Santo de casa realmente não faz milagre

Em uma classificação caótica, Lewis Hamilton faz a pole do GP da Itália – enquanto os pilotos da Ferrari vão ter que fazer uma corrida de recuperação

Renan Martins Frade, de São Paulo

Os fãs da Ferrari lotaram as arquibancadas de Monza, torcendo por uma boa classificação dos carros vermelhos para a prova italiana – e, claro, por um encaminhamento do título no Mundial de Pilotos, que não vem desde 2007. Mas, da mesma forma que o mar laranja não deu sorte para Max Verstappen na corrida da Bélgica, o mar vermelho não adiantou muito para os pilotos da Ferrari neste GP da Itália. Até agora, ao menos.

Como diz o velho ditado brasileiro, “santo de casa não faz milagre”.

Tudo começou com uma classificação imprevisível, que ficou parada por cerca de 2h30 por causa da chuva. Na teoria, as condições de pista equilibravam o jogo: mesmo com a Ferrari mais próxima da Mercedes em desempenho, as Flechas de Prata possuem ainda uma unidade de potência mais poderosa no Q2 e no Q3, principalmente em um circuito rápido como é o de Monza. Se em pista seca parecia quase certo que a pole seria de Lewis Hamilton (ou, na pior das hipóteses, de Valtteri Bottas), a pista molhada apresentava mais possibilidades.

No entanto, na prática, Hamilton foi o rei da chuva. Após a classificação ser retomada, o inglês quase sempre ficou na frente – e quando não estava era porque as condições de pista tinham melhorado e o tricampeão ainda não havia fechado uma nova volta rápida. 

Vettel não se encontrou na molhada pista de Monza
Ferrari

Enquanto isso, Sebastian Vettel e Kimi Räikkönen pareciam perdidos. Os carros da Ferrari sofreram com a pista encharcada, nunca figurando entre os primeiros. Ao final do Q3, os dois pilotos conseguiram ficar atrás não só dos carros da Mercedes, mas também das Red Bulls de Max Verstappen e Daniel Ricciardo, da Williams do surpreendente Lance Stroll e da Force India de Esteban Ocon.  Sétimo tempo para Kimi e oitavo para Sebastian, em casa e lutando pelo título, configurou um desastre.

Há, ainda, que considerar as penalizações no grid de largada italiano. Ricciardo e Verstappen vão perder diversas posições, colocando a dupla da Ferrari em quinto e sexto. Com previsão de pista seca, é fácil prever uma relativamente tranquila corrida de recuperação – que não deve ser o suficiente para tirar Hamilton da liderança, obviamente.

Lewis, aliás, tem todos os motivos para sorrir. Com a pole deste sábado já são 69 na conta, o que coloca o tricampeão como o recordista absoluto no quesito, superando Michael Schumacher. Um resultado histórico. Isso sem falar que, não importando a posição de chegada de Vettel, basta a Hamilton vencer em Monza para sair da Itália como líder do campeonato.

Por isso, a única esperança dos tifosi é que a fé italiana supere qualquer ditado brasileiro – e que o santo de casa faça milagre, sim, neste domingo. Será que eles conseguem?