Ultrapassagens para história da atual F1

Lewis Hamilton foi de asa móvel, enquanto Sebastian Vettel precisou ser tanto mais performático para conseguir posições neste domingo (14), no GP da Espanha. Demérito nenhum. Pilotos protagonizaram ótimas disputas e animaram ainda mais briga pelo título

André Avelar, São Paulo

A F1 há tempos não tem aquelas ultrapassagens em que o piloto coloca o carro de lado, avança os limites do imaginável e consegue a posição. Se isso não existe mais, resta comemorar, e muito, as manobras deste domingo (14), no GP da Espanha. O que o vencedor Lewis Hamilton e o segundo colocado Sebastian Vettel fizeram foi de ficar na memória dos apaixonados pela velocidade em qualquer tempo ou espaço.

Seria exagero colocar a primeira real briga entre os dois postulantes ao título como a tradução do ‘carro’ contra o ‘piloto’. Ainda que mais performático na corrida, não é por isso que Vettel é mais piloto que Hamilton. O talento dos dois foi visto de maneira diferente na segunda metade da prova. A preferência do público independe apenas do estilo de conseguir posições na pista nesta atual F1. Cada um lutou com as armas que lhe cabiam.

Na volta 38, logo quando saía dos boxes, Vettel não se intimidou com Hamilton mais rápido na reta. Os dois tocaram roda com roda na curva 1 pela primeira vez na temporada e levantaram as arquibancadas de Barcelona. Exceto pela largada, os pilotos de Mercedes e Ferrari não haviam verdadeiramente brigado por posição. O troco não veio exatamente na mesma moeda, mas também foi bonito de se ver. Hamilton abriu a asa móvel na volta 44, curiosamente o número de seu carro, e em uma melhor estratégia de pits engoliu Vettel no mesmo ponto em que havia sido ultrapassado.

Antes de tudo isso, na volta 25, o alemão havia aplicado um drible no finlandês Valtteri Botttas digno dos melhores jogadores de futebol. Vettel mudou a direção algumas vezes e deixou o segundo piloto da Mercedes perdido no retrovisor. Uma manobra fantástica que deixa ainda mais marcada na memória dos fãs.
 
Depois de mais uma vez sair mal no sinal verde, enquanto de novo seu rival sobrou, Hamilton precisava mesmo de sua redenção particular. A história da largada começou logo depois que o tri conquistou a 64ª da carreira e tentou de mansinho desestabilizar mentalmente o tetracampeão mundial. Quando os dois conversavam sobre as expectativas para a largada, o #44 lembrou o procedimento incomum do #5, ainda no GP da China, quando parou seu carro no limite interno do colchete. Vettel assumiu o golpe, mas guardou o melhor para este domingo na pista, mas, ao final, quem venceu mesmo foi Hamilton.

Hamilton sobrou no final e diminuiu para seis pontos diferença para Vettel na briga pelo título da F1
Divulgação/Mercedes

Não é só pela cor

O extravagante carro da Force India chama atenção muito mais pelo seu desempenho do que propriamente pelo rosa adotado na pintura. Sergio Perez e Esteban Ocon foram quarto e quinto respectivamente e, mais do que isso, deixaram muito bem claro qual equipe é quarta força da temporada.

A chamativa posição dos dois, claro, também se deve ao entrevero entre Kimi Räikkönen e Max Vertappen e o seguinte abandono de Valtteri Bottas. Essa talvez não fosse mesmo a colocação da equipe na linha de chegada, mas seus dois pilotos pontuaram nas quatro corridas disputadas até aqui.

Para quem torcida pela Williams como quarta força, a decepção foi grande. O pneu furado de Felipe Massa terminou de jogar fora qualquer chance de pontuação em uma equipe não atrativa para o carro apesar dos bons testes de pré-temporada. Lance Stroll, aos poucos, vai pegando a mão do carro e, ao menos, deixando de fazer bobagens como nas primeiras corridas. O brasileiro foi o 13º e o canadense o 16º, último entre os que completaram.

Agora é Indy

O heroísmo de Fernando Alonso tem limite. Depois de classificar a sua claudicante McLaren em uma inimaginável sétima posição, o dono da casa foi apenas o 12º. Em muito, prejudicado logo na primeira curva por um toque com Massa. O espanhol e o brasileiro se estranharam depois da largada e os dois saíram prejudicados em posições que não condizem com McLaren e Williams. O primeiro foi para a brita, enquanto o segundo teve um pneu furado e foi para os boxes.

 

 

Tudo bem. Ainda assim, mesmo sem fazer grandes coisas, foi possível ver de novo o sorriso no rosto de um até então sisudo Alonso.  Certamente, não ficou satisfeito por ficar fora da zona de pontuação, mas, como ele próprio disse, foi um reencontro com a velocidade, algo que talvez tivesse aprendido no oval de Indianápolis. E exatamente as 500 Milhas serão o foco do piloto a partir de agora. Alonso abdicou do GP de Mônaco para participar pela primeira vez da igualmente tradicional corrida nos Estados Unidos.

A agenda do espanhol por lá já contempla o programa de calouros nesta segunda-feira, treinos e atividades com o público durante a semana e a classificação a partir de sábado. As 500 Milhas de Indianápolis acontecem no domingo (28), o mesmo do GP de Mônaco de F1.