Vilão e mocinho na luta pelo título

Lewis Hamilton bateu Sebastian Vettel por 0s051 no treino classificatório para GP da Espanha e, ainda que seu rival não queira, iniciou ligeira guerra psicológica na briga pelo título da F1 ao provocá-lo sobre o incomum procedimento de largada

André Avelar, São Paulo

Queira Sebastian Vettel ou não, a guerra psicológica faz parte da F1. Lewis Hamilton conquistou neste sábado (13) a pole-position na pista, sim, mas não perdeu a oportunidade de fazer ligeira provocação ao rival antes do GP da Espanha. O piloto da Mercedes levou a melhor por apenas 0s051 e já fez questão de intimidar o da Ferrari sobre a largada na pista de Barcelona.

Em mais uma grata surpresa dos novos donos da F1, a coletiva dos pilotos deixou de ser naquela sala padronizada da Austrália a Abu Dhabi, com os três melhores do dia, e se mudou direto para a linha de chegada — com direito até a participação do sétimo colocado Fernando Alonso. Ali mesmo, no grid de largada, os pilotos vivenciaram o calor da torcida espanhola, e coube a Hamilton o divertido papel de ‘vilão’ diante do ‘mocinho’ Vettel. 

Vettel brincava com o fato dos dois postulantes ao título serem primeiro e segundo, mas era para ficar de olho no vencedor da última corrida Valtteri Bottas, que largará da terceira colocação. Ao melhor estilo ‘brincadeira com fundo de verdade’, Hamilton disse que era para ficar mesmo preocupado com Vettel, que já havia adotado ‘procedimento incomum na largada’. No GP da China, há duas corridas, o piloto posicionou sua Ferrari com o pneu direito no limite do colchete e irritou Hamilton, que naquela oportunidade saiu na frente de qualquer forma.

 

O respeito, principalmente do inglês pelo alemão, é enorme, e isso não deve abalar a boa competição até aqui. Mas Hamilton já demonstrou que prefere muito mais a relação de amor e ódio que tinha com Nico Rosberg entre 2014 e 2016, quando ganhou e perdeu do companheiro de Mercedes. Ninguém imagina Hamilton jogando o boné de segundo colocado em Vettel, mas, sem dúvida, certo ou errado, ele prefere brigar dessa forma com seus rivais no Mundial.

Por outro lado, o #5 chegou a mudar o tom de voz na primeira entrevista coletiva da F1 em Barcelona. O piloto disse categoricamente que não entra em guerra psicológica e essa não faz parte de sua estratégia para alcançar o sonhado quinto título na carreira. Não esperava, no entanto, que o #44 tomaria tal atitude. A reação quase incrédula do alemão deixou claro que, logo ele, não esperava tal atitude.
 

 

O mais importante de tudo isso, no entanto, é que Hamilton voltou a andar bem e, nem de longe, lembrou o péssimo piloto que esteve na Rússia com erros de todas as formas. Assim, conseguiu a 64ª pole-position da carreira, uma a menos que o ídolo Ayrton Senna. Ainda que com um carro distante do ideal, Vettel se mostra confiante na apertada briga pelo título.
 
Se nos últimos dez anos, o GP da Espanha não teve vencedores repetidos, é difícil imaginar que lugar mais alto do pódio escape desses dois que também escreveram seus nomes na história recente da corrida de 2007 até o ano passado: Felipe Massa, Kimi Räikkönen, Jenson Button, Mark Webber, Vettel, Pastor Maldonado, Fernando Alonso , Lewis Hamilton, Nico Rosberg e Max Verstappen .
 

Cadê a Williams?
 

Muito se diz que a Williams briga com a Red Bull para ser a terceira força do campeonato. Nada feito. Felipe Massa passou com muita dificuldade para o Q2 e conseguiu a nona colocação, ficando atrás até da McLaren do 'milagreiro' Fernando Alonso. O pior mesmo, como não poderia deixar de ser, ficou por conta de seu companheiro de equipe Lance Stroll. O canadense ficou apenas na 18ª posição, antepenúltimo do grid.

O desempenho atrás de uma McLaren e uma Force India, no caso de Massa; e atrás de duas Haas, duas Renault e duas Sauber no caso de Stroll, torna-se ainda mais preocupante na pista espanhola. Justamente por lá, as equipes testaram tudo que foi possível antes mesmo de a temporada começar. A Williams, inclusive, desempenhou bom papel por lá e deixou a ilusão de que poderia fazer algo mais. Por isso, era de se esperar que a equipe conhecesse todos os segredos em Barcelona.

Ainda nos treinos livres, Massa já havia dado o recado que o circuito seria cruel com os carros do time inglês. Em ótima fase técnica e mental, o brasileiro terá mais uma vez tirar tudo do carro para chegar só em uma posição intermediária. Do outro lado, as Red Bull seguem à sombra de Mercedes e Ferrari.

Dono da festa
 

Que Alonso é um ótimo piloto, todo mundo sabe. Daí a colocar esta McLaren na sétima posição, era impensável. O espanhol fez a alegria dos fãs que lotaram as arquibancadas de Barcelona ainda que atualmente não tenha mais condições de brigar pela vitória — a última da carreira foi exatamente na Espanha, conquistada há quatro anos. 

Na sexta-feira, Alonso chegou a enfim elogiar o motor Honda. Depois de dois anos e meio, as palavras foram ainda um pouco tímidas, o que dá indícios de que a relação pode não ser tão boa assim. Haja visto por exemplo, a penúltima colocação do seu companheiro Stoffel Vandoorne.