistir a uma final de Copa do Mundo, só que anualmente”, explica Pilat. 

Em terras brasileiras, ainda informa o Ibope Repucom ao GRANDE PREMIUM, 15,2 milhões de internautas são fãs de futebol americano, 78% deste público com TV por assinatura em casa. Os números colocam o Brasil como segundo maior mercado da NFL fora dos Estados Unidos, ficando atrás somente do México – mesmo com as tensas relações diplomáticas dos últimos meses, o país inclusive voltará a sediar uma partida da temporada regular em 2017/2018, algo que acontece também na Inglaterra.

 

 
Rodrigo Berton

 

Apesar da base parecida de fãs na internet e no cabo, automobilismo e futebol americano vivem momentos distintos nas diferentes grades de programação de TV. O esporte da bola oval vem ganhando a cada ano mais espaço na fechada; o automobilismo tem perdido terreno na aberta. 

A então despedida de Felipe Massa do GP do Brasil, em mais quatro horas de transmissão, deu novo fôlego aos números de audiência na Globo. Os 16,9 pontos na Grande São Paulo (1,1 milhão de domicílios) renderam a melhor marca em quatro anos. No ano anterior, em 2015, a emissora havia amargado justamente a pior audiência com míseros 10,8 pontos (749 mil domicílios).

Depois do Super Bowl 50, a ESPN brasileira comemorou os resultados em todas as suas plataformas, mas limitou-se a dizer oficialmente que o canal “liderou a audiência na TV por assinatura”, com 62% de share entre todos os canais de esporte do segmento, com permanência média de 1h47 —levando-se em conta que Denver Broncos vs. Carolina Panthers caiu em um domingo de carnaval, tirango gente de frente da TV, mas aumentando a busca pelo aplicativo Watch ESPN. E mais de 10 mil ingressos foram vendidos para a transmissão da partida em salas de cinema. 

Pela data, o recorde de cerca de 500 mil pessoas que em algum momento pararam em frente à TV no jogo final de 2015 dificilmente foi alcançado, mas a temporada foi tida como um sucesso. O canal informou que houve um crescimento de 78% na audiência entre o primeiro jogo e a última partida das finais de conferência no comparativo de um ano para o outro.

 

 

Nos EUA, o Super Bowl 50 rendeu 49 pontos de audiência à CBS segundo a Nielsen. O número corresponde a cerca de incríveis 111,9 milhões de pessoas, o terceiro maior público da história – a primeira colocação, com 114,4 milhões de espectadores, foi a decisão de 2015, com 49,7 pontos.

Mas de nada adianta tamanho interesse do público se não houver dinheiro em caixa. Os norte-americanos sabem como ninguém capitalizar e se orgulham de contabilizar US$ 370 milhões (R$ 1,15 bilhão) em anúncios durante o jogo de acordo com Kantar Media. A agência ainda garantiu que o valor corresponde à inserção publicitária domada das quatro principais emissoras de TV aberta dos EUA em uma semana.

Por aqui, guardadas as diferenças econômicas, a Globo também comemorou a comercialização total de seu espaço publicitário para a temporada 2017 de F1. Mais do que isso, ainda escalou Galvão Bueno, a voz oficial das corridas na emissora, para afastar qualquer teoria da conspiração que colocasse em dúvida o futuro das transmissões.

Com ou sem Felipe Massa, a Globo negociou anúncios com Santander, Itaipava, Nestlé, Renault, TIM e Unilever. Cada empresa paga R$ 87,2 milhões, totalizando R$ 523,2 milhões pela temporada. (AA)

 

 

Um escândalo de peito

 

Desde as primeiras edições do Super Bowl, sempre houve uma atração para animar o estádio no intervalo. Só que durante mais de duas décadas, as escolhidas foram bandas marciais e algumas personalidades famosas, como Ella Fitzgerald e Mickey Rooney, se apresentando ao lado de outras bandas, nunca como artistas solos e responsáveis por fazer do pequeno show seu. Na década de 90, vieram as mudanças, e o jogo ficou pesado por conta da guerra de audiência quando Michael Jackson foi chamado em 1993.

Mas o momento mais famoso do show do intervalo chegaria apenas 11 anos depois, com outro membro do clã Jackson.

Foi em 2004 que Janet Jackson e Justin Timberlake se juntaram para cantar a última música de um show repleto de atrações e que misturou hip-hop, country e pop. Até que, por uma fração de segundo, o seio da irmã de Michael foi exposto por Timberlake num acidente performático. Em casos normais, seria um tanto quanto tacanho citar um simples momento de nudez como fator importante – mas fato é que, inacredivelmente, foi.

É um dos momentos mais relembrados sobre o Super Bowl e permeia a cultura popular. Foi, na época, apelidado de 'Nipplegate' – algo como 'Escândalo do Mamilo' – e se tornou o momento mais retornado da história em gravadores digitais segundo palavra oficial da fabricante TiVo. E tornou 'Janet Jackson' o termo mais procurado em toda história da internet até aquele momento. 

Tamanho foi o impacto cultural daquele segundo que um dos criadores do site de compartilhamento de vídeos 'YouTube', Jawed Karim, afirmou que o 'Nipplegate' de Jackson foi a primeira grande motivação para a invenção do site. (PM)

 

 

A alma do negócio

 

Um ponto fundamental que explica as diferenças entre NFL e F1 no que diz respeito aos números de audiência e das redes sociais passa pelo marketing. Enquanto a categoria máxima do esporte a motor seguiu um modelo europeu e saturado por Bernie Ecclestone — em que apenas uma pessoa era responsável pela organização toda —, a liga americana avançou com uma visão varejista e, agora, passou a expandir além de suas fronteiras.

Nada menos que 80 pessoas cuidam dos negócios da NFL só nos EUA. É uma inclinação à vanguarda que nenhum povo ou organização consegue alcançar. 

"O americano, geralmente, está na frente como tendência, dita mais como a indústria caminha, e tem uma visão mais de varejo para o esporte do que o europeu", analisa o jornalista Erich Beting, do site 'Máquina do Esporte'. "Ele entende que, um estádio com lugar vago significa perda de dinheiro, então ele baixa o preço do ingresso, lota e gera o consumo ali dentro do estádio. Os europeus, muitas vezes, respondem a coisas criadas pelos americanos e as implementam mais tarde."

 

 

O mercado interno fortíssimo da NFL e o fato de uma temporada da liga durar bem menos que uma da F1 são fatores que pesam para que os americanos tenham um maior número de grandes eventos e melhor explorados.

"Tem uma diferença fundamental entre as duas, já que a NFL é um evento mais curto. E a NFL é uma liga que tem um mercado local muito forte, o mais forte do mundo, que faz com que ela gere mais receita", explica Beting. "Se for ver bem, a NFL começou a expandir fora dos EUA agora — porque antes ela meio que nem precisava, de tão grande que era o negócio, então o risco de dar errado era muito pequeno."

O jornalista aponta a mudança da gestão da F1como algo fundamental com a entrada do Liberty Media e de Chase Carey no lugar de Ecclestone. Mais do que 'americanizar' o marketing, a categoria deve pensar em recuperar o terreno perdido no mercado europeu.

"Pelas primeiras medidas, eles estão pensando em rejuvenescer a imagem da F1, já que a categoria virou um produto muito velho no mundo todo. O jeito Ecclestone de fazer negócio só piorou isso, já que ele era um cara totalmente avesso às modernidades de comunicação. Para piorar, a F1 foi um esporte que se fez nos tempos em que viajar pelo mundo e ter carro era uma coisa difícil, era também uma sociedade muito mais machista, ela era símbolo de poder, de status. O que os novos donos querem fazer é reconquistar o público europeu, também perdido um pouco nessa expansão recente por lugares como Abu Dhabi, mas também seduzir os americanos, um público novo, algo que a F-E vem fazendo bem, com grandes sacadas, coisas de modernidade", diz Erich.

 

 

Beting também indica a falta de inovações na transmissão dos eventos da F1 como justificativa para a perda de popularidade da categoria. Com as redes sociais em baixa, uma saída interessante para a F1 seria ter pilotos mais próximos do público.

"O primeiro passo deveria ser rever o modelo de televisão que ela tem. Se formos ver, a transmissão dos tempos do Senna eram quase iguais, plano longo para mostrar o patrocinador e etc. Isso é algo que deveria mudar radicalmente, talvez com o fã podendo fazer a escolha da câmera, participando da transmissão nas redes sociais", fala Erich. "A transmissão em eventos esportivos evoluiu muito nos últimos tempos e a F1 parou. Nas redes sociais, é preciso arrumar um jeito de fazer com que o jovem, que hoje já não é mais parado por carros, volte a se interessar, então talvez uma saída seja trazer atletas para mais perto do negócio F1", sugere.

Uma das grandes atrações do Super Bowl é o show do intervalo, sempre com grandes nomes da música mundial. Algo parecido seria essencial para que a F1 chamasse para ela um público novo, atraindo olhares que não apenas os de pessoas apaixonadas por corridas.

"A F1 deveria pensar em ter mais entretenimento, é um ótimo caminho e que mudaria o perfil do público dela. O problema é que ela hoje interessa apenas ao cara tarado por carro e antes ela era o que o futebol americano e o tênis são hoje. É coisa de status ir ver (Rafael) Nadal, (Novak) Djoković, os torneios, e isso se perdeu na F1. Unir o entretenimento ao esporte talvez fosse uma ótima saída, já que hoje, nos autódromos, quase sempre o que a gente vê é um dia longo, mas cheio de outras categorias, então isso não agrega nada de diferente, não puxa um público diferente", completa. (GC)

 

Os preços de artigos de NFL e F1 em lojas oficiais
Rodrigo Berton

 

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Um grupo engajado 

 

Não é como se todo mundo estivesse, hoje, usando as redes sociais – mas uma boa parte dele está. Assim, a internet expandiu o seu próprio microcosmo, transformando produtos, marcas e eventos em sucessos incríveis ou fracassos retumbantes.
 
Quando falamos de grandes eventos transmitidos pela televisão, esse efeito é ainda maior. Tudo porque existe o fenômeno conhecido como 'segunda tela', com os telespectadores com um olho na TV e outro no celular, postando – principalmente – no Facebook e Twitter. E quando falamos de Super Bowl, os números desse fenômeno são superlativos.
 
De acordo com dados da rede social do pássaro azul, foram feitos 27 milhões de tweets sobre a final da NFL em 2016, sendo vistos 4,3 bilhões de vezes em todo o mundo. Na rede criada por Mark Zuckerberg, 60 milhões de pessoas se engajaram em conversas sobre o Super Bowl 50, gerando 200 milhões de postagens. Isso tudo em um ano fraco: o número de pessoas comentando a vitória do Denver Broncos sobre o Carolina Panthers teve uma queda de 25% no Facebook. Tudo porque os Patriots não estavam em campo.

 

 

No caso da F1, não existem números tão específicos quanto os do Super Bowl, de apenas um evento em nível global. É algo que, de certa forma, deixa claro a menor importância da categoria máxima do automobilismo. A F1 fica de fora até da campanha de engajamento que o Facebook tem feito com outras modalidades esportivas, como o futebol e o basquete, ao trazer o placar das partidas na própria timeline do usuário.
 
No entanto, os resultados do Super Bowl não são algo de um dia só. As conquistas são reflexo das mais diferentes táticas da NFL, times e jogadores. Um esforço de meses, de fato, que começa pela relação diária.
 
“Nós tomamos vantagem de várias novas tecnologias para engajar mais a nossa audiência do que no passado”, disse, em 2013, o então gerente de redes sociais da NFL, Duane Munn, em entrevista ao ‘Mashable’ -- ele ocupou o cargo até o início de 2016. “Não importa se é um GC na TV convocando as pessoas a tuitarem suas opiniões ou participarem de uma enquete no Twitter – que depois é discutida no ar pelos analistas – ou apenas responder a um sentimento na web, nosso maior objetivo é fazer uma comunicação melhor com os fãs online."

 

É um touchdown atrás do outro da NFL sobre a F1 pela internet
Rodrigo Berton

 

Bernie Ecclestone, ex-chefão da categoria, chegou não só a criticar o quanto Hamilton mostrava dos bastidores do esporte, como mandou limitar o que era exibido por lá. E não é só ele, não: em 2015, o tetracampeão Alain Prost também fez críticas para a publicação alemã ‘Speedweek’ – não aos pilotos, mas aos que fazem os comentários. "Na minha época não tinha redes sociais e, na minha opinião, elas contribuem para manchar a imagem da F1. Os fãs só se dedicam a escrever comentários ruins."
 
Outro que sofreu recentemente foi Romain Grosjean. O francês passou a pilotar pela norte-americana Haas no início de 2016 e, para divulgar a nova empreitada na carreira, postou vídeos e fez transmissões ao vivo durante a pré-temporada. Acabou recebendo uma ordem da FOM para que os materiais fossem excluídos.
 
“Fiz uma transmissão ao vivo na minha página no Facebook durante um dia de filmagens, assim como do meu quarto ontem”, disse Romain, à época. “E a FOM me pediu para remover todos os vídeos. Tínhamos mais de um milhão de visualizações em todos eles”, contou.

 

 

Criticadas ou não, as postagens fazem de Lewis Hamilton o único piloto da F1 no nível dos maiores da NFL, ao menos quando falamos de redes sociais. O único “índice” no qual o tricampeão superado é no Facebook, onde ele perde para Tom Brady – 4,2 milhões contra 3,9 milhões. De qualquer forma, cada um deles 'vale' por uma Scuderia Ferrari.

Somando tudo fica mais fácil entender o abismo que separa, ao menos na internet, o GP de Mônaco do Super Bowl. A conversa sobre a modalidade esportiva precisa ser, diariamente, fomentada, incentivada. Só assim o floco de neve vai ganhando tração e massa – para, no dia do grande evento, se transformar em uma grande avalanche que obrigue a todos participarem desta conversa.

O Liberty Media vai conseguir? É difícil responder, afinal isso passa por uma série de variáveis, mas acordar para o problema já é um começo. (RF)

 

Os três jogadores da NFL e os três pilotos da F1 que tem mais fãs e seguidores nas redes sociais
Rodrigo Berton
Everaldo Marques é a principal voz da NFL no Brasil há alguns anos. Mas o hoje narrador da ESPN começou sua carreira no jornalismo exatamente no GRANDE PRÊMIO, em 2000. Everaldo cobriu também durante anos a F1 pelas rádios Jovem Pan e Estadão/ESPN. E descreveu o que é que a categoria pode aprender com o futebol americano
Reprodução

 

A NFL divide por igual os direitos de televisão. A grana que entra para o New York Giants, que é o time de uma cidade de 10 milhões de habitantes, é a mesma grana que entra para o Green Bay Packers, de uma cidade de 100 mil habitantes. Não importa se o mercado local é grande ou pequeno, os times têm mais ou menos o mesmo poder econômico, e isso equilibra as coisas. Não é como no Campeonato Brasileiro: recentemente, o São Paulo repatriou o Kaká, e o Avaí não teria dinheiro para isso. O poder econômico de São Paulo e Avaí é muito diferente. Na NFL, não: a grana é a mesma para os 32 times.

A televisão não é a única fonte de renda das equipes da NFL, mas é a maior. Esse dinheiro é dividido por igual. Junto disso, outro fator que ajuda no equilíbrio é o draft. O time que faz a pior campanha de uma temporada é o primeiro a escolher os universitários que vão se profissionalizar. Quem está com a geladeira mais vazia faz a feira primeiro. É a opção de conseguir um jogador que muda a franquia.

 

 

Em 2011, Peyton Manning foi embora do Indianapolis Colts depois de se contundir e não jogar a temporada inteira. O time foi péssimo e ficou em último. Por ficar em último, o Indianapolis foi o primeiro a ‘draftar’. Escolheu o Andrew Luck, que colocou a franquia no caminho das vitórias outra vez. Em 2012 o time foi para os playoffs e é um dos mais fortes nos últimos anos. São raros os casos de equipes que passam muitos anos na pior. Quem está há mais tempo fora dos playoffs é o Buffalo Bills, que não vai desde 1999.

O equilíbrio de dividir os direitos de televisão por igual, aliado ao equilíbrio técnico, resulta em algo que não seja um campeonato de cinco times, como é no Campeonato Espanhol ou Alemão. Lá são poucos times competindo pelo título. Na NFL, essas tentativas todas de equilíbrio fazem que uns 20 dos 32 tenham chances reais de ser campeões. Isso faz com que a NFL, na hora de vender direitos de transmissão, argumente que está vendendo um campeonato de 20 bons times. E as TVs pagam por isso: estão entregando vários jogos de alto nível. E as TVs pagam.

Imagina como seria a F1 se o orçamento de uma equipe pequena fosse próximo do orçamento da Ferrari, da Mercedes ou da McLaren. Isso fatalmente diminuiria o desequilíbrio técnico.

 

 

 

 

 

 

O Super Bowl é muito caro, é muito difícil você entrar lá. Virou praticamente um evento corporativo, a maior parte do ingresso vai para patrocinadores. Mas quem for para Houston nesse final de semana vai encontrar shows, um parque temático, vai poder brincar, fingir que é quarterback, chutar Field Goal. A cidade está repleta de coisas relacionadas ao futebol americano. Mesmo sem ter um ingresso, é um grande programa. Alguns ficam lá na quinta-feira, sexta-feira e sábado. Voltam para casa domingo para ver o jogo, e estão muito felizes.

Na segunda-feira também tinha o Media Day. Todos os jogadores vão para o estádio e ficam conversando com jornalistas, uma hora para cada time. Nos últimos três anos, virou uma festa para o público: passou a ser aberto, as pessoas podem conhecer o estádio, ver os jogadores, ouvir as entrevistas. Também dá para tirar uma foto, pegar um autógrafo. Mas o mais importante é que o público tem acesso aos jogadores, sendo que você só conseguia isso com ingresso para o Super Bowl. Cobra-se muito pelo ingresso, mas existe uma preocupação com quem não vai conseguir ver o jogo. (EM)

 

SB LI
AFP