Vettel não é só um carro

Piloto alemão contrariou as expectativas e acelerou muito para colocar a Ferrari à frente das Mercedes no GP do Bahrein. A briga pelo penta é real, mas Lewis Hamilton não desistirá da luta pelo tetracampeonato – e ainda terá a ajuda do já fiel escudeiro Valtteri Bottas

André Avelar, São Paulo

Tetracampeão da F1 nos tempos áureos da Red Bull, Sebastian Vettel ganhou dos mais críticos a pecha de ‘piloto de um carro só’ tamanha a superioridade de 2010 a 2013. A vitória neste domingo (16), no GP do Bahrein, mais uma vez confirmou o quão bom piloto é o alemão. A Ferrari inegavelmente tem um carro competitivo, mas não era o suficiente para bater as Mercedes de Lewis Hamilton e Valtteri Bottas, que completaram o pódio.

A vitória, que antes parecia mais uma miragem, contou com um complicador para o público. A punição de 5 segundos a Hamilton, por ter infaltilmente retardado o ritmo de entrada no boxe e assim prejudicado Daniel Ricciardo, o quinto, foi fundamental na história da corrida. Mesmo assim, Vettel precisou fazer o que mais sabe: acelerar. Também se livrou do pelotão mais lento na metade da corrida e só aí contou com a vantagem por ter Hamilton preso nos boxes. Como resultado, voltou a ficar isolado na liderança do Mundial, com sete pontos de vantagem para o rival.

Exceto pela ótima largada, o #5 não fez aquela corrida de encher os olhos. O GP da China mesmo já havia sido muito mais performático. Mesmo assim, é evidente que o alemão quer, e está mais perto do que nunca, do sonhado pentacampeonato. Desde que se mudou para a Ferrari em 2015, o sonho existe, claro, mas nunca foi tão atingível. Aos 29 anos, a forma física, técnica e o lado psicológico estão bastante afinados. 

A corrida em Sakhir também escancarou a importância de um fiel escudeiro para o campeonato. Desde o classificatório, Hamilton contou com a presença de Bottas. Largar na frente já significaria colocar Vettel uma posição atrás. Além de segurar o alemão, o finlandês também facilitou uma ultrapassagem na 47ª das 57 voltas.

Como previsto, a areia do deserto, ou a falta de borracha no lado par da reta, fez Hamilton patinar na largada e perder a segunda posição. O curioso foi notar dois novos inimigos da F1 largarem muito bem, obrigado, mesmo nesse dito lado sujo da pista. Max Verstappen e Felipe Massa, que trocaram farpas no treino classificatório, provaram que são bons de ultrapassagem mesmo nessa nova configuração dos carros e cada um ganhou duas posições na primeira volta. 

Massa inclusive alternou altos e baixos na corrida. Foi ultrapassado por um já capenga Kimi Räikkönen em duas oportunidades, não conseguiu suportar a pressão de Daniel Ricciardo, mas chegou em uma aceitável sexta colocação. Foi como uma vitória para a equipe, mas isso não significa que seu desempenho deva ser assim pelo resto do ano. A Williams precisa, e muito, melhorar para a sequência da temporada.

A boa colocação de Massa só foi possível graças ao problema no carro de Verstappen. A Williams não briga coisíssima nenhuma para ser a terceira força no Mundial. A Red Bull está muito à frente do time de Massa.

Felipe Massa foi além dos limites do carro e terminou na sexta colocação no GP do Bahrein
Divulgação/Red Bull Content Pool

‘Strollada atrás de Strollada’

Em três corridas, Lance Stroll não conseguiu dar mais de 55 voltas. O jovem canadense levou milhões e milhões de dólares para a carente Williams, mas também já protagonizou o que já ficou conhecido como ‘Strollada atrás de Strollada’. Existe até bolão para ver em que volta o piloto sai da prova. Desta vez, no Bahrein, talvez tenha sido o menor dos culpados, mas não conseguiu completar a prova do mesmo jeito.

Stroll foi atingido por Carlos Sainz Jr., quando esse saiu dos boxes na volta 13. Ao tentar dividir a curva, acabou acertando a parte lateral da Williams. Aparentemente, o canadense não foi o culpado, mas a manobra na China, quando antecipou a curva e fechou Sergio Perez não ficou esquecida. De todo modo, atrapalhou os planos da equipe na importante briga por pontos no pelotão intermediário.

Passou vergonha

Não é só a Williams que vive seus piores dias. A McLaren também vive um calvário daqueles dos mais dolorosos de lidar. Não bastasse largar com apenas um carro já que Stoffel Vandoorne teve problemas, Fernando Alonso mais uma vez aproveitou para esculachar o motor Honda. “Nunca corri com tão pouca potência na minha vida”, disse Alonso, na corrida seguinte ao anúncio de que disputará as 500 Milhas de Indianápolis.

A McLaren só não passou mais vergonha justamente porque tem Alonso. Enquanto o péssimo Jolyon Palmer e Daniil Kvyat brigavam de Renault e Toro Rosso, o bicampeão do mundo deu uma aula de pilotagem para cima dos dois. Só não foi mais adiante, claro, pelo baixo rendimento do carro. Abandonou a duas voltas do fim.

O próximo capítulo da emocionante, e precoce, disputa pelo título da F1 acontece daqui a duas semanas nas ruas de Sochi. O GP da Rússia acontece em 30 de abril. Por lá, será possível ter uma noção melhor se Hamilton está mais perto do tetra, ou Vettel caminha para o pentacampeonato.