A boca suja dos pilotos no rádio

A comunicação por rádio na F1 virou um fator importante das transmissões. E não é raro ver um piloto dando coices na equipe ou se exaltando com rivais – Sebastian Vettel deu um belo exemplo disso no México. O GP* compilou os dez rádios mais raivosos

Vitor Fazio, de Porto Alegre

Não é exagero dizer que o ponto alto do GP do México deste final de semana foi a comunicação por rádio. Foi assim que Sebastian Vettel fez um auê: xingou Max Verstappen e Charlie Whiting, consequência da série de manobras polêmicas nas voltas finais da corrida. E ainda havia mais por vir: após a prova, Vettel e Verstappen mostraram que estão com a língua afiada.

"Sai, sai (***), por favor. Ele é um (***). Isso que ele é. Quer dizer, eu sou o único ou você está vendo o que eu estou vendo?", disparou Vettel, falando sobre Verstappen. Depois, avisado sobre a investigação dos comissários, seguiu disparando para todo lado: "Ah sim, quer saber, aqui vai mensagem para Charlie (Whiting)... Honestamente, vai se (***)"

As conversas agressivas por rádio acabaram insiparando este 10+. O GRANDE PREMIUM compilou dez das comunicações por rádio mais grossas. Desde xingamento aos adversários até ataques contra a própria equipe, o repertório é bastante diverso.

10) "Unbelieveable" - Massa, GP do Brasil de 2013

O GP do Brasil de 2013 era importantíssimo para Felipe Massa. Além de ser sua corrida caseira, o brasileiro se despedia da Ferrari, equipe que defendia desde 2006. A possibilidade de pódio era real, bastava fazer tudo certo.

Mas Massa não fez tudo certo. Contrariando uma decisão tomada no briefing de pilotos, Felipe cruzou a linha de entrada dos boxes ao defender a quarta posição contra Lewis Hamilton. Assim, o brasileiro recebeu um drive-through e acabou em sétimo.

Pelo rádio, a raiva: “Isso é inaceitável, gente. Inacreditável, inacreditável”, em tom crescente. E, de fato, havia motivos para ficar brabo: de acordo com Fernando Alonso, havia um acordo para trocar posições com Massa, garantindo um pódio em Interlagos. Bastava se manter em quarto – e Felipe não conseguiu.

9) "Don’t shout there, fucker" - Räikkönen, GP da Índia de 2013

Kimi Räikkönen vivia tempos estranhos no fim de 2013. O finlandês estava de saída para a Ferrari e não recebia o dinheiro que a Lotus estava devendo – o salário do finlandês dependia dos resultados, que foram bem melhores do que se esperava. Para completar, o companheiro Romain Grosjean vivia excelente fase.

No GP da Índia, Räikkönen partiu para uma estratégia estranha. Apesar do alto desgaste de pneus, Kimi fez apenas um pit. Para ir ao pódio com essa estratégia, seria necessário segurar Grosjean, que fez dois e vinha em melhor forma nas últimas voltas. E o problema era o seguinte: se o finlandês segurasse o francês por muito tempo, havia o risco de Felipe Massa chegar e passar os dois, levando o último lugar no pódio.

A Lotus se remediou. Pelo rádio, a comunicação era clara: “Não segure o Romain, porra”. Kimi retrucou: “Não xinga, cuzão”. É, a relação havia azedado em definitivo.

8) "I love your sense of humour" - Alonso, GP da Rússia de 2015

O 2015 da McLaren era tão ruim que acabou aflorando o lado ácido de Fernando Alonso. Mais do que xingar, este aqui é um exemplo de piloto sendo irônico para falar mal do carro.

No GP da Rússia, Alonso tinha chances reais de pontuar – um safety-car nas primeiras voltas embaralhou o grid, dando uma força para o espanhol. Em determinado momento, as estratégias de pits colocaram Felipe Massa imediatamente atrás de Fernando.

Pelo rádio, a equipe avisava que os dois iriam disputar posição “até o final”. Alonso foi mais realista: “Eu amo seu senso de humor”. Felipe foi quarto, Fernando foi 11º.

7) "Leave the space" - Alonso, GP do Bahrein de 2013

Fernando Alonso não tinha lá tantos motivos para ficar irritado em 2012. O espanhol tinha um bom carro e vencia com certa regularidade. Mas isso não o impedia de ficar brabo quando as coisas começavam a dar errado.

Brigando por posições intermediárias na zona de pontos no GP do Bahrein, Alonso precisava despachar Nico Rosberg, na então mediana Mercedes. Fernando tinha a chance clara de fazer isso quando Nico estava saindo dos boxes, ainda com pneus frios. O alemão, para sustentar a posição, empurrou o espanhol para fora da pista. Detalhe: isso aconteceu em duas oportunidades na mesma corrida.

Não é surpresa que Alonso tenha estourado na segunda vez. Em tom raivoso, Fernando gritava que “toda hora você precisa deixar espaço”, além de gesticular. Não adiantou muito: Rosberg acabou em quinto, enquanto Fernando foi sétimo.

6) "I wanna hit him" - Räikkönen, GP de Mônaco de 2013

O GP de Mônaco de 2013 parecia reservar um bom resultado para Kimi Räikkönen. O finlandês passou a maior parte do tempo em quinto, logo atrás das superiores Mercedes e Red Bulls. Mas a reta final da prova foi um pouco caótica.

Sergio Pérez vinha com muita ação para cima de Räikkönen, e parecia disposto a fazer qualquer coisa para ultrapassar. No caso, fez bobagem: o mexicano inventou uma ultrapassagem na saída do túnel, bateu na traseira do finlandês e acabou com a corrida dos dois. Sergio danificou sua asa dianteira, enquanto Kimi ficava com um pneu furado.

Como era de se esperar, Räikkönen não ficou feliz. “Eu quero bater nele quando o vir”, disse. Kimi ainda fez uma recuperação incrível e acabou em décimo, na zona de pontos. Talvez isso tenha evitado a pancadaria.

5) "Fucking Räikkönen" - Montoya, GP da Bélgica de 2002

É evidente que Juan Pablo Montoya estaria presente nesta lista. O momento raivoso do colombiano veio na classificação do GP da Bélgica de 2002. O tráfego em volta rápida não agradou Juan.

Montoya já estava terminando a volta em Spa, quando cruzou com um lento Kimi Räikkönen, que recolhia para os boxes. O problema é que Räikkönen decidiu se manter na trajetória de corrida até o último instante, enquanto Montoya voava logo atrás.

Claro, isso não ia dar certo. Montoya foi atrapalhado, não melhorou sua volta e se classificou em quinto – Kimi Räikkönen foi o segundo mais veloz. Pelo rádio, belas palavras: “Fucking Räikkönen, what a fucking idiot”. Não precisa de tradução, né?

4) "GP2 engine, GP2" - Alonso, GP do Japão de 2015

Este aqui acabou sendo um dos momentos mais icônicos da F1 em 2015. Fernando Alonso, acumulando toda a frustração do mundo ao longo de uma temporada horrível da McLaren, resolveu explodir justamente no GP do Japão – em Suzuka, casa da Honda.

Pressionado para conseguir resultados minimamente decentes na corrida caseira do fornecedor de motor, Alonso não saía do lugar. Na verdade, Fernando sequer conseguia segurar a dupla da Toro Rosso.

Irritado com a falta de potência, Alonso dizia: “Motor de GP2, motor de GP2, ARGH”. Claro, reclamar não adianta muito, e Fernando deu sequência ao seu GP apagado até acabar em 11º.

3) "Leave me alone" - Räikkönen, GP de Abu Dhabi de 2012

Este deve ser o rádio mais icônico da história da F1. Kimi Räikkönen, após uma excelente temporada na Lotus, finalmente brigava pela vitória. A chance vinha no GP de Abu Dhabi de 2012, após o abandono do líder Lewis Hamilton. A aflição da Lotus pelo rádio rendeu uma comunicação curiosa.

Por conta da chance clara de vitória, a Lotus estava muito falante. Räikkönen recebia informações sobre a distância para Alonso, segundo colocado, com frequência. Não por acaso, um leve coice do finlandês: “Me deixe sozinho, eu sei o que estou fazendo”.

Um tempo depois, em regime de safety-car, a Lotus estava preocupada com a temperatura dos pneus do finlandês. Os engenheiros pediam atenção extra para a borracha, e Kimi voltou a retrucar: “Sim, sim, estou fazendo isso o tempo todo. Não precisa me lembrar a cada instante”.

Assim, sem se importar muito com as mensagens da Lotus, Räikkönen marchou para a vitória, sua primeira em três anos – e penúltima, até aqui.

2) "What the fuck are we doing here?" - Vettel, GP da Rússia de 2016

Olha, esse aqui deve ser o melhor rádio da temporada 2016. Sebastian Vettel, vivendo um começo de temporada abaixo da média, via suas chances remotas de título indo embora. Um horrendo GP da Rússia serviu para aflorar a raiva que se acumulava no alemão.

Tudo deu errado já na largada. Daniil Kvyat acertou Vettel já na primeira freada, furando o pneu do ferrarista. Na curva seguinte, o russo voltou a bater no alemão, que agora estava nocauteado. Pelo rádio, toda a frustração do mundo.

“Que porra é essa? Ah, estou fora, uma batida. Alguém me acertou por trás na curva 2, depois me acertaram outra vez na 3, porra. Falando sério, que merda é essa que estamos fazendo aqui?”, esbravejou Vettel.

1) "I’m going home" - Vettel, GP da Turquia de 2010

2010 foi um ano emblemático para a Red Bull. A equipe tinha a primeira chance clara de ser campeã e via sua dupla de pilotos em uma disputa bastante parelha – foi só no fim da temporada que Sebastian Vettel se agigantou. Até lá, Mark Webber fazia um belo trabalho.

No GP da Turquia, os pilotos taurinos se enroscaram. Webber liderava, mas estava claro que Vettel tinha mais ritmo. O alemão veio, iniciou a ultrapassagem, mas tocou em Webber ao tentar finalizar a manobra. O que se viu em seguida foi marcante: um acidente que acabou com a prova de Sebastian, enquanto Webber perdia a asa dianteira.

Vettel, apesar de ser considerado culpado por muitos, se irritou. Pelo rádio, vários bips: “O que nós estamos fazendo aqui? Estamos trabalhando para ser campeões, porra. Que atitude estúpida. Eu vou embora”.